quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O QUE SABER DE UM DOS LIVROS MAIS ANTIGOS DA HUMANIDADE?

 

Sabe-se que a bíblia é o conjunto de 73 (setenta e três) livros que os cristãos creem serem inspirados por Deus. Dividido em Antigo(46) e Novo Testamento(27), mostram a aliança de Deus com a humanidade.

Muitas perguntas surgem.

 1 - Como surgiu a lista dos livros sagrados que deram origem a Bíblia Sagrada?  2 - Quais atributos definem se um livro é inspirado ou não? Quais os critérios de avaliação e verificação destes mesmos atributos? 3 - Por que existe diferença entre a bíblia dos protestantes e a bíblia católica? 4 – O Antigo Testamento tem importância? 5 – Como ler e interpretar a bíblia? 6 – Quem é o centro da Bíblia? 7- Quais os evangelhos?

 

Respondendo a primeira pergunta, foi através de um longo e gradativo processo de amadurecimento espiritual. Aquilo que é de Deus permanece e transforma.

Na segunda pergunta a resposta não é tão simples. Não se chega a ela seguindo critérios subjetivos e pessoais ou ignorando o passado. É preciso estudar e esse estudo não se baseia em pesquisas de internet, mas da leitura de livros. O que dar para ser respondido aqui é que “A bíblia não se forma por si mesma e nem se autoriza por si própria. A sua legitimidade depende de algo que lhe é exterior. A atribuição de autoridade divina de um livro sempre dependeu da autoridade de algo que é exterior ao livro. (LIMA, 2007, p.14)”.

Este “algo” chama-se Igreja Católica Apostólica Romana. Jesus Cristo fundou uma Igreja e deu “suas chaves” aos apóstolos, liderados por Pedro, para guiar a humanidade até Deus. Basicamente a função desses homens é transmitir o Evangelho. Inicialmente a transmissão era feito de boca a boca. Só que por causa de homens mal intencionados que distorciam a mensagem evangélica  conduzindo as pessoas ao erro, foi cogitado a necessidade de deixar gravado por escrito o que de fato foi dito e feito por Jesus. Dos muitos livros que foram escritos foi feito uma separação daqueles que transmitiam e não transmitiam a Fé. Aqueles que foram autorizados pela Igreja são chamados Canônicos e os não autorizados ou não inspirados de Apócrifos. Cabe a Igreja a interpretação das Sagradas Escrituras.

A resposta da terceira pergunta está nas línguas com que a bíblia foi escrita. Foram duas: hebraico e grego. No tempo de Jesus, o povo usava o aramaico em casa, o hebraico para ler a bíblia e o grego no comércio e política. Os judeus que tinha emigrado da Palestina para o Egito foram esquecendo sua língua materna. Então um grupo de estudiosos se reuniu para traduzir o Antigo Testamento do hebraico para o grego. Essa tradução foi chamada de Septuaginta ou Setenta. Depois da ressurreição de Jesus, os apóstolos usaram essa versão para pregar o evangelho. Só que rabinos judeus no Cânon de Jâmnia definiram a Bíblia Judaica apenas aqueles livros que foram escritos em hebraico. Daí excluíram sete livros que foram escritos em grego (Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 e 2 Macabeus).

Quarta pergunta. O Antigo Testamento, apesar das imperfeições contém ensinamentos e sabedoria que podemos levar para a vida. Começa com o Pentateuco que são os cinco primeiros livros da bíblia. Também chamados de Torah ou a Lei: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Foi elaborado a partir da mistura de quatro documentos ao qual se chamou de “tradições”: Javista, Eloísta, Sacerdotal e Deuteronômico.

Qual o resumo da Antiga Aliança?

Deus fez uma aliança com o povo de Israel para serem instrumentos de Salvação para todos os povos. Chama Abraão e Sara para morarem em Canaã. É o tempo dos patriarcas: Abraão, Isaac e Jacó(que passa a ser chamado Israel). Atrás de melhores condições de vida esses clãs e tribos vão para o Egito. Lá são chamados de hebreus. Os faraós com medo os escravizam. Moisés é escolhido por Deus para libertar os hebreus. Cruzando o mar vermelho caminham 40 anos no deserto. No monte Sinai é feita a Aliança e o povo recebe de Deus os 10 mandamentos(Cf. Ex20, 1-17). Moisés morre no monte Nebo sem entrar na terra prometida.

Com a morte de Josué (que introduz o povo na terra prometida) o povo se organiza em doze tribos. Começa o tempo dos Juízes, homens e mulheres sábios e corajosos que atuavam como líderes. Sansão, Gedeão... o último foi Samuel. Israel pede um rei. Os principais deles foram Saul, Davi e Salomão. Nenhum deles correspondeu ao projeto de Deus. Em 722 a.C houve a separação do reino do norte, Israel e do sul, Judá(Cf. I Reis12, 12-24).

Os babilônios invadem Israel. Destroem o templo e a cidade de Jerusalém; depois leva preso o rei, sua família, os dirigentes e boa parte do povo. Ficam 50 anos por lá. A Babilônia foi vencida pela Pérsia e Ciro. A Palestina foi conquistada pelo general grego Alexandre Magno. De 177 até 163 a.C os judeus são dominados pelos gregos e egípcios. No ano de 63 a.C, Pompeu invade a Palestina e a reduz a uma província romana. Os profetas atuavam em Israel e Judá denunciando ou mantendo a fé do povo no Deus verdadeiro...

Quinta pergunta. Das interpretações que podemos fazer da bíblia, a fundamentalista é a mais perigosa, pois ignora a maneira de pensar dos autores e suas intenções, leva a pessoa a fazer uma interpretação reducionista e preconceituosa, dá respostas ilusórias sobre os problemas da vida, ignora credos, dogmas e a liturgia.

É importante saber dos gêneros literários e textuais de cada livro. Por exemplo:

“É consenso que nos capítulos 1 a 11 de Gênesis não trata de fatos históricos constatáveis e sim de uma reflexão poética e simbólica sobre o lugar do ser humano neste planeta e a origem do mal, à luz da fé, utilizando elementos literários do seu contexto cultural (MURAD, 2012, p. 167).”

É por isso que o Sentido Espiritual é o mais indicado a nós leigos. Com a influência do Espírito Santo eu pego os textos bíblico e relaciono a vida de Cristo com minha vida no presente procurando responder a quatro perguntas:

·         O que aconteceu? (imaginar e se colocar na cena. Ver os personagens, as palavras, o acontecimento)

·         O que devemos crer?

·         O que devemos fazer?

·         Para onde devemos caminhar?

A resposta da sexta pergunta é Jesus Cristo. Ele é o messias esperado para salvar o povo (Cf. Hb1; At 3, 13-15 ). No Antigo testamento temos a Revelação de Deus antes da vinda de Jesus. No novo temos a Revelação de Deus a partir de Jesus. “No NT lemos relatos vividos e concretos de um homem que é filho de Deus, que viveu entre nós, ensinou, sofreu, morreu e ressuscitou dos mortos. (HARRINGTON, 1985, p. 46)”.

Os Evangelhos são a exposição da narrativa histórica do sofrimento, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Não são uma espécie de biografias, e sim a apresentação de sua doutrina. Os ditos de Jesus não são exatamente como saíram de seus lábios, pois ele falava aramaico e os evangelhos foram escritos em grego.

São quatro.

MARCOS. 16 capítulos

Marcos foi intérprete e discípulo de Pedro. Escreveu o evangelho em Roma para cristãos não-judeus por volta do ano 65 d.C. O evangelho de Marcos é dividido em duas partes onde ele procura responder a identidade de Jesus (Mc 1,18; 8, 30) e sua natureza messiânica (Mc 8, 31; 16,8). Marcos é pormenorizado. Nos mostra que no início, os discípulos eram menos receptivos que a multidão e que Pedro achava absurdo a ideia de um messias sofredor (Mc 8, 27). No final, os discípulos precisavam aprender o que significava o sofrimento, a morte e a ressurreição de Cristo para então retratá-lo com verdade.

MATEUS. 28 capítulos

Mateus foi um dos doze apóstolos. Escreveu para judeus-cristãos provavelmente em 80-90 d.C. O evangelho de Mateus é dividido em sete partes:

I – Infância (Cap. 1-2);

II – O reino aparece (Cap. 3-7);

III – Missão salvadora de Cristo (Cap. 8-10);

IV – O reino escondido (Cap. 11-13);

V – O reino se desenvolve (Cap. 14-18);

VI – A caminho da Paixão (Cap. 19-25);

VII – Paixão e Ressurreição (Cap. 26-28).

Para Mateus, Jesus é a realização da promessa feita a Abraão (Gn 12,3). Israel tinha uma posição privilegiada, agora perdida. Mateus expõe que a Lei fazia exigências, mas não dava os meios de satisfazê-las. O evangelho colocava o homem perante o dom de Deus. As exigências de Cristo são portadoras do auxílio divino que torna os homens capazes de obedecer e lhes dá possibilidade de viverem como filho de Deus.

LUCAS. 24 Capítulos

Escrito para cristão gentios provavelmente em 80 d.C. Lucas é único que fala com mais detalhes de Maria. Narra os fatos de maneira ordenada. É dividida em três partes:

I – Do templo ao término do ministério da Galileia (Cap 1 até 9,50);

II – Jornada da Galileia a Jerusalém (Cap. 9,51 até 19,27);

III – Os últimos dias de Cristo padecente e ressuscitado em Jerusalém (Cap. 19,28 até 24).

JOÃO. 21 Capítulos

Escrito em Éfeso em 90-100 d.C. O evangelho de João na fala do reino dos céus, mas do próprio Jesus. É o evangelho dos sete milagre (ou sinais), do “Eu sou”. João tem um estilo próprio e sua linguagem é repleta de simbolismos e sinais. Sua intenção é mostrar que Jesus de Nazaré é o Messias da expectativa judaica. A verdade veio toda inteira na pessoa de Jesus. Em João, a fé vem com sinônimo de crer: crer é receber e aceitar a auto revelação de Jesus. É ir a Ele; ouvir sua palavra; permanecer; ver. O Espírito Santo continua e completa o ministério de Jesus. A presença do Espírito se manifesta na vida cristã no amor fraterno. No final, João nos ensina que os homens ou aceitam ou rejeitam Jesus.

Fontes:

 BRITO, Dom Jacinto. Meus primeiros passos com a bíblia. Arquidiocese de Teresina. (curso bíblico para iniciantes). 103p.

HARRINGTON, Wilfrid John. Chave para bíblia: a revelação, a promessa, a realização. Tradução de Josué Xavier e Alexandre Macintyre. São Paulo: Paulus, 1985. 645p.

LIMA, Prof. Alessandro. O Cânon Bíblico: a origem da lista dos livros sagrados. 3ª edição. Editora ComDeus: São José dos Campos-SP, 2007. 126p.

MURAD, Afonso. Maria, toda de Deus e tão humana: compêndio de mariologia. São Paulo: Paulinas; Santuário, 2012. 260p.

PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA. A interpretação da bíblia na igreja. 9ª edição. Paulinas: São Paulo, 1998. A voz do Papa. 162p.

 

 

 


terça-feira, 11 de agosto de 2026

COMO RECONHECER E COMBATER OS PRÓPRIOS MEDOS?

 A fobia é um distúrbio mental onde um medo aparentemente imotivado de um objeto ou de uma situação que, para ser evitada, a pessoa se submete a difíceis limitações de sua autonomia.

Como entender e combater isso?

Nossas emoções estão ligadas a nossos pensamentos e preocupações. Ou seja, somos nós com nosso modo de pensar e avaliar as coisas que causamos raiva, tristeza, alegria, ansiedade. Nosso comportamento depende dos julgamentos que fazemos das situações que temos de enfrentar e das consequências que prevemos. Se não consigo prever ou conhecer algo mais propenso fico a ter medo. Um fato novo, uma pequena mudança ou um evento desconhecido é capaz de me desestabilizar. O primeiro ponto, portanto é reconhecer as próprias emoções.

Um exercício útil, antes de enfrentar as situações é imaginá-las. É analisar os próprios pensamentos para depois procurar compreender as coisas como realmente elas são. “No que eu estava pensando?”, “O que fez pensar em tal coisa?”

Há pessoas que travam diante de uma situação nova e não sabem o que fazer. Isso pode causar sofrimento. Um indicador do próprio estado de saúde deve ser procurado não no maior ou menor bem-estar que se experimenta, mas na quantidade de coisas que se é obrigado a evitar para não passar mal.

É chegar a três respostas:

1 – O que causa o sofrimento?

2 – Como foi que aconteceu?

3 – Como resolver? Como dar um novo olhar e aprender uma nova maneira de avaliar os acontecimentos de modo que eles não mais sejam uma fonte de sofrimento? Como se comportar?

Falar é fácil... Nem todos conseguem transformar em palavras aquilo que está sentindo. Tudo aquilo que recebi de meus pais na infância e na adolescência influencia no adulto que sou hoje. Se recebi muito cuidado, mais me sinto amado e vejo o mundo e as pessoas com mais otimismo. Se fui controlado, superprotegido, mais me sentirei frágil, dependente e incapaz de enfrentar as dificuldades, por isso, pouco amável. Se sou apegado, mais incapaz sou de enfrentar a realidade sozinho. Se sou desapegado, enfrento sozinho a realidade, mas me torno incapaz de fazer ligações afetivas profundas.

Há no nosso imaginário que um modelo de pessoa a ser é aquela que é forte e sozinha, independente. Forte porque enfrenta toda situação nova ou difícil, sem a mínima dificuldade, incerteza, com absoluta frieza e segurança. Sozinha porque não precisa de ninguém, não se abate com as separações e nem se alegra com as ligações.

Ser este tipo de pessoa é possível? Talvez, mas o certo é que se estou diante de algo que não consigo resolver sozinho, o melhor caminho é pedir ajuda. Ninguém se forma ou aprende as coisas sozinho. O medo é vencido quando encontro alguém que seja maior que o problema. Minha vida está nas mãos de quem? Todos os dias estamos diante de males aos quais somos impotentes.

O ser humano sofre mesmo é com a falta de sentido para sua vida, com uma ausência de um projeto de vida ou com uma carência de ordem moral.

Fonte:

LORENZINI, Roberto; SASSAROLI, Sandra. Quando o medo vira doença: como reconhecer e curar fobias. Tradução de Veloso Vargas. 4ª ed. São Paulo: Paulinas, 2011. (Psicologia e Você).

terça-feira, 30 de junho de 2026

PEDRO E A FUNÇÃO DE UM PAPA

 

O papa de Roma é o líder religioso e moral mais influente e conhecido do mundo. Todo governo no mundo tem de lidar com ele de algum modo. Sua importância é inegável. É assim desde dia que o Imperador Constantino legalizou o cristianismo no século IV.  Em todo esse período, assentaram-se no trono papal, papas bons, papas ruins, papas controversos e papas esquecidos. Como todos nós, o papa é cativo de suas circunstâncias, educação e personalidade. Há um tremendo paradoxo no papado, pois vemos seres humanos falhos ocupando um lugar que seria para pessoas perfeitas espiritualmente. Isso faz com que uma parcela da Igreja não aceitem sua autoridade.

Mas qual sua história e sua função?

A palavra papa vem do grego e do latim e quer dizer pai ou papai. Ele é o sucessor de Pedro, um dos doze apóstolos, o mesmo que Cristo entregou as “chaves” de sua Igreja (Mt 16, 13-19). São Pedro é um dos personagens mais importantes do Novo Testamento. O seu nome vem do grego e significa “pedra”, porém seu nome no original aramaico quer dizer Simão. Filho de Jonas e irmão de Santo André, Pedro era natural de Betsaida e conduzia uma pequena empresa de pesca junto com seu irmão, São João e São Tiago Maior. São Pedro era um judeu crente e praticante, confiante na presença ativa de Deus. Era casado e vivia em Carfanaum. Depois de Pentecostes, São Pedro irá desempenhar a importante missão de guiar os Apóstolos conforme o mandamento de Cristo. Sua liderança é visível em vários trechos dos Atos dos Apóstolos:

·         Foi ele que conduziu a eleição de São Matias;

·         Realizou a primeira pregação apostólica;

·         Batizou os primeiros convertidos;

·         Realizou a primeira cura registrada;

·         Quem primeiro evangelizou os pagãos;

·         Conduziu o primeiro concílio da Igreja, em Jerusalém.

Foi um grande evangelizador. No ano de 67 d.C se entregou a Nero em troca da liberdade de todos os católicos que estavam presos. No dia 29 de Junho, foi crucificado de cabeça para baixo.

O papel dos papas, desde começo, tem sido o de conservar, proteger ou preservar o depósito da Fé. Em seu juramento, o papa promete “não diminuir ou mudar nada da tradição recebida, conservada por seus predecessores, tampouco admitir qualquer novidade, mas com fervor, resguardar o que foi transmitido.” A Igreja ensina que a Revelação Divina, o conjunto de conhecimentos em que é necessário acreditar para que alguém seja salvo (doutrinas como a Trindade, Encarnação, Transubstanciação e assim por diante), encerrou-se com a morte de São João, o Evangelista, cerca de 104 d.C. Esses ensinamentos são tidos como reais e verdadeiros em que podem ser comprovados. Quando disputas doutrinárias vêm à tona, o papa tem de determinar o que a Igreja ensinou sobre a questão. Como guardiões das doutrinas, são incapazes de alterar a posição da Igreja quanto a temas como aborto, contracepção, divórcio ou ordenação de mulheres.

Como o rebanho do papa reside no mundo e a influência externa mais forte num indivíduo é o governo, desde a época de Constantino os papas lidam com a política. Isso exige responsabilidade. Como terras significam poder, as propriedades e a soberania temporal eram consideradas essenciais se o papado desejava buscar um caminho independente na sua relação com os grandes do mundo. Mesmo que essas realidades os desviassem e ofuscassem de sua real missão, eles conseguiam exercer suas funções espirituais.

A Igreja Católica afirma que ela e seus papas devem dar continuidade à obra de Cristo, que ela é o Corpo Místico de Cristo. E é somente por meio desse corpo que encontramos o caminho para a Salvação. Para os católicos, a Igreja é a luz que resplandece nas trevas. Mesmo que ela passe por algumas crises, em sua cerne, há algo que ela considera um mistério: a transformação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo.


Fontes:

COULOMBE, Charles. História dos Papas. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2022.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

ALEGRIA E TRISTEZA DAS BANDAS DE ROCK: STONE TEMPLE PILOT


 

Algumas músicas se tornam trilha sonora da nossa vida, mesmo que o real significado das letras não tenham nada a ver. Quando várias músicas de uma mesma banda “falam conosco”, logo a banda se torna parte da gente. Quando um dos membros morre ou quando a banda acaba a sensação é como se parte da nossa vida também se fosse.


Stone Temple Pilot por exemplo. Ela é aquela banda que traz um misto de alegria e tristeza ao mesmo tempo. Alegria porque era o vocal de Scott Weiland que se encaixava no som que a banda fazia. Ele não apenas mudava de aparência, sua voz mudava em algumas músicas. E por falar nas músicas, elas não eram um mero produto. As letras não eram só palavras rimadas ou jogadas. Elas foram sentidas e vividas pelos compositores (principalmente por Scott). Existia algo de verdadeiro ali. Os temas são variados: Tensões emocionais, palavras mal escolhidas nos relacionamentos, observação social, desconforto existencial, busca por alívio, busca por redenção, transição da vida, vício em drogas, apegos, solidão, traições, expectativas não realizadas, traumas de abusos, decepções amorosas.


Tristeza porque nada é para sempre. Scott se foi em 2015. Vendo sua vida, se reafirma que a fama e sucesso não é para qualquer um. As drogas como sempre só anestesiavam a dor, mas nunca resolviam os problemas.

Seja para transmitir alegria ou tristeza, trazer boas ou más lembranças as músicas estão aí e algumas delas permanecem para sempre em nossa memória.

Playlist Obrigatória: And So I Know / Big Empty / Crackerman (Live) (MTV Unplugged) / Creep / Dead & Bloated / Glide / I Got You / Interstate Love Song / Kitchenware & Candybars / Lady Picture Show / Plush / Sour Girl / Unglued / Still Remains / Vasoline / Wicked Garden (Live) (MTV Unplugged) / Wonderful.


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

MEMÓRIA FINITA

 


O que falar da autora, professora e jornalista, Maria das Graças Targino? Numa palavra: diferente. Tive a oportunidade de ser seu aluno. E vi em sala de aula o resultado de talento, vocação, habilidade e amor pelo que se faz. Nenhuma aula era igual. Não basta “nascer para aquilo", saber fazer ou ter os recursos para se fazer. É preciso trabalho, dedicação e seriedade. A professora Graça despertou o gosto de ir para sala de aula.

Escrever não é para qualquer um. Requer gosto pela leitura (o óbvio), mas também de estratégias para querer ser lido. No caso dela, ausência de vaidade e coragem de se expor. Seus textos não são autobiográficos, mas aqui e acolá ela “solta alguma coisa" e dá para perceber alguns detalhes e fazer um resumo de sua vida. E também de levar algo para a nossa.

Neste seu livro mais recente, o gênero textual ainda é as crônicas, os fatos do cotidiano. (A escolha por ele talvez se justifique pela sua formação em jornalismo). É no cotidiano que a vida acontece. É no cotidiano que os pensamentos e os sentimentos mudam, o aprendizado chega e a gente muda.

Na obra, o fator tempo ainda reina. Ele pode acabar a qualquer momento (como sempre foi). O que temos são as memórias. Há coisas para se lamentar: as coisas que deram errado/não aconteceram; as perdas, os fracassos; o abandono, a maldade humana que não cessa, a solidão… Mas na memória há coisas boas: o trabalho bem realizado, as pessoas que conhecemos, a Fé, o estar vivo. 

As experiências da vida fizeram Graça Targino ser uma desbravadora. Tanto de lugares geográficos, como no coração das pessoas. Conhecer para melhorar como ser humano. Aqui na Terra, no lugar dos seres imperfeitos, o que vale é aprender com os erros(entende-se aí procurar evitar a cometê-los); buscar razões de viver que ultrapassem o afetivo, financeiro e material; gostar de algo; ter algum apreço pelo ser humano(e também pelos animais); estar atento ao Mundo e ser sensato e lúcido. Tudo isso é expresso em seus textos.

A memória é finita. Realmente tudo pode cair no esquecimento. Nesse mistério que é a vida resta-nos vivê-la, tentando fazer algo, construir algo, para nós, para o mundo.

TARGINO, Maria das Graças. Memória Finita. Teresina-PI: Nova Aliança, 2025. 370p.

sábado, 13 de dezembro de 2025

SANTA LUZIA E NOSSO OLHAR


 

Por meio de um quadro pode-se representar a vida de um Santo. Podemos não saber em detalhes sua história, mas as vestimentas, as cores, aquilo que carregam nos dão um ideia. Além disso, todas as informações contidas no quadro nos levam a oração.

No dia 13 de dezembro, o catolicismo faz memória de Santa Luzia. Quem foi ela? Há poucas informações sobre sua vida. A certeza que ela realmente viveu está numa inscrição em grego antigo sobre uma lápide encontrada em 1894 na cidade onde nasceu. 

Luzia nasceu provavelmente em 283 em Siracusa na Itália. Com cinco anos perde o pai, Lúcio. Sua mãe, Eutíquia sofria de graves hemorragias internas. Luzia parte com ela a Catania para pedir a cura pela intercessão de Santa Ágata tocando em seu túmulo (Luzia se inspirou na mulher com fluxo de sangue em Mc 5, 25-34). Após a cura da mãe, Luzia toma a firme decisão de consagrar sua virgindade a Deus de forma perpétua e que, portanto não se casaria. Acontece que ela já estava prometida a um pagão. Quando este soube do tal compromisso, denunciou-a ao prefeito de Siracusa na época, Pascásio, pois ela estava desobedecendo ao edito de Diocleciano (Ser cristão era proibido. Para se livrar da tortura ou da morte, a pessoa era obrigada a renunciar a Fé Cristã e adorar os deuses do Império Romano). Luzia se recusa e é decapitada em 13/12/304.

No quadro, as cores da vestimenta de Luzia é o vermelho, verde, um véu branco e um detalhe dourada que significa respectivamente, sangue, esperança, pureza e vitória sobre o pecado. O que chama mais atenção é a bandeja com os dois olhos. Como foram parar lá? Ela mesma tirou ou arrancaram e Deus devolveu seus olhos de volta? Não se sabe. Mas é sobre a questão do olhar que faz com que Santa Luzia seja venerada até hoje.

Os olhos buscam aquilo que o coração almeja e “fala” o que queremos...

Os olhos são o espelho da alma. Revela aquilo que está no interior. Quando mais olho, mais quero. O olhar de uma pessoa triste é diferente de quem está com raiva. Sabemos quando alguém é tímido ou mal intencionado pelo seu olhar. Há olhares que constrangem, oprimem e causam medo.

Estamos perdendo a pureza no olhar...

De todos os sentidos, a visão é a mais utilizada, pois é a partir dela que recebemos a maioria das informações do mundo. Aquilo que é mais marcante e diferente fica armazenado no cérebro. Se olho repetidamente uma mesma coisa, cedo ou tarde, consciente ou inconsciente, vou querer repetir aquilo que vi. Se tenho o hábito (péssimo) de ver pornografia, vou passar a olhar apenas o corpo das mulheres. Dificilmente olharei em seus olhos e mais ainda vou querer algum compromisso sério com elas. Só vou pensar em sexo e achar que o mais importante num relacionamento amoroso é só isso. Vou buscar sexo, pago ou forçado, porque meu cérebro está mandando. É ele que está no comando.

Estamos com o olhar perdido...

Não nos concentramos em nada. Passamos o tempo olhando telas. Se distraindo, perdendo o sono. Preferimos passar os olhos. Queremos algo rápido, bem rápido, rapidíssimo. A leitura traz preguiça e se o vídeo é muito longo, ele é chato. Isso traz alguns problemas, como a impaciência, inquietação e ansiedade. Se procuro ler de tudo, ver de tudo, meu interior não para. Eu não paro, pois existe uma máquina (minha cabeça) que não quer frear e nem parar. Só quer acelerar.

O olhar atiça nossa curiosidade, nos engana e pode sujar nossa alma...

Vemos aquilo que não devemos olhar. Aquilo que é proibido. Em Mt 6, 22-23, fala que os olhos são a lâmpada do corpo. Se meus olhos forem bons, meu corpo será pleno da luz. Porém, se eles forem maus, todo meu corpo estará em absoluta escuridão.  Tirar conclusões com base apenas no olhar é um equívoco. Podemos mentir nas redes sociais. A essência de uma pessoa não está em sua aparência. Não podemos julgar pela aparência.

A devoção a Santa Luzia nos indica a necessidade de desenvolver a espiritualidade. Recorrer a Deus não somente na hora das doenças, mas ver, olhar, enxergar para que é superior, as coisas do espírito.

É preciso treinar nosso olhar. Purificá-lo pode nos ajudar, a saber, o que a pessoa está querendo ou sentido.

Aprendamos com Santa Luzia, a guardar e proteger nosso olhar do pecado. Santa Luzia, rogai por nós!

Fonte:

GASQUES, Pe. Jerônimo. Santa Luzia: o brilho de uma luz, a protetora dos olhos. São Paulo: Paulus, 2018. 110p. 

domingo, 16 de novembro de 2025

TROPA DE ELITE UM E DOIS




 


Quem assistiu aos dois Tropa de Elite (2007 e 2010) provavelmente ficou impactado pelo que viu e pelo punhado de reflexões que surgiram: Seria a classe média alta que financiaria o tráfico de drogas? A baixa remuneração e o despreparo contribuiriam para a existência de uma polícia corrupta? Seria o “sistema” o grande causador da corrupção na política e o ponto de força das milícias? Difícil de responder.

É consenso que sim, uma polícia bem preparada e remunerada e a existência de políticos honestos favoreceriam ao menos em diminuir a violência urbana. Mas não é o que acontece e a razão está em duas palavras: dinheiro e poder. O crime “compensa” para alguns porque é um ganho rápido de muito dinheiro. Estar no poder é bom porque sempre haverá muitas pessoas sob suas ordens e que dependem de você. Diante disso, não adianta lotar a sociedade de policiais se o problema (ou os problemas) é de ordem moral. 

Os dois filmes levantam outros debates gerando pontos de vistas distintos. O policial, o cidadão comum, o político ou o idealista interpreta a história a partir de como ele vê o mundo. Mas não importa qual é a visão que mais prevalece ou a verdadeira e sim que os dois filmes de Padilha falam da nossa realidade. Uma realidade não tão distante de nós. Uma realidade que afeta à todos.

Roberto Nascimento não é um herói, mas personifica bem o indivíduo que quer devolver a sociedade o que aprendeu. E não é sendo corrupto e criminoso, mas o oposto disso. E pagou o preço por isso. Perdeu a esposa, o amor do filho, o amigo, a carreira. Foi enganado. Tudo aquilo pelo que lutava de uma hora para outra mudou. Não tinha como não levar as coisas para o lado pessoal.

Os dois filmes foram bem feitos. O primeiro contou com a preparação de parte do elenco por Fátima Toledo. Os atores ensaiavam a partir de técnicas de interpretação a transmitir emoções verdadeiras. E isso deu certo. Wagner Moura literalmente foi transformado no Capitão Nascimento. O segundo traz mais personagens muito bem interpretados, um bom clímax e um tom negativo no final. Tropa de Elite 1 e 2 entram para a lista dos melhores filmes brasileiros já feitos.

Tropa de Elite. De: José Padilha. Com: Wagner Moura, José Ramiro, Caio Junqueira. BRA, 2007, 1h58min.

Tropa de Elite 2: o inimigo agora é outro. De: José Padilha. Com: Wagner Moura, Irandhir Santos, Sandro Rocha. BRA, 2010, 1h55min.

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