terça-feira, 30 de junho de 2026

PEDRO E A FUNÇÃO DE UM PAPA

 

O papa de Roma é o líder religioso e moral mais influente e conhecido do mundo. Todo governo no mundo tem de lidar com ele de algum modo. Sua importância é inegável. É assim desde dia que o Imperador Constantino legalizou o cristianismo no século IV.  Em todo esse período, assentaram-se no trono papal, papas bons, papas ruins, papas controversos e papas esquecidos. Como todos nós, o papa é cativo de suas circunstâncias, educação e personalidade. Há um tremendo paradoxo no papado, pois vemos seres humanos falhos ocupando um lugar que seria para pessoas perfeitas espiritualmente. Isso faz com que uma parcela da Igreja não aceitem sua autoridade.

Mas qual sua história e sua função?

A palavra papa vem do grego e do latim e quer dizer pai ou papai. Ele é o sucessor de Pedro, um dos doze apóstolos, o mesmo que Cristo entregou as “chaves” de sua Igreja (Mt 16, 13-19). São Pedro é um dos personagens mais importantes do Novo Testamento. O seu nome vem do grego e significa “pedra”, porém seu nome no original aramaico quer dizer Simão. Filho de Jonas e irmão de Santo André, Pedro era natural de Betsaida e conduzia uma pequena empresa de pesca junto com seu irmão, São João e São Tiago Maior. São Pedro era um judeu crente e praticante, confiante na presença ativa de Deus. Era casado e vivia em Carfanaum. Depois de Pentecostes, São Pedro irá desempenhar a importante missão de guiar os Apóstolos conforme o mandamento de Cristo. Sua liderança é visível em vários trechos dos Atos dos Apóstolos:

·         Foi ele que conduziu a eleição de São Matias;

·         Realizou a primeira pregação apostólica;

·         Batizou os primeiros convertidos;

·         Realizou a primeira cura registrada;

·         Quem primeiro evangelizou os pagãos;

·         Conduziu o primeiro concílio da Igreja, em Jerusalém.

Foi um grande evangelizador. No ano de 67 d.C se entregou a Nero em troca da liberdade de todos os católicos que estavam presos. No dia 29 de Junho, foi crucificado de cabeça para baixo.

O papel dos papas, desde começo, tem sido o de conservar, proteger ou preservar o depósito da Fé. Em seu juramento, o papa promete “não diminuir ou mudar nada da tradição recebida, conservada por seus predecessores, tampouco admitir qualquer novidade, mas com fervor, resguardar o que foi transmitido.” A Igreja ensina que a Revelação Divina, o conjunto de conhecimentos em que é necessário acreditar para que alguém seja salvo (doutrinas como a Trindade, Encarnação, Transubstanciação e assim por diante), encerrou-se com a morte de São João, o Evangelista, cerca de 104 d.C. Esses ensinamentos são tidos como reais e verdadeiros em que podem ser comprovados. Quando disputas doutrinárias vêm à tona, o papa tem de determinar o que a Igreja ensinou sobre a questão. Como guardiões das doutrinas, são incapazes de alterar a posição da Igreja quanto a temas como aborto, contracepção, divórcio ou ordenação de mulheres.

Como o rebanho do papa reside no mundo e a influência externa mais forte num indivíduo é o governo, desde a época de Constantino os papas lidam com a política. Isso exige responsabilidade. Como terras significam poder, as propriedades e a soberania temporal eram consideradas essenciais se o papado desejava buscar um caminho independente na sua relação com os grandes do mundo. Mesmo que essas realidades os desviassem e ofuscassem de sua real missão, eles conseguiam exercer suas funções espirituais.

A Igreja Católica afirma que ela e seus papas devem dar continuidade à obra de Cristo, que ela é o Corpo Místico de Cristo. E é somente por meio desse corpo que encontramos o caminho para a Salvação. Para os católicos, a Igreja é a luz que resplandece nas trevas. Mesmo que ela passe por algumas crises, em sua cerne, há algo que ela considera um mistério: a transformação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo.


Fontes:

COULOMBE, Charles. História dos Papas. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2022.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

ALEGRIA E TRISTEZA DAS BANDAS DE ROCK: STONE TEMPLE PILOT


 

Algumas músicas se tornam trilha sonora da nossa vida, mesmo que o real significado das letras não tenham nada a ver. Quando várias músicas de uma mesma banda “falam conosco”, logo a banda se torna parte da gente. Quando um dos membros morre ou quando a banda acaba a sensação é como se parte da nossa vida também se fosse.


Stone Temple Pilot por exemplo. Ela é aquela banda que traz um misto de alegria e tristeza ao mesmo tempo. Alegria porque era o vocal de Scott Weiland que se encaixava no som que a banda fazia. Ele não apenas mudava de aparência, sua voz mudava em algumas músicas. E por falar nas músicas, elas não eram um mero produto. As letras não eram só palavras rimadas ou jogadas. Elas foram sentidas e vividas pelos compositores (principalmente por Scott). Existia algo de verdadeiro ali. Os temas são variados: Tensões emocionais, palavras mal escolhidas nos relacionamentos, observação social, desconforto existencial, busca por alívio, busca por redenção, transição da vida, vício em drogas, apegos, solidão, traições, expectativas não realizadas, traumas de abusos, decepções amorosas.


Tristeza porque nada é para sempre. Scott se foi em 2015. Vendo sua vida, se reafirma que a fama e sucesso não é para qualquer um. As drogas como sempre só anestesiavam a dor, mas nunca resolviam os problemas.

Seja para transmitir alegria ou tristeza, trazer boas ou más lembranças as músicas estão aí e algumas delas permanecem para sempre em nossa memória.

Playlist Obrigatória: And So I Know / Big Empty / Crackerman (Live) (MTV Unplugged) / Creep / Dead & Bloated / Glide / I Got You / Interstate Love Song / Kitchenware & Candybars / Lady Picture Show / Plush / Sour Girl / Unglued / Still Remains / Vasoline / Wicked Garden (Live) (MTV Unplugged) / Wonderful.


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

MEMÓRIA FINITA

 


O que falar da autora, professora e jornalista, Maria das Graças Targino? Numa palavra: diferente. Tive a oportunidade de ser seu aluno. E vi em sala de aula o resultado de talento, vocação, habilidade e amor pelo que se faz. Nenhuma aula era igual. Não basta “nascer para aquilo", saber fazer ou ter os recursos para se fazer. É preciso trabalho, dedicação e seriedade. A professora Graça despertou o gosto de ir para sala de aula.

Escrever não é para qualquer um. Requer gosto pela leitura (o óbvio), mas também de estratégias para querer ser lido. No caso dela, ausência de vaidade e coragem de se expor. Seus textos não são autobiográficos, mas aqui e acolá ela “solta alguma coisa" e dá para perceber alguns detalhes e fazer um resumo de sua vida. E também de levar algo para a nossa.

Neste seu livro mais recente, o gênero textual ainda é as crônicas, os fatos do cotidiano. (A escolha por ele talvez se justifique pela sua formação em jornalismo). É no cotidiano que a vida acontece. É no cotidiano que os pensamentos e os sentimentos mudam, o aprendizado chega e a gente muda.

Na obra, o fator tempo ainda reina. Ele pode acabar a qualquer momento (como sempre foi). O que temos são as memórias. Há coisas para se lamentar: as coisas que deram errado/não aconteceram; as perdas, os fracassos; o abandono, a maldade humana que não cessa, a solidão… Mas na memória há coisas boas: o trabalho bem realizado, as pessoas que conhecemos, a Fé, o estar vivo. 

As experiências da vida fizeram Graça Targino ser uma desbravadora. Tanto de lugares geográficos, como no coração das pessoas. Conhecer para melhorar como ser humano. Aqui na Terra, no lugar dos seres imperfeitos, o que vale é aprender com os erros(entende-se aí procurar evitar a cometê-los); buscar razões de viver que ultrapassem o afetivo, financeiro e material; gostar de algo; ter algum apreço pelo ser humano(e também pelos animais); estar atento ao Mundo e ser sensato e lúcido. Tudo isso é expresso em seus textos.

A memória é finita. Realmente tudo pode cair no esquecimento. Nesse mistério que é a vida resta-nos vivê-la, tentando fazer algo, construir algo, para nós, para o mundo.

TARGINO, Maria das Graças. Memória Finita. Teresina-PI: Nova Aliança, 2025. 370p.

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