Sabe-se que a bíblia é o
conjunto de 73 (setenta e três) livros que os cristãos creem serem inspirados
por Deus. Dividido em Antigo(46) e Novo Testamento(27), mostram a aliança de
Deus com a humanidade.
Muitas
perguntas surgem.
1 - Como
surgiu a lista dos livros sagrados que deram origem a Bíblia Sagrada? 2 - Quais
atributos definem se um livro é inspirado ou não? Quais os critérios de
avaliação e verificação destes mesmos atributos? 3 - Por que existe diferença
entre a bíblia dos protestantes e a bíblia católica? 4 – O Antigo Testamento
tem importância? 5 – Como ler e interpretar a bíblia? 6 – Quem é o centro da
Bíblia? 7- Quais os evangelhos?
Respondendo
a primeira pergunta, foi através de um
longo e gradativo processo de amadurecimento espiritual. Aquilo que é de
Deus permanece e transforma.
Na segunda pergunta a resposta não é tão
simples. Não se chega a ela seguindo critérios subjetivos e pessoais ou
ignorando o passado. É preciso estudar e esse estudo não se baseia em pesquisas
de internet, mas da leitura de livros. O que dar para ser respondido aqui é que
“A bíblia não se forma por si mesma e nem se autoriza por si própria. A sua
legitimidade depende de algo que lhe é exterior. A atribuição de autoridade
divina de um livro sempre dependeu da autoridade de algo que é exterior ao
livro. (LIMA, 2007, p.14)”.
Este
“algo” chama-se Igreja Católica Apostólica Romana. Jesus Cristo fundou uma
Igreja e deu “suas chaves” aos apóstolos, liderados por Pedro, para guiar a
humanidade até Deus. Basicamente a função desses homens é transmitir o
Evangelho. Inicialmente a transmissão era feito de boca a boca. Só que por
causa de homens mal intencionados que distorciam a mensagem evangélica conduzindo as pessoas ao erro, foi cogitado a
necessidade de deixar gravado por escrito o que de fato foi dito e feito por
Jesus. Dos muitos livros que foram escritos foi feito uma separação daqueles
que transmitiam e não transmitiam a Fé. Aqueles que foram autorizados pela
Igreja são chamados Canônicos e os não autorizados ou não inspirados de
Apócrifos. Cabe a Igreja a interpretação das Sagradas Escrituras.
A
resposta da terceira pergunta está nas
línguas com que a bíblia foi escrita. Foram duas: hebraico e grego. No tempo de
Jesus, o povo usava o aramaico em casa, o
hebraico para ler a bíblia e o grego no comércio e política. Os judeus que
tinha emigrado da Palestina para o Egito foram esquecendo sua língua materna.
Então um grupo de estudiosos se reuniu para traduzir o Antigo Testamento do
hebraico para o grego. Essa tradução foi chamada de Septuaginta ou Setenta.
Depois da ressurreição de Jesus, os apóstolos usaram essa versão para pregar o
evangelho. Só que rabinos judeus no Cânon de Jâmnia definiram a Bíblia Judaica apenas aqueles livros que foram escritos em
hebraico. Daí excluíram sete livros que foram escritos em grego (Tobias,
Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 e 2 Macabeus).
Quarta pergunta. O
Antigo Testamento, apesar das imperfeições contém ensinamentos e sabedoria que
podemos levar para a vida. Começa com o Pentateuco que são os cinco primeiros
livros da bíblia. Também chamados de Torah ou a Lei: Gênesis, Êxodo, Levítico,
Números e Deuteronômio. Foi elaborado a partir da mistura de quatro documentos
ao qual se chamou de “tradições”: Javista, Eloísta, Sacerdotal e Deuteronômico.
Qual
o resumo da Antiga Aliança?
Deus
fez uma aliança com o povo de Israel para serem instrumentos de Salvação para
todos os povos. Chama Abraão e Sara para morarem em Canaã. É o tempo dos
patriarcas: Abraão, Isaac e Jacó(que passa a ser chamado Israel). Atrás de
melhores condições de vida esses clãs e tribos vão para o Egito. Lá são
chamados de hebreus. Os faraós com medo os escravizam. Moisés é escolhido por
Deus para libertar os hebreus. Cruzando o mar vermelho caminham 40 anos no
deserto. No monte Sinai é feita a Aliança e o povo recebe de Deus os 10
mandamentos(Cf. Ex20, 1-17). Moisés morre no monte Nebo sem entrar na terra
prometida.
Com
a morte de Josué (que introduz o povo na terra prometida) o povo se organiza em
doze tribos. Começa o tempo dos Juízes, homens e mulheres sábios e corajosos
que atuavam como líderes. Sansão, Gedeão... o último foi Samuel. Israel pede um
rei. Os principais deles foram Saul, Davi e Salomão. Nenhum deles correspondeu
ao projeto de Deus. Em 722 a.C houve a separação do reino do norte, Israel e do
sul, Judá(Cf. I Reis12, 12-24).
Os
babilônios invadem Israel. Destroem o templo e a cidade de Jerusalém; depois
leva preso o rei, sua família, os dirigentes e boa parte do povo. Ficam 50 anos
por lá. A Babilônia foi vencida pela Pérsia e Ciro. A Palestina foi conquistada
pelo general grego Alexandre Magno. De 177 até 163 a.C os judeus são dominados
pelos gregos e egípcios. No ano de 63 a.C, Pompeu invade a Palestina e a reduz
a uma província romana. Os profetas atuavam em Israel e Judá denunciando ou
mantendo a fé do povo no Deus verdadeiro...
Quinta pergunta. Das
interpretações que podemos fazer da bíblia, a fundamentalista é a mais perigosa,
pois ignora a maneira de pensar dos autores e suas intenções, leva a pessoa a fazer
uma interpretação reducionista e preconceituosa, dá respostas ilusórias sobre
os problemas da vida, ignora credos, dogmas e a liturgia.
É
importante saber dos gêneros literários e textuais de cada livro. Por exemplo:
“É
consenso que nos capítulos 1 a 11 de Gênesis não trata de fatos históricos
constatáveis e sim de uma reflexão poética e simbólica sobre o lugar do ser
humano neste planeta e a origem do mal, à luz da fé, utilizando elementos
literários do seu contexto cultural (MURAD, 2012, p. 167).”
É
por isso que o Sentido Espiritual é o mais indicado a nós leigos. Com a
influência do Espírito Santo eu pego os textos bíblico e relaciono a vida de
Cristo com minha vida no presente procurando responder a quatro perguntas:
·
O que aconteceu? (imaginar e se colocar na
cena. Ver os personagens, as palavras, o acontecimento)
·
O que devemos crer?
·
O que devemos fazer?
·
Para onde devemos caminhar?
A
resposta da sexta pergunta é Jesus
Cristo. Ele é o messias esperado
para salvar o povo (Cf. Hb1; At 3, 13-15 ). No Antigo testamento temos a
Revelação de Deus antes da vinda de Jesus. No novo temos a Revelação de Deus a
partir de Jesus. “No NT lemos relatos vividos e concretos de um homem que é
filho de Deus, que viveu entre nós, ensinou, sofreu, morreu e ressuscitou dos
mortos. (HARRINGTON, 1985, p. 46)”.
Os
Evangelhos são a exposição da narrativa histórica do sofrimento, morte e
ressurreição de Jesus Cristo. Não são uma espécie de biografias, e sim a
apresentação de sua doutrina. Os ditos de Jesus não são exatamente como saíram
de seus lábios, pois ele falava aramaico e os evangelhos foram escritos em
grego.
São
quatro.
MARCOS.
16 capítulos
Marcos
foi intérprete e discípulo de Pedro. Escreveu o evangelho em Roma para cristãos
não-judeus por volta do ano 65 d.C. O evangelho de Marcos é dividido em duas
partes onde ele procura responder a identidade
de Jesus (Mc 1,18; 8, 30) e sua natureza
messiânica (Mc 8, 31; 16,8). Marcos é pormenorizado. Nos mostra que no
início, os discípulos eram menos receptivos que a multidão e que Pedro achava
absurdo a ideia de um messias sofredor (Mc 8, 27). No final, os discípulos precisavam
aprender o que significava o sofrimento, a morte e a ressurreição de Cristo
para então retratá-lo com verdade.
MATEUS. 28 capítulos
Mateus foi um dos doze
apóstolos. Escreveu para judeus-cristãos provavelmente em 80-90 d.C. O
evangelho de Mateus é dividido em sete partes:
I – Infância (Cap. 1-2);
II – O reino aparece (Cap.
3-7);
III – Missão salvadora de
Cristo (Cap. 8-10);
IV – O reino escondido (Cap.
11-13);
V – O reino se desenvolve (Cap.
14-18);
VI – A caminho da Paixão (Cap.
19-25);
VII – Paixão e Ressurreição
(Cap. 26-28).
Para Mateus, Jesus é a
realização da promessa feita a Abraão (Gn 12,3). Israel tinha uma posição privilegiada,
agora perdida. Mateus expõe que a Lei
fazia exigências, mas não dava os meios de satisfazê-las. O evangelho colocava
o homem perante o dom de Deus. As exigências de Cristo são portadoras do auxílio
divino que torna os homens capazes de obedecer e lhes dá possibilidade de
viverem como filho de Deus.
LUCAS. 24 Capítulos
Escrito para cristão gentios
provavelmente em 80 d.C. Lucas é único que fala com mais detalhes de Maria.
Narra os fatos de maneira ordenada. É dividida em três partes:
I – Do templo ao término do
ministério da Galileia (Cap 1 até 9,50);
II – Jornada da Galileia a
Jerusalém (Cap. 9,51 até 19,27);
III – Os últimos dias de
Cristo padecente e ressuscitado em Jerusalém (Cap. 19,28 até 24).
JOÃO. 21 Capítulos
Escrito em Éfeso em 90-100
d.C. O evangelho de João na fala do reino dos céus, mas do próprio Jesus. É o
evangelho dos sete milagre (ou sinais), do “Eu sou”. João tem um estilo próprio
e sua linguagem é repleta de simbolismos e sinais. Sua intenção é mostrar que
Jesus de Nazaré é o Messias da expectativa judaica. A verdade veio toda inteira
na pessoa de Jesus. Em João, a fé vem com sinônimo de crer: crer é receber e
aceitar a auto revelação de Jesus. É ir
a Ele; ouvir sua palavra; permanecer; ver. O Espírito Santo continua e
completa o ministério de Jesus. A presença do Espírito se manifesta na vida
cristã no amor fraterno. No final, João nos ensina que os homens ou aceitam ou
rejeitam Jesus.
Fontes:
BRITO, Dom Jacinto. Meus primeiros passos com a bíblia. Arquidiocese de Teresina. (curso bíblico para iniciantes). 103p.
HARRINGTON, Wilfrid John. Chave para bíblia: a revelação, a promessa, a realização. Tradução de Josué Xavier e Alexandre Macintyre. São Paulo: Paulus, 1985. 645p.
LIMA, Prof. Alessandro. O Cânon
Bíblico: a origem da lista dos livros sagrados. 3ª edição. Editora ComDeus:
São José dos Campos-SP, 2007. 126p.
MURAD, Afonso. Maria, toda de Deus e tão humana: compêndio de mariologia. São Paulo:
Paulinas; Santuário, 2012. 260p.
PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA.
A interpretação da bíblia na igreja.
9ª edição. Paulinas: São Paulo, 1998. A voz do Papa. 162p.






