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domingo, 16 de novembro de 2025

TROPA DE ELITE UM E DOIS




 


Quem assistiu aos dois Tropa de Elite (2007 e 2010) provavelmente ficou impactado pelo que viu e pelo punhado de reflexões que surgiram: Seria a classe média alta que financiaria o tráfico de drogas? A baixa remuneração e o despreparo contribuiriam para a existência de uma polícia corrupta? Seria o “sistema” o grande causador da corrupção na política e o ponto de força das milícias? Difícil de responder.

É consenso que sim, uma polícia bem preparada e remunerada e a existência de políticos honestos favoreceriam ao menos em diminuir a violência urbana. Mas não é o que acontece e a razão está em duas palavras: dinheiro e poder. O crime “compensa” para alguns porque é um ganho rápido de muito dinheiro. Estar no poder é bom porque sempre haverá muitas pessoas sob suas ordens e que dependem de você. Diante disso, não adianta lotar a sociedade de policiais se o problema (ou os problemas) é de ordem moral. 

Os dois filmes levantam outros debates gerando pontos de vistas distintos. O policial, o cidadão comum, o político ou o idealista interpreta a história a partir de como ele vê o mundo. Mas não importa qual é a visão que mais prevalece ou a verdadeira e sim que os dois filmes de Padilha falam da nossa realidade. Uma realidade não tão distante de nós. Uma realidade que afeta à todos.

Roberto Nascimento não é um herói, mas personifica bem o indivíduo que quer devolver a sociedade o que aprendeu. E não é sendo corrupto e criminoso, mas o oposto disso. E pagou o preço por isso. Perdeu a esposa, o amor do filho, o amigo, a carreira. Foi enganado. Tudo aquilo pelo que lutava de uma hora para outra mudou. Não tinha como não levar as coisas para o lado pessoal.

Os dois filmes foram bem feitos. O primeiro contou com a preparação de parte do elenco por Fátima Toledo. Os atores ensaiavam a partir de técnicas de interpretação a transmitir emoções verdadeiras. E isso deu certo. Wagner Moura literalmente foi transformado no Capitão Nascimento. O segundo traz mais personagens muito bem interpretados, um bom clímax e um tom negativo no final. Tropa de Elite 1 e 2 entram para a lista dos melhores filmes brasileiros já feitos.

Tropa de Elite. De: José Padilha. Com: Wagner Moura, José Ramiro, Caio Junqueira. BRA, 2007, 1h58min.

Tropa de Elite 2: o inimigo agora é outro. De: José Padilha. Com: Wagner Moura, Irandhir Santos, Sandro Rocha. BRA, 2010, 1h55min.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

PARQUE DOS DINOSSAUROS (JURASSIC PARK, 1993)


    



No início da década de 1990, Steven Spielberg já tinha nome e sucesso. Estava numa ótima fase de sua carreira e num ótimo momento de arriscar em algo diferente. Em Parque dos Dinossauros de 1993, ele ensina como fazer filmes de ação e suspense: Com paciência, explicando a história, apresentando os personagens, preparando o ambiente para aquilo que vai acontecer. Queremos ver o T-Rex e os Velociraptors, mas eles não aparecem de imediato. Ficamos aguardando, olhando os detalhes, prestando atenção nos diálogos, vendo as situações acontecerem. Depois de quase uma hora, eles aparecem. E quando aparecem não é tão rápido. Ficam o tempo suficiente para percebemos o que suas presenças causam nos personagens e no ritmo do filme. A admiração pelos dinossauros no início dá lugar a correrias e gritarias pela sobrevivência.

Steven foi certeiro em usar a tecnologia a favor da história. Os dinossauros são bem reais, até o som que eles emitem. Os atores não “atuaram” com eles. Eles foram colocados depois com a ajuda da tecnologia. Mas nem dá para perceber tamanho realismo.

O filme ainda traz a mensagem sobre os perigos que ambição humana pode causar. O interesse financeiro pode fazer com que o ser humano rompa os limites da moral, da ética e da natureza e isso tem consequências. Os paleontólogos Alan Grant (Sam Neil), Ellie Sattler (Laura Dern) e o matemático Ian Malcolm (Jeff Goldblum) foram ao Parque ver se o lugar é seguro. Eles até que ficaram bestificados com o feito do bilionário John Hammond (Richard Attenborough), mas não demoraram a perceber que brincar de ser Deus é muito perigoso. Trazer de volta seres pré-históricos para nossa época e achar que poderá controlá-los é cometer um terrível engano. Tudo pode dar errado, tudo pode sair do controle. E quando as mortes começam a acontecer só resta a busca pela sobrevivência.

Parque dos Dinossauros é um clássico do cinema mundial. É um daqueles filmes que será lembrado muito pela sua música. Inconfundível. Nostálgica e Eterna. 

As continuações posteriores não são ruins, mas andam longe de superar o original.

De: Steven Spielberg. EUA, 1993, 2h07min.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

LARANJA MECÂNICA (A CLOCKWORK ORANGE, 1971)



Definitivamente, Laranja Mecânica(1971) é para pouquíssimos. Ver Alex e seus amigos praticarem a ultra-violência (espancar, bater, estuprar, matar) é de causar repugnância. Contudo, a história não se resume a isso. O que acontece com Alex após ser preso é o que fez o filme se tornar uma obra-prima. Para se livrar da prisão se voluntaria a um procedimento experimental onde seu cérebro é condicionado a dizer “não” a qualquer tipo de violência. Isso até que dar certo, mas há um problema: Alex perde a liberdade de fazer escolhas morais. Quando surge a oportunidade de realizar algum mal seu corpo sofre, sente náuseas e vontade de se matar.

O filme toca em alguns pontos interessantes. O que justifica o ser humano provocar violência contra seu próximo? Existe um método eficaz de erradica-la?  Procurar respostas é bem difícil. É fácil apontar culpados. Mas não resolve. Pelo que o filme deixa transparecer tudo começa na pessoa mesmo. Não importa se existisse o melhor plano de segurança pública ou o melhor plano de educação, é o indivíduo que escolhe fazer o certo ou o errado. Todo dia escolhemos isso ou aquilo. Então, por que escolhemos fazer o errado sabendo que é errado? Será porque existe algo de errado dentro de nós?

Outro ponto que o filme toca é em nossa humanidade. Quando vemos Alex depois do tratamento pagando pelos seus erros não ficamos contentes. Pelo contrário, ficamos com pena dele e por um momento esquecemos as coisas que ele fez. É justo que os outros paguem na mesma moeda? Se alguém matasse alguém que a gente ama, ficaríamos felizes se o assassino morresse? Temos o direito de escolher quem deve viver ou morrer? Quem é a lei? Nós? O Estado?

Laranja Mecânica não é um filme fácil de ser digerido. Seja pelas cenas, seja pela maneira que termina. A trilha sonora é o ponto alto do filme deixando-o memorável. Não recomendado para aquele(a) que está meio “deprê”, desanimado ou triste porque esse filme não vai ajudar!

De: Stanley Kubrick. Com: Malcolm McDowell. EUA, 1971, 2h16min.



segunda-feira, 14 de julho de 2025

SANGUE NEGRO (THERE WILL BE BLOOD)


O filme foca na degradação moral de Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) em meio ao seu enriquecimento no ramo de petróleo e sua relação conflituosa com o pastor evangélico Eli Sunday (Paul Dano).

A relação do dinheiro com a religião sempre foi difícil. Ambos são instrumentos de poder e controle e ditam o ritmo da vida. Quem não quer uma vida boa e segura aqui na terra? Quem não quer garantir um bom lugar lá no Céu? Apesar de terem uma finalidade boa (o próprio sustento e a ligação com o transcendente), o coração movido pela ambição transforma esses dois meios em instrumentos de alienação e destruição.

Daniel quer enriquecer. Que ser o melhor. Quer vencer todos os seus concorrentes. Não confia em ninguém. Aliás, ele não gosta de ninguém, nem dele mesmo! Ele despreza as pessoas. Ele quer ter o suficiente para estar longe delas. À medida que ele busca ser o melhor, mais ele “desce” em sua ética/moral, se tornando uma pessoa desprezível, sem compaixão e suja (literalmente). Não existe amor nele. Só poder e cobiça.

O pastor Eli não é tão diferente de Daniel. Apesar de ser “um homem de Deus”, ele é dissimulado e ambicioso. Ele quer fiéis para sua igreja. Por isso vai no emocional delas através de pregações focadas em “revelações” e na ação do demônio. Eli não quer que as pessoas tenham uma experiência com o Deus vivo (Jesus Cristo), muito menos ensina sobre o Evangelho, ele quer mesmo é enriquecer e se promover.

Sangue Negro traz uma mensagem negativa e pessimista do ser humano. Talvez não vai agradar a muitos devido a sua longa duração, ritmo lento e pelo seu final. Ainda sim é um filme com boas atuações e serve de aprendizado para a vida.

De: Paul Thomas Anderson. Com: Daniel Day-Lewis e Paul Dano. Baseado no livro Oil! de Upton Sinclair. EUA, 2007, 2h38min.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

ERA UMA VEZ NA AMÉRICA (ONCE UPON A TIME IN AMERICA)


Há uma resistência em assistir Era uma vez na América (1984) por sua longa duração (3h49min) e por parecer tratar de mais um filme sobre mafiosos. Sim. Há a máfia. Há violência. Mas são panos de fundo para diversos temas. O filme fala de amizade, lealdade, cobiça, traição, memórias, passagens do tempo e perdão.

A história é contada em três tempos, que se alternam, abordando a adolescência, fase adulta e velhice de David Aaronson, o “Noodles” (Robert DeNiro). Noodles sente-se culpado pela morte de seus três amigos após uma tentativa frustrada de assalto a um banco. Ele foge e depois de longos anos retorna ao ser descoberto. Noodles e seus amigos eram contrabandistas. Depois de um grande serviço recebem uma alta quantia de dinheiro, que é guardado numa mala em um cofre. Assim que seus amigos morrem, Noodles vai atrás da mala e ela não está mais lá. Tempos depois, ao visitar o mausoléu de seus antigos parceiros recebe misteriosamente uma chave de um cofre. No cofre há uma mala com dinheiro referente a um adiantamento por um serviço. Indo atrás das respostas, Noodles fala com pessoas conhecidas e elas o levam a descobertas que podem ser muito dolorosas.

O ponto forte do filme é a trilha sonora. Elas sempre estão acompanhando as lembranças do velho Noodles. Transmitem um misto de tristeza e saudade e nos convida a estar no lugar dele.

O tempo passa rápido e cada momento pode ser único e inesquecível. Não se sabe qual vai ser e nem quando vai acontecer. As lembranças fazem parte da nossa vida, as boas e as ruins. O tempo muda o corpo, a cabeça, o coração. Muda as pessoas e até a maneira como a vemos. No filme, Noodles era uma pessoa má. Matava, roubava, estuprava.  O tempo passou e seu olhar se tornou um reflexo de uma pessoa ferida e doída pelo que fez e pelo que sofreu da vida. Ele não é mais o mesmo. Mesmo tendo sido rejeitado, traído e machucado não guarda rancor e nem alimenta sentimentos de vingança. De fato valorizava seus amigos e queria verdadeiramente o bem deles. Deixa no final a mensagem que é uma escolha pessoal decidir “descontar” ou não aquilo que sofremos dos outros e da vida.

De: Sergio Leone. Com: James Woods e Elizabeth Mcgovern. Trilha sonora: Ennio Morricone. EUA, 1984, 3h49min.

domingo, 11 de maio de 2025

HARAKIRI (1962)


 

Ao ver sua esposa e filho doentes, Motome Chijiiwa entra em desespero. Desempregado vende suas espadas e sai pelas ruas para pedir dinheiro. Ele apela por piedade a um clã de samurais fingindo que faria o Harakiri, um ritual de suicídio. Contudo, mesmo sabendo de sua situação, os samurais ignoram e o humilham forçando a fazer o ritual com uma espada de bambu. Tsugumo Hanshiro fica indignado com a morte de seu genro e após a morte de sua filha e neto se dirige ao mesmo clã de samurais em busca de vingança. 

A palavra samurai significa “aquele que serve”. Os Samurais eram uma classe de guerreiros japoneses muito comum no Japão Feudal (séc. XII ao séc. XIX). Eles geralmente serviam a um Senhor latifundiário e suas funções iam da cobranças impostos à manter a ordem nas zonas rurais e urbanas. Com o tempo se tornaram uma classe militarizada e eram usados em batalha e guerras. Seu código de conduta baseado no budismo, confucionismo e xintoísmo pregavam valores como coragem, compaixão, benevolência, obediência e retidão. E é em cima desses valores que o filme tece suas críticas. 

A vida humana está acima de tudo. Acima de dinheiro, códigos ou honras. Enquanto o resguardo da vida não é visto como prioridade, ou seja, não está no centro, qualquer valor se torna vazio, qualquer objeto material perde seu preço. Códigos são esquecidos em nome de um coração orgulhoso. Ignorar ajuda a um ser humano em estado miserável podendo ajudá-lo é maldade. Mais ainda é assisti-lo se humilhando. 

O filme não tem muitas cenas de luta. Na verdade elas só vão aparecer lá no final. O que o roteiro faz é despertar nosso interesse em saber da vida de Tsugumo e de suas reais intenções que o levaram até a casa dos samurais. As reviravoltas e os diálogos são o ponto forte do filme. Recomendo se você quiser assistir algo diferente.

De: Masaki Kobayashi. Com: Tatsuya Nakadai, Tetsuro Tamba e Akira Ishihama. JAP, 1962, P&B, 2h13min.


quinta-feira, 3 de abril de 2025

HOMEM ARANHA 2 (SPIDER MAN 2, 2004)


 

Da noite para o dia, Peter recebeu um dom. Algo que ele nunca pediu, sonhou, imaginou ou foi atrás. E a primeira coisa que ele decide fazer com os poderes recém-adquiridos é bolar uma forma de ganhar dinheiro para quê pudesse comprar um carro e impressionar a garota dos seus sonhos. Algo dá errado e de uma maneira dolorida, Peter entende que o dom que ganhou não é para ele, é para os outros. “Com grandes poderes vem grandes responsabilidades” falou seu tio Ben Parker.

Peter então começa sua jornada como super herói. Logo percebe que precisa fazer renúncias e que as pessoas próximas a ele correriam sérios riscos se seus inimigos soubessem quem era ele. No final do primeiro filme (2002), Peter parecia decidido.

No segundo (2004), tudo em sua vida vem dando errado. No trabalho, nos estudos, nas amizades, na vida amorosa, até o aluguel anda atrasado. Parecia que tudo estava para ruir a qualquer momento (isso porque ele fez uma escolha que acreditava ser a certa). Cheios de incertezas, sua alma simplesmente “desapareceu” e ele perdeu os poderes, porque não sabia mais quem era. Ele não aguentava mais e decidiu desistir de ser o Homem Aranha. Queria cuidar de si, recuperar o que perdeu. Queria ir atrás de seus objetivos.

Mas as coisas não saíram como esperado.

Neste filme reafirma a mítica que todo herói precisa fazer algum sacrifício. Algo nele precisa “morrer”, ser deixado para trás por livre e espontânea vontade. Mas não vem de uma decisão fácil. Ele precisa estar diante de si mesmo e se perguntar: “É justo querer ser feliz e ver os outros sofrendo mesmo quando se tem a capacidade de evitar isso?” Fica claro que Peter não conseguiria viver com o peso na consciência de que “eu deveria ter feito alguma coisa e não fiz.”

“Será que não posso ter o que eu quero?” “O que preciso?” “O que devo fazer?”

As circunstâncias da realidade respondem a essas perguntas.

“Acredito que há um herói dentro de nós, que nos mantém íntegros, nos dar forças, nos enobrece, e por fim, nos deixa morrer com dignidade. Mesmo que às vezes, seja preciso ser firme e desistir daquilo que mais queremos. Até dos nossos sonhos.”

Peter não duvida mais. Ele sabe quem ele é. Sabe o que deve fazer. E está disposto a morrer por isso. A cena do trem é a melhor parte do filme!

Bem no final do filme, Peter Parker ainda aprende que mesmo que seja compreensivo esconder sua identidade para não colocar em riscos as pessoas amadas, ele não pode negar a elas o poder de fazer as próprias escolhas, mesmo sabendo dos riscos.

O filme deixa a mensagem que temos um propósito a cumprir e é ele que dá sentido a nossa vida mesmo que na parte amorosa e profissional dê tudo errado. Homem Aranha 2 continua insuperável em tudo, principalmente na trilha sonora. Merece ocupar as primeiras posições de melhores filmes de super-heróis já feitos.

De: Sam Raimi. Com: Tobey Maguire, Kirsten Dunst, James Franco, Alfred Molina, Rosemary Harris. EUA, 2004, 2h07min.

sexta-feira, 14 de março de 2025

A PALAVRA (ORDET)


 

“Deus é eterno e imutável.”

 

No filme A Palavra (Ordet no original) acompanhamos o abalo que sofre uma família de zona rural ao perder um ente querido e sua possível ressurreição por um homem que afirma ser Jesus Cristo!

O filme nos provoca com uma pergunta: os milagres que Jesus fez, ainda podem acontecer hoje em dia ou são apenas histórias que ficaram na Bíblia? Respondê-la nos faz compreender o entendimento que temos sobre Deus e sua ação. Ao assistir o filme percebemos a maneira que cada personagem age e pensa a partir de sua interpretação do que seja Deus. Um fica duro no coração, outro não acredita totalmente Nele, outra acredita, já um “enlouquece”.

É custoso acreditar Nele por conta da morte, da dor, do sofrimento, da injustiça e da maldade que assola o mundo. Só que quando acontece um milagre, algo que o racional não pode provar, nossa atenção se dirige para Ele. Diante de tantas indagações que temos sobre Ele, talvez a mais pertinente (a que é enfatizada no filme) é esta: Ele não dar o que queremos por que não pedimos? E se não pedimos é porque não acreditamos?

Aprendemos a partir da pregação que Deus só nos dar aquilo que é necessário e que seja importante para nossa Salvação. Pois bem, sabemos daquilo que realmente precisamos? O que quero, quero mesmo ou é uma imposição inconsciente influenciada pela sociedade? Até quando devo insistir e qual o momento que tenho que aceitar? Difícil de responder. Mas se começarmos a ouvir nosso coração e compartilhar nossa vida com as pessoas teremos algumas pistas. Não tentar isso é cair num sofrimento sem fim em tentar entender as coisas apenas a partir de convicções subjetivas e sem ajuda de ninguém.

Na parte final da película, no velório apenas uma criança acredita na ressurreição de sua mãe. Uma oração bem simples e humilde é proferida. O milagre acontece. A cena é muito bem feita. Todos os presentes ficam emocionados e começam a bendizer a Deus.

A Palavra não é um filme fácil de assistir. É dinamarquês. Preto e branco. É antigo, 1955. E é narrado de modo lento e arrastado. Se você quiser assisti-lo será preciso de muita paciência.

De: Carl Theodor Dreyer. Dinamarca, P&B, 1955, 2h04min.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

BATMAN, CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE(THE DARK KNIGHT RISES)


 

“Por que caímos, Bruce? Para aprendermos a levantar.”

O trunfo desta saga do Batman foi sem dúvida a escolha do diretor Christopher Nolan em focar o lado mais humano do personagem. Por isso ele fez questão de começar a história pelo início. A dor de perder os pais de maneira trágica  fez Bruce Wayne partir pelo mundo em busca de respostas sobre o mal. O que encontra é apenas que ele precisa ser combatido. Por isso, após sete anos peregrinando retorna a Gotham City com sensação de que teria que dar algo a cidade. Algo que pudesse inspirar o bem. Ele faz isso como o Batman, um herói que apesar de não ter superpoderes, possue inteligência e recursos o suficiente.

Neste filme que encerra a história do homem morcego, Bruce está recluso e machucado física e mentalmente por conta da luta contra o Coringa. Até então é o único acusado pela morte de Harvey Dent do filme anterior. Após o surgimento de uma nova ameaça, Batman é forçado a voltar, mas não consegue voltar do mesmo jeito. O grandalhão Bane é forte, inteligente e o derruba. Ao ver a cidade sofrendo, Bruce arranca forças para dar a volta por cima e vencer os vilões (num dos melhores, até o momento o melhor, final de um filme de super heróis)

Bruce nunca esteve só. Após a partida dos pais, Alfred, Lucius Fox e  Tenente Gordon sempre estavam ali para ajudá-lo. Atuando muitas vezes como figuras paternas. Em Bruce dar para aprender que se olharmos para além da nossa dor veremos aqueles que sofrem mais, e que eles precisam da nossa ajuda. Uma nova pessoa surge do sofrimento, com novos objetivos e pensamentos. O que nos define não é aquilo que somos, mas o que fazemos. O que mais importa não é cair, mas levantar.

De: Christopher Nolan. Com: Christian Bale, Tom Hardy e Anne Hathaway.  EUA, 2012, 2h45min


domingo, 9 de junho de 2024

AS SANDÁLIAS DO PESCADOR (THE SHOES OF THE FISHERMAN)


 

“Não posso mudar o mundo.

Não posso mudar o que a história já escreveu.

Eu posso apenas mudar a mim mesmo.

E começar a escrever um novo capítulo, cheio de incertezas.”


O filme As Sandálias do Pescador fala dos riscos que acarreta uma decisão. O pano de fundo da história é a Igreja Católica enfrentando o desafio da escolha de um novo Papa. Durante o conclave, após tentativas frustradas de votação, o cardeal russo Kiril Lakota é proclamado Papa por ter mantido a fé durante os anos em que estava na prisão. Kiril, logo entende o peso da responsabilidade de seu cargo. Para que sua voz alcance os milhões de pessoas ao redor do mundo ele precisará enfrentar as dificuldades e resistências para fazer o que acredita ser o certo. E ter consciência que haverá um preço a ser pago.

Ele entende isso na conversa emblemática com o cardeal Leone:

- Leone como um homem sabe que suas ações são para ele ou para Deus?

- Nunca se sabe. Temos um dever a cumprir. Mas não temos o direito de esperar aprovação nem mesmo um bom resultado.

- Então, no final meu amigo, estamos só?

- Sim. Os que vieram antes do senhor passaram por momento de solidão. Devo dizer que não há remédio pra isso. E quanto mais viver mais solitário será. O senhor pode até usar um homem ou outro para o trabalho na Igreja. Mas quando o trabalho estiver feito ou o homem não for adequado, irá dispensá-lo e buscará outro. O senhor quer amor e poderá tê-lo por algum tempo, mas irá perdê-lo. Goste ou não, está condenado a uma vida solitária desde o dia de sua eleição até sua morte. É um calvário Vossa Santidade. E o Senhor apenas começou a subi-lo.

De: Michael Anderson. Com: Anthony Quim, Vittorio De Sica e Leo Mckern. Baseado do romance homônimo de Morris L. West. Eua, 1968, 2h 41 min.


domingo, 7 de janeiro de 2024

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON (THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON)


Assistindo novamente O Curioso Caso de Benjamin Button, o que mais percebi foi o enfoque que filme dá ao tempo, envelhecimento e a morte.

A história começa com uma idosa Daisy Fuller (Cate Blanchett) numa cama de hospital prestes a morrer. Conta a sua filha a história de um homem que após perder o filho na Primeira Guerra Mundial faz um relógio com os ponteiros andando em sentido anti-horário. Daisy pede a ela que pegue e leia um diário que está em seus pertences. Nele há a história da vida de um homem, Benjamin Button (Brad Pitt). Sua mãe morre no parto. Ao ficar horrorizado em ver sua aparência, seu pai o abandona num lar de idosos. Benjamin tem aspecto de um velho e está com os dias contados. É acolhido por Queenie (Taraji P. Henson), uma cuidadora, que decide tomar conta dele nos seus próximos poucos dias de vida. Só que a medida que o tempo vai passando ele não dá sinais que vai morrer. De forma misteriosa vai rejuvenescendo. Benjamin vai conhecendo e se despedindo de pessoas. Têm suas primeiras experiências de vida: Sai de casa para passar um tempo trabalhando no barco do capitão Mike (Jared Harris); Vive o primeiro amor; E ver um pouco do horror da Segunda Guerra Mundial. Ao retornar para casa conhece seu pai biológico que está morrendo e herda toda sua herança. Chegando na casa dos 40 anos vive um romance com Daisy, uma paixão que ele conheceu quando ela era uma menina. Quando a primeira filha deles nasce, Benjamin fica preocupado, pois acha que não terá capacidades de cuidar dela por causa de sua condição.

Todos vamos envelhecer. As forças não serão as mesmas, as limitações surgirão e não seremos tão independentes. A morte também vai chegar. Um dia vamos morrer e as pessoas que amamos também.

Agora esses dois acontecimentos não nos impede de viver. Ir a lugares diferentes, conhecer novas pessoas, colher novas experiências (boas e dolorosas).

E o tempo? Não podemos pará-lo ou querer que ele ande para trás. O que resta é escolher o que fazer com o tempo que temos.

Com o passar do tempo, O Curioso Caso de Benjamin Button ainda continua interessante. Seja pela história, pelo elenco, trilha sonora e os temas abordados.

Dirigido por David Fincher. Roteiro de: Eric Roth. História de: Eric Roth e Robin Swicord. Com: Tilda Swinton. EUA, 2008, 2h46 min.

segunda-feira, 1 de maio de 2023

SICÁRIO: TERRA DE NINGUÉM (SICARIO)


Vários cadáveres são encontrados dentro de paredes. Após isso vemos a agente do FBI, Kate Macer se voluntariando numa missão liderada por Matt Graver e  Alejandro Gillik. Com o avançar dos acontecimentos, Kate vai entendendo algumas coisas que não eram bem o que imaginava, fazendo-a questionar-se sobre o verdadeiro objetivo da missão.

O filme permite olhar a um mundo onde a violência vem ganhando força em vez de diminuir. À medida que o tempo passa a impressão que dá é que nunca houve interesse em erradicar certos males, como o tráfico de drogas. O que existe é uma disputa de poder. Dentro dessa perspectiva não faz mais diferença saber que está certo dos dois lados. Os meios utilizados são os mesmos e as intenções também.  Nem importa se é preciso se sujar para conseguir o que quer.

No meio de tudo isso há as pessoas. Aquelas que procuram viver suas vidas em meio a uma terra sem lei e outras que são formadas e transformadas por ela. É um mundo cruel em que consiste viver para matar, matar para viver. Não importa quem seja.

Sicário tem uma trilha sonora que nos deixa tensos na expectativa de que algo vai acontecer (a cena de travessia entre a fronteira dos EUA e México e o tiroteio na rodovia é um exemplo). O filme traz algo original e não é apenas mais um sobre o tráfico de drogas e seus efeitos na vida das pessoas.

De Denis Villeneuve. Com Emily Blunt, Josh Brolin e Benecio Del Toro. EUA, 2015, 2h 01min. 

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

JCVD


O astro Jean Claude Van Damme (vivido por ele mesmo) não vem passando por bons momentos. Além de não conseguir papéis interessantes em filmes por causa de sua idade, perde a guarda da filha para sua ex-esposa. Num dia vai a uma agência de correios para resgatar um dinheiro quando cai no meio de um assalto. Os bandidos fazem todos pensarem que ele é o responsável pelo roubo e sequestro dos clientes e funcionários da agência.

 Na primeira cena de JCVD, que é a gravação de um filme, Jean Claude Van Damme bate, chuta, atira e mata. A gravação termina. Cansado, se dirige ao diretor se queixando que está velho demais para fazer muitos movimentos em uma só tomada. É ignorado. A cena corta para uma audiência de disputa de guarda onde o advogado de acusação aponta um ambiente desfavorável para se criar uma criança quando se têm no currículo filmes muito violentos, ao qual Van Damme retruca dizendo que todos eles eram feitos de coração e era através deles que ele conseguia dinheiro e comida. A cena é cortada mais uma vez e volta para ele sentado. Triste e pensativo.

JCVD mostra que Van Damme sabe interpretar. Ele consegue transmitir honestidade nas palavras, gestos e expressões de sua atuação. Numa cena em que fala olhando diretamente para a câmera faz um balanço da carreira e de sua vida: “Sou uma cara normal”; “Não é minha culpa se fui destinado a ser um astro. Eu pedi por isso, realmente acreditei nisso.”; “Quando se tem 13 anos você acredita nos seus sonhos. O meu se tornou realidade.”; “Me pergunto hoje o que fiz nesta Terra? Nada! Não fiz nada!”; “Sinceramente acredito que isto não é um filme. É a vida real.”; “É difícil para mim julgar as pessoas e é difícil para elas não me julgarem. É mais fácil me culpar.”

A maneira como toda história é contada prende a atenção. Começando de um ponto, volta no tempo algumas vezes para mostrar fatos com intuito de responder perguntas deixadas no ar. 

O filme chega a ser cômico às vezes, mas mantém o drama. Tem um desfecho bom e emocionante. Pena que não está disponível em nenhum catálogo de Streaming. Comprei ele por acaso nas Americanas por apenas 1,00! (era Black Friday).

De Mabrouk El Mechri. FRA, 2008, 1h32min.

https://retlawwalter.blogspot.com/2022/10/jcvd.html

 


domingo, 14 de agosto de 2022

FAZER ALGO DE BOM PELOS OUTROS NOS TORNA PESSOAS MELHORES?

Depende. Se for pra fazer esperando alguma retribuição, para “aparecer” ou para alimentar a vaidade, então...

Nas cenas finais de Blade Runner 2049 de Denis Villeneuve, o personagem K(Ryan Gosling) ao perceber que não ia ter o que sempre queria e que tudo que acreditava não passava de uma mentira decidiu fazer o que achava certo: fazer um pai reencontrar a filha que não via desde seu nascimento. Nem que tivesse que pagar com a vida.

Meio sem querer, K nos mostra não apenas que não se pode ter o que se quer, mas que se não formos contra nossas vontades, o mal cresce e ganha força. É preciso perceber que existe algo além de nossos desejos e necessidades e que tem alguém que sofre mais do que nós. Temos uma parcela de responsabilidade pelo mundo ser o que é hoje.

“Morrer pela causa certa é algo mais humano que podemos fazer” é dito no filme. Qual o preço? Talvez a própria vida. O que receber? Talvez nada. O que ganhar? Idem.

Há pessoas que vale a pena se arriscar por elas. E não precisa ter um grande motivo. Deckard(Harrison Ford), o pai da história, ao ser salvo pergunta a K:

“O que sou pra você?”

K não responde. E nem precisa. Talvez Deckard fez a pergunta porque essa atitude “de dar sem receber” é muito estranha. E é mesmo, mas são essas que fazem acender uma chama de esperança. 

domingo, 7 de agosto de 2022

O GRANDE TRUQUE (THE PRESTIGE, 2006)


Após uma morte trágica, dois mágicos, Robert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale) se tornam rivais e entram numa competição sem escrúpulos, onde os resultados serão trágicos.

Christopher Nolan consegue, além de nos fazer gostar de um filme mesmo sem entendê-lo muito bem, a proeza de transmitir algo relevante para nossas vidas.

Querer ser o melhor que o outro pode ser nocivo quando os meios utilizados são reprováveis. Tudo se perde e muito se paga, inclusive as pessoas que estão ao redor.

Observa-se na história do filme:

·         Relações humanas podem se desfazer e nos colocar um contra o outro;

·         O quanto enganamos e somos enganados;

·         A nossa falta de atenção;

·         A decisão consciente de ir até um fim fazendo algo que se sabe que é errado;

·         O quanto o outro se torna descartável diante de nossos desejos egoístas;

·         A mudança radical diante de uma perda de alguém querido;

·         Vingança não resulta em outra coisa senão a tragédia.

 

De Christopher Nolan. Com Michael Caine. EUA, 2006, 2h10 min.


terça-feira, 15 de março de 2022

COBAIN: MONTAGE OF HECK


 Em tempos passados bandas de rock guiavam gerações. Seus membros, quase sempre o vocalista, era um modelo a ser copiado. Uma imagem do ídolo é criada em nosso imaginário. Logo o colocamos num lugar muito importante da nossa vida. Essa ligação acontece não apenas por causa de sua obra, também por aquilo que é partilhado em público. Se por acaso algo de sua vida pessoal vem à tona mostrando um lado que desconhecíamos, o interesse pela sua arte permanece, mas aquela imagem do ídolo se desfaz. Esse é o sentimento ao assistir Montage of Heck(2015), documentário que narra a vida de Kurt Cobain(1967-1994), vocalista e guitarrista do Nirvana (1987-1994).

Ainda lembro a primeira vez que ouvi o Nirvana. Em 2003, um amigo emprestou uma fita k7 do Nevermind. De cara gostei de Smells Like Teen Spirit. Sua estrutura, versos lentos antecedendo o refrão gritado; bateria forte; baixo em destaque; e riffs de guitarra acompanhadas de uma voz seca e rasgada davam força e energia pra canção. Com o tempo fui gostando das demais. A mítica Come as you are, o hino Lithium, a explosiva Territorial Pissings, a romântica Drain You, One a Plain, a intimista Something in the Way.

Ao ouvir a discografia da banda só fez aumentar o interesse em saber de sua história. Na época as informações se limitavam em revistas de pôsteres contendo algumas curiosidades, letras e traduções de algumas músicas. Até que comprei uma que abordava mais coisas. Aí veio o primeiro choque: sua carta de despedida. Até em tão sabia que ele tinha cometido suicídio, mas não sabia a idade e nem as razões. 27 anos. Sucesso. Fama. Drogas. Depressão. Problemas de saúde. Sua vida era uma bomba relógio que estava prestes a explodir.

Montage of Heck mostra a vida de Kurt a partir de entrevistas de amigos e familiares, anotações de seu diário, de desenhos, pinturas, gravações caseiras, entrevistas e cenas de shows.

Tudo estava lá e não dava pra ninguém perceber. Este documentário nos mostra o erro de divinizarmos pessoas e nos ensina, mesmo que sem querer, a olhá-las como realmente são: humanas. O que se ver é uma pessoa doente. É verdade que um acontecimento familiar marcou sua vida pra sempre; Que o uso de drogas não o ajudou a lidar com a solidão e o sentimento de rejeição; Que a fama e o sucesso eram demais para sua procedência simples e pobre. Mas não tem só isso. Há um pai brincando com sua filha e um marido amando sua esposa. 

O que fica não é apenas seu final triste. Também a paixão de Kurt pela música. E é por causa dela, da música que ele nunca será esquecido.   

De Brett Morgen. EUA, 2015, 2h12min.


domingo, 6 de março de 2022

A ODISSEIA DO HOMEM DE AÇO


 

Os erros no roteiro e as cenas exageradas de ação e destruição comprometeram Homem de Aço, 2013 e Batman versus Superman: a origem da justiça, 2016. O que faz valer apena assisti-los são as abordagens em torno do Homem de Aço.

Imagina o que as pessoas pensariam se existisse alguém assim neste mundo? Pior e se ele se voltasse contra nós?

O que vemos nos dois filmes é que um ser com grandes poderes pode despertar medo, admiração e trazer muitos perigos. Ameaças maiores podem surgir já que “Não estamos sozinhos”. E quando grandes forças entram em choque as consequências não são muito boas: Quem vai responder pela destruição gratuita de prédios e cidades? E se houver mortes quem será o responsável? Esses pesos caem nos ombros de Kal-el. Afinal, ele é o “culpado” por tudo isso.

Ao tempo que muitos o odeiam, vidas são salvas graças a ele (E só ele podia salvar!). Aí as coisas ficam a favor do Homem de Aço. O que fazer com uma ameaça que só ele é capaz de enfrentar?

Kal-el/ Clark Kent é o elo entre os kryptonianos e os terráqueos. Acabou se tornando um símbolo de esperança para os dois planetas. Por isso referências religiosas e messiânicas não faltaram. E ele amava as pessoas, tanto que não hesitou em arriscar a própria vida para salvá-las. Valores e  direcionamentos ensinados pelos seus dois pais (os certeiros Russel Crowe e Kevin Costner).

Por essas e outras razões a história do SuperHomem permanece na consciência coletiva.

Man of Steel, De Zacky Snider. Escrito por Christopher Nolan e David S. Goyer. Com Henry Cavill.EUA, 2013, 2h23min.

Batman versus Superman: The dawn of justice. De Zacky Snider. Roteiro de Chris Terrio e David S. Goyer. Com Henry Cavill. EUA, 2016, 2h31min


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

JULGAMENTO EM NUREMBERG (1961)

 

       

Um juiz americano aposentado é encarregado de julgar quatro juízes alemães nazistas responsáveis por permitirem as atrocidades contra os judeus. O filme baseou-se vagamente em histórias reais como no caso Katzenberger de 1942.

Assistir filmes que envolvam a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) é mergulhar na complexidade de se observar até onde vai a liberdade humana e quais são suas motivações. É a oportunidade também de voltar no tempo.

Numa crise que envolve fome, desemprego e sentimento de desgraça e indignidade homens comuns e até os mais talentosos são capazes de se enganarem e cometer crimes tão bárbaros e atrozes que desafiam a imaginação.

Acompanhando o enredo, os sentimentos gerados são mistos. De um lado é compreensível que sejam responsabilizados aqueles que usaram cargos vitais para julgar, promulgar e aplicar leis cujo propósito era o extermínio de seres humanos. Do outro, de ver o esforço de uma parcela do povo em tentar passar uma imagem ao mundo que sua pátria não se resume as monstruosidades que ocorreram.

Durante uma guerra decisões são difíceis. Tomar parte? Se calar? Não querer saber? No meio de tudo isso há o medo de pagar pelas consequências das decisões feitas. E conviver com as lembranças por muito tempo.

Em nenhuma parte do planeta nunca vai ser correto assistir a morte de homens, mulheres e crianças. De ver a fé e a amizade serem objetos de escárnio. É correto buscar a verdade, a justiça e mais ainda o valor de um simples ser humano.

 Filme ganhou dois oscars de melhor ator e roteiro adaptado.

De Stanley Kramer. Com Spency Tracy, Maximilian Schell, Richard Widmark e Burt Lancaster. EUA, 1961, P&B, 3h07min.

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