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sábado, 13 de dezembro de 2025

SANTA LUZIA E NOSSO OLHAR


 

Por meio de um quadro pode-se representar a vida de um Santo. Podemos não saber em detalhes sua história, mas as vestimentas, as cores, aquilo que carregam nos dão um ideia. Além disso, todas as informações contidas no quadro nos levam a oração.

No dia 13 de dezembro, o catolicismo faz memória de Santa Luzia. Quem foi ela? Há poucas informações sobre sua vida. A certeza que ela realmente viveu está numa inscrição em grego antigo sobre uma lápide encontrada em 1894 na cidade onde nasceu. 

Luzia nasceu provavelmente em 283 em Siracusa na Itália. Com cinco anos perde o pai, Lúcio. Sua mãe, Eutíquia sofria de graves hemorragias internas. Luzia parte com ela a Catania para pedir a cura pela intercessão de Santa Ágata tocando em seu túmulo (Luzia se inspirou na mulher com fluxo de sangue em Mc 5, 25-34). Após a cura da mãe, Luzia toma a firme decisão de consagrar sua virgindade a Deus de forma perpétua e que, portanto não se casaria. Acontece que ela já estava prometida a um pagão. Quando este soube do tal compromisso, denunciou-a ao prefeito de Siracusa na época, Pascásio, pois ela estava desobedecendo ao edito de Diocleciano (Ser cristão era proibido. Para se livrar da tortura ou da morte, a pessoa era obrigada a renunciar a Fé Cristã e adorar os deuses do Império Romano). Luzia se recusa e é decapitada em 13/12/304.

No quadro, as cores da vestimenta de Luzia é o vermelho, verde, um véu branco e um detalhe dourada que significa respectivamente, sangue, esperança, pureza e vitória sobre o pecado. O que chama mais atenção é a bandeja com os dois olhos. Como foram parar lá? Ela mesma tirou ou arrancaram e Deus devolveu seus olhos de volta? Não se sabe. Mas é sobre a questão do olhar que faz com que Santa Luzia seja venerada até hoje.

Os olhos buscam aquilo que o coração almeja e “fala” o que queremos...

Os olhos são o espelho da alma. Revela aquilo que está no interior. Quando mais olho, mais quero. O olhar de uma pessoa triste é diferente de quem está com raiva. Sabemos quando alguém é tímido ou mal intencionado pelo seu olhar. Há olhares que constrangem, oprimem e causam medo.

Estamos perdendo a pureza no olhar...

De todos os sentidos, a visão é a mais utilizada, pois é a partir dela que recebemos a maioria das informações do mundo. Aquilo que é mais marcante e diferente fica armazenado no cérebro. Se olho repetidamente uma mesma coisa, cedo ou tarde, consciente ou inconsciente, vou querer repetir aquilo que vi. Se tenho o hábito (péssimo) de ver pornografia, vou passar a olhar apenas o corpo das mulheres. Dificilmente olharei em seus olhos e mais ainda vou querer algum compromisso sério com elas. Só vou pensar em sexo e achar que o mais importante num relacionamento amoroso é só isso. Vou buscar sexo, pago ou forçado, porque meu cérebro está mandando. É ele que está no comando.

Estamos com o olhar perdido...

Não nos concentramos em nada. Passamos o tempo olhando telas. Se distraindo, perdendo o sono. Preferimos passar os olhos. Queremos algo rápido, bem rápido, rapidíssimo. A leitura traz preguiça e se o vídeo é muito longo, ele é chato. Isso traz alguns problemas, como a impaciência, inquietação e ansiedade. Se procuro ler de tudo, ver de tudo, meu interior não para. Eu não paro, pois existe uma máquina (minha cabeça) que não quer frear e nem parar. Só quer acelerar.

O olhar atiça nossa curiosidade, nos engana e pode sujar nossa alma...

Vemos aquilo que não devemos olhar. Aquilo que é proibido. Em Mt 6, 22-23, fala que os olhos são a lâmpada do corpo. Se meus olhos forem bons, meu corpo será pleno da luz. Porém, se eles forem maus, todo meu corpo estará em absoluta escuridão.  Tirar conclusões com base apenas no olhar é um equívoco. Podemos mentir nas redes sociais. A essência de uma pessoa não está em sua aparência. Não podemos julgar pela aparência.

A devoção a Santa Luzia nos indica a necessidade de desenvolver a espiritualidade. Recorrer a Deus não somente na hora das doenças, mas ver, olhar, enxergar para que é superior, as coisas do espírito.

É preciso treinar nosso olhar. Purificá-lo pode nos ajudar, a saber, o que a pessoa está querendo ou sentido.

Aprendamos com Santa Luzia, a guardar e proteger nosso olhar do pecado. Santa Luzia, rogai por nós!

Fonte:

GASQUES, Pe. Jerônimo. Santa Luzia: o brilho de uma luz, a protetora dos olhos. São Paulo: Paulus, 2018. 110p. 

domingo, 9 de fevereiro de 2025

UMA VIDA DE LIBERDADE A PARTIR DE DEUS


 

Fazer o que se deseja não é suficiente para ser livre e nem sequer feliz. Todos querem viver uma vida plena e essa plenitude começa a ser vivida quando cada um percebe a existência de um limite. Existe o certo e o errado, aquilo que liberta e o que aprisiona. Existe o bem e o mal.

Há um forte convite a se viver a vida como se Deus não existisse e a compreender que tudo gira em torno do próprio querer. Quem faz isso não escapa do sofrimento. Aliás, faz é aumentá-lo, pois acaba escolhendo aquilo que é errado. No final, a alma e o coração ficam aprisionados pelo mal devido a péssima relação com Deus, as pessoas e as coisas.  

A possibilidade de se enganar é muito grande. O sucesso, o poder e o dinheiro, por exemplo, podem dar segurança e possibilidade de se fazer muita coisa na vida. Mas o preço que eles pedem é muito alto. Exigem sacrifícios; são passageiros; prometem uma felicidade que nunca chega, e faz a pessoa renegar as coisas mais queridas.

“o dinheiro rouba a vida e o prazer leva a solidão”.

Vive-se num mundo onde se aprende muita coisa errada. Agir da maneira errada, falar a palavra errada, pensar somente em si, buscar apenas o bem estar, a própria satisfação, desprezar e desrespeitar os próprios pais, tomar o corpo humano como mero instrumento de prazer. Esses são o caminho para se tornar uma pessoa egoísta e controladora.

*****

A partir de Deus a relação com os outros, as coisas e as pessoas mudam radicalmente. Os Mandamentos que Ele deu são meios de libertação do mal. Para se chegar a Ele é necessário reconhecer a própria fraqueza. É um engano achar que se pode corrigir e purificar o coração contando apenas com o esforço da própria vontade. Deus é verdadeiramente forte e o único capaz de renovar o coração do ser humano.

Isso acontece na prática quando se recebe os dons do Espírito Santo. A percepção da vida muda: A verdadeira paz não consiste em mudar a própria história, mas em aceitá-la e valorizá-la tal como é. Toda riqueza deve ter uma dimensão social que deve levar a uma generosidade em que todos se beneficiam, pois o que realmente possuo é aquilo que sei doar. A vida não é tempo apenas para possuir ou se divertir e sim contemplar e louvar Aquele que nos deu a vida e criou todas as coisas.

“Só em Deus repousa minha alma”.

A verdade está no modo de viver e morrer de Jesus, por isso imitá-lo permite uma mudança no modo de existir e viver. A nova vida não é um esforço pessoal para ser consistente para seguir uma norma, mas é o Espírito Santo que coloca no coração o desejo de se fazer o bem.

Fonte:

Catequeses do Papa Francisco sobre os Dez Mandamentos: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-11/papa-francisco-catequeses-decalogo.html

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

VIGIAR O CORAÇÃO

A vida é uma sucessão de provações, tentações e desafios. No meio disso tudo está o nosso coração. Precisamos vigiá-lo, pois é nele que o mal é concebido.

O coração fica refém dos prazeres vazios e egoístas, da ânsia de sempre querer possuir mais e mais e do apego exagerado ao dinheiro. Fica endurecido, cheio de pessimismos e rancores. Quer o mal do outro e ao mesmo tempo quer ser como ele. É abatido por um tipo de tristeza que faz sumir o sabor das coisas que antes davam alegria. Essa tristeza tira o interesse pela vida e faz aumentar o desejo de querer estar “fora” dela, não se importando com ninguém.

É necessário estar alerta, pois não somos fortes. A inteligência nem sempre é lúcida, a vontade nem sempre é firme, os desejos nem sempre são governados, a coragem nem sempre vence o medo. E por mais que eu seja inteligente, justo, forte e equilibrado, um dia vou cair. 

É necessário lutar não apenas com “os meios humanos”. No cristianismo aprendemos que diante de cada pensamento e desejo que chegam ao coração e a mente, deve-se questionar: De onde veio? De Deus ou do Adversário? Nunca se dialoga com o tentador. Ele é mais esperto que nós. Devemos fugir dele!

O Espírito Santo concedido no Batismo nos dá as Virtudes Teologais. A que nos coloca no caminho de encontro ao desconhecido e invisível permitindo  um vínculo com Deus através de uma força que abre a mente para seus mistérios. A Esperança de se acreditar na Ressurreição de Jesus Cristo, mesmo sabendo que tudo vai acabar, mesmo sabendo que as coisas podem dar errado. E por uma Caridade que nos permite amar a Deus e aos outros, nos movendo a amar o que ninguém amaria. 

Jesus está ao nosso lado para nos ajudar, para nos proteger, até para nos levantar depois do pecado. É ele que nos dar a capacidade de enxergar no escuro, de amar quando não se é amado e de ter esperança quando não há motivos.

Se abrirmos o coração ao Espírito Santo, Ele reavive em nós as Virtudes Teologais. Se perdemos a confiança, se estamos desanimados, se estamos desencorajados, se nosso coração está duro, Deus reabre-nos a Fé, desperta a Esperança e suaviza nosso coração com a Caridade.

A base dessas virtudes está na humildade. Reconhecer-se pequeno e necessitado. É preciso pedir sabedoria a Deus para que Ele proteja nosso coração e nos conceda a coragem de permanecer e acolher sua presença no “aqui e agora” não importando a situação.

Fonte:

Ciclo de Catequeses do Papa Francisco sobre “Os Vícios e as Virtudes”: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2024-05/papa-francisco-ciclo-catequeses-vicios-virtudes.html


terça-feira, 10 de setembro de 2024

NÃO TE DEIXES VENCER PELO MAL


Acreditar em realidades invisíveis, não palpáveis e em que não se pode provar é um desafio pra nossa inteligência (que sempre quer entender tudo).

Na busca por respostas às perguntas difíceis (como a atuação do mal no mundo) encontramos uma explicação a partir da Fé Cristã. É através dela que descobrimos que o verdadeiro responsável pelos males que afligem a humanidade é um espírito, Satanás.

Nas Sagradas Escrituras, ele descrito como o adversário de Jesus. Não possui corpo, mas é dotado de inteligência e vontade. Seu objetivo? Levar a humanidade à perdição. Sua principal arma é a mentira. Uma mentira que confunde. Que faz o ser humano ficar preso e escravo às seus desejos; a fazer o errado achando que é o certo; a praticar o mal contra o próximo.

Satanás age em nosso ponto fraco e injeta em nosso coração:

Ø O desejo de ganhar dinheiro, de se tornar grande e poderoso não para ajudar as pessoas, mas para dominá-las;

Ø A busca por prazeres proibidos;

Ø Desânimo. No desânimo achamos que o pecado é o melhor remédio contra a tristeza.

Ø Medo do futuro. Fazendo com que recorramos a magia e feitiçaria.

Ø Angústia.

Ø Desconfiança da Misericórdia e amor de Deus.

Não é tão fácil saber aquilo que vem ou não do maligno. Existe o lado humano: os desejos profundos, a imaginação, o inconsciente, as doenças psiquiátricas. Agora, aquilo que é espiritual só pode ser tratado através de realidades espirituais. Se existe um espírito do mal é porque existe um espírito do bem.

Jesus Cristo deixou o Espírito Santo e também sua Igreja para lutarmos. Lutarmos para não cairmos nas armadilhas do demônio e termos força para recusar suas propostas.

                                   “Vigiai e orai para não cair em tentação”

A Oração e os Sacramentos nos ajudam a:

Ø  Guardarmos os sentidos;

Ø  Não olhar e escutar de tudo;

Ø  Estarmos atentos a nós mesmos e ao que nos rodeia; 

ØTermos força interior para ficarmos longe e evitar as tentações. 

Num mundo onde o mal e o errado é mais atrativo, é preciso de muita coragem em decidir seguir o caminho certo, ir além dos próprios desejos e vontades.

Convertei-vos e credes no evangelho disse Jesus. E o que é convertei-vos?

“Quer dizer: pare de prestar atenção só ao que é terreno, aos bens materiais, à carreira, às roupas, à comida, às coisas da terra, como se vivêssemos só aqui, e depois acabou. É preciso olhar para o alto, para o fim da vida e nos perguntar: para onde iremos quando morrermos?” (AMORTH, 2018, p. 26).

 AMORTH, Padre Gabriele. NÃO TE DEIXES VENCER PELO MAL: as últimas palavras de um grande exorcista. Tradução de José Eduardo Câmara. Campinas-SP, Ecclesiae: 2018, 148p.


quinta-feira, 11 de abril de 2024

AUTOCONTROLE E LIBERDADE

 


“Se quer permanecer são de corpo e de espírito, é necessário tomar a sólida resolução de dominar-se a si mesmo e permanecer fiel a este propósito durante toda a vida.” E. de Feuchtersleben.

“O conhecimento de si mesmo abre uma trilha para descobrir hábitos, tendências, perturbações, emoções, qualidades interiores. Não precisa de olhos, mas de silêncio e reflexão.” A. De Simone

O que é uma pessoa livre? É aquela que escolhe conscientemente a vida que quer levar e o uso que fará dela? É comportar-se com base nas referências e nos valores-base que carrega (trabalho, o bem comum e a família)? É escolher também o ambiente onde se crescerá ( como amigos, companheiro(a)s, religião, profissão, leituras)?

E uma pessoa controlada? É aquela que se observa? Que não ignora suas emoções? Que consegue ter uma vida organizada? É aquela que tem um comportamento adequado diante de certas situações?

Olhando o mundo na realidade, ser livre e controlado não está tão fácil.

A liberdade é confundida em ser uma pessoa “solta” de toda e qualquer norma e disciplina. Isso não acontece, pois na prática fica-se submisso a desejos e incapaz de resolver conflitos internos. O que essa “liberdade” faz na verdade é transformar o ser humano numa pessoa que busca soluções que não se encontram na realidade e que atribue aos outros responsabilidades que são suas. No final a pessoa se encontra desesperada, angustiada, insegura, cercada de dúvidas que a levam ao pessimismo. Controlar-se também não é fácil. Há as fraquezas, as limitações, os tropeços.

A pessoa precisa estar amparada por algo que seja eterno e seguro. Além disso, ter a coragem de dar uma resposta adequada e profunda aos tantos porquês da vida e às suas muitas mensagens.

“A fé em Deus é de grande ajuda para quem tenta dar, uma vez mais, coerência e esperança à própria vida.”

O evangelho de Cristo confirma e aperfeiçoa o comportamento humano. Aliás, Jesus é o modelo de ser humano por excelência.

CANOVA, Francesco. Autocontrole e liberdade. 4 ª edição. Tradução Haroldo Reiner. São Paulo: Paulinas, 2002. 80p. (Coleção Psicologia e Personalidade).

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

AGONIA DO EROS


O ser humano vive constantemente comparando tudo com todos. Não consegue mais estabelecer claramente os próprios limites. Sobrecarrega-se querendo controlar tudo de maneira exagerada e doentia. Acha que é livre por não está submisso às ordens de alguém. Trata o próprio corpo como mercadoria. Busca no outro a confirmação de si mesmo ou o enxerga apenas como objeto de excitação. Não quer mais se relacionar. Evita o sofrimento a todo custo. Cuida de forma exagerada a própria saúde. 

Essa é a constatação que o filósofo, professor e escritor coreano Byung-Chul Han apresenta no livro Agonia de Eros.

O amor vem perdendo espaço num mundo onde a pessoa tem à sua disposição uma infinidade de opções e escolhas. Byung afirma que na verdade isso não faz do ser humano uma pessoa realmente feliz e muito menos livre . Pois agora ela explora a si mesma e por decisão pessoal. Vive por viver, permanece igual a todo mundo, não tem rumo, não descansa, não tem paz.

Apesar dessa exposição séria e preocupante, o autor é esperançoso. “A vida com seus mistérios pode surpreender e ensinar que uma desgraça desastrosa pode converter-se inesperadamente em graça e salvação.” 

A relação com o divino faz a pessoa perceber a verdadeira “essência do amor”. Esquecendo um pouco de si mesmo, a pessoa passa a renunciar algo e a olhar o negativo “diretamente nos olhos”, além de descobrir formas de enfrentá-lo.

“O amor vence a depressão. Arranca o sujeito de si mesmo e direciona-o para o outro. É um relacionar-se com outra pessoa conhecendo sua individualidade e seu mistério.”

HAN, Byung-Chul. Agonia do Eros. Tradução de Enio Paulo Giachini. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017. 96p.


quarta-feira, 1 de novembro de 2023

SUPERANDO A PARTIDA DE PESSOAS QUERIDAS

 

Perder alguém nunca é fácil. Ainda mais se tivermos uma ligação afetiva forte com ela. Apesar de ser dolorida, a morte nos traz a certeza de que não viveremos para sempre. As pessoas que amamos não vão estar sempre conosco. Isso traz sentimentos de tristeza, solidão e vazio fazendo surgir incertezas a respeito do que poderá acontecer depois. “Como as coisas serão sem você?” (Alguns têm medo do julgamento de Deus por aquilo que fizeram ou não durante a vida).

Na verdade, a morte é a oportunidade de darmos um novo significado a nossa vida. De reorganizá-la e reajustá-la. E entender também que:

§  A Fé se mostra importante na hora de superarmos a partida da pessoa querida. E não só isso. Nos ajuda a seguir em frente;

§  O luto é uma fase. Ele precisa ser vivido, mas tendo consciência que não durará pra sempre. O luto dura em média 2 anos, onde neste período a realidade da perda se torna concreta e extremamente dolorosa, além da alternância entre dias bons e maus serem comuns;

§  Falar dos sentimentos: raiva, culpa, tristeza, desânimo. Expressar dor e emoções é libertador;

§  Aceitar a realidade da perda. A dor não durará para sempre;

§  Cultivar espiritualidade. No caso, praticar alguma religião. A vida não é apenas as “coisas visíveis”;

§  Não usar o luto para se aproveitar das pessoas;

§  Não há necessidade de se comunicar com ente querido que esteja no além. (No cristianismo basta confiarmos na Revelação Divina que consta nos Evangelhos);

§  Concluir o luto. Ele termina quando ao pensar no falecido não se sente mais dor e sim vontade de levantar a cabeça e continuar vivendo.

§  Não precisa ser religioso para perceber que não estamos nesta terra somente para produzir e consumir. Nenhum dinheiro do mundo nos protegerá de morrer quando chegar a hora. A vida é feita de escolhas cujas consequências são imediatas ou futuras.

 

MORAIS, Cristiano Batista de. Falar da morte para viver alegre e esperançoso. Halley: Piauí, 2019. 268p.

domingo, 1 de outubro de 2023

O SENTIDO CRISTÃO DO SOFRIMENTO HUMANO


 

Há sofrimentos sem sentido aos quais não temos culpa. Esses são difíceis de entender. Esta dor, na alma ou no corpo, que é resultado da não participação de um bem desejado também pode atingir muitas pessoas. Fome, guerras, violências, doenças (só pra citar alguns exemplos).

Por que estou sofrendo?

          É necessário tempo, muito tempo para que esta resposta seja percebida interiormente. Mas a verdade é que quando as explicações humanas são insuficientes e inadequadas, a gente busca Deus.

É na pessoa de Jesus Cristo que entendemos o sentido do sofrimento. Ele não explica as razões do sofrimento ou o porquê que estamos sofrendo. Ele diz: “Segue-me! Seja meu discípulo. Escute o que eu tenho a dizer. Veja o que tenho a fazer. Tenha Fé em Mim.”

Cristo também experimentou o sofrimento: cansaço, sem um lugar para morar, incompreensão, hostilidade, rejeição, humilhação, perseguição. Mas também nos ensinou sobre ele.

O pecado gera sofrimento. Cristo com sua Cruz e Ressurreição destruiu o mal atingindo-o na raiz: o pecado e a morte. Isso nos permitiu enxergar o sofrimento com um novo olhar: a do Evangelho.

Jesus nos dar a vida eterna. Com esta certeza entendemos que o sofrimento serve para nos reconstruir. Serve para desenvolvermos as virtudes. A perseverança em suportar tudo aquilo que incomoda e faz doer e de participar do sofrimento do próximo.

Agora não precisamos mais ir a lugares ou a inventar formas de aliviar ou acabar com o sofrimento (que na maioria das vezes faz é piorar!). 

“Cristo nos ensinou a fazer o bem com o sofrimento e a fazer o bem a quem sofre.” p. 67.

Nossos sofrimentos unidos à sua Cruz torna-se poder de Deus.

João Paulo II, Papa. Carta Apostólica “Salvifici Doloris” O sentido cristão do sofrimento humano. 11ª ed. São Paulo: Paulinas, 2009. 70p.

terça-feira, 1 de agosto de 2023

VIRTUDES HUMANAS: O QUE SÃO E PARA QUÊ SERVEM?

O coração está centrado naquilo que se julga necessário para a felicidade. Às vezes se engana. Mira apenas naquilo que é prazeroso. Cega a pessoa e vai transformando-a dentre muitos “tipos”. Como:

·         Aquela que é preguiçosa e que não gosta de esforço;

·         Quer liberdade para fazer o que quer;

·         Ofende-se por qualquer coisinha;

·         Julga que se estar sempre com a razão desprezando a opinião dos outros;

·         Queixa-se em não ser compreendido ao mesmo tempo em que julga com dureza os demais;

·         Preocupa-se de forma excessiva com a própria imagem;

·         Não perdoa e guarda ressentimento por longo tempo;

·         Enxerga apenas o lado negativo do próximo;

·         Fala demais e escuta de menos.


As virtudes ajudam a acabar com esses “tipos”.

Uma pessoa prudente pensa antes de agir. Faz bom uso do tempo e enxerga aquilo que é bom e prioritário. É justa sendo verdadeira em palavras e ações, tendo consciência de suas intenções. É forte quando consegue enfrentar e resistir as dificuldades e sabe ser paciente (a arte de sofrer e esperar!). Consegue também manter o equilíbrio entre o espiritual e o corporal fazendo razão e vontade estarem acima dos desejos e instintos.

Aí está exemplificado as quatro divisões das virtudes humanas. Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança.


A palavra virtude vem do grego virtus que significa força. Ela define a maneira de pensar, sentir e agir da pessoa, além de ajudá-la a desenvolver a capacidade de ordenar e governar sua conduta.

As virtudes servem para se alcançar um bem, vencer o mal e alcançar uma autêntica realização humana.

Para tê-las é preciso querer. Pois elas são adquiridas, conservadas e cultivadas com esforços cotidianos. Que vão desde falar a verdade como aceitar pequenas dores e sofrimentos sem reclamar (só pra citar alguns exemplos).


E sobretudo ser humilde, o fundamento de toda virtude. Quem é humilde:

·         Não é apegado às coisas que passam;

·         Não se coloca acima dos outros;

·         Não é vaidoso em extremo;

·         Reconhece seus erros e limitações;

·         Não é invejoso nem rancoroso,

·         Aceita aquilo que não pode mais mudar;

·         Perdoa, ama, quer o bem do próximo e sempre busca melhorar em tudo que faz.

 

“Pessoas de referência são aquelas capazes de grandes sacrifícios, de renúncias, de sofrimentos por uma causa. Esta causa consistia sempre num Bem, nunca num prazer puro e simples.”

                                                       Francisco Faus         

Fonte:

FAUS, Francisco. A conquista das virtudes. São Paulo: Cultor de livros, 2014. 208 p.

sábado, 1 de julho de 2023

O AMOR MAIOR: A HISTÓRIA DE SANTA GIANNA

 


A qualquer momento.  A qualquer dia. E a qualquer hora, uma situação vai exigir de nós uma grande decisão. Esta decisão será resultado de pequenas decisões que tomamos ao longo da vida. Este momento, este dia e esta hora chegou uma vez para a italiana Gianna Beretta Molla. Durante a gravidez de seu quarto filho descobriu um fibroma uterino (um tipo de tumor maligno). Havia três escolhas a fazer:

·         Remoção do tumor e do útero (que salvaria sua vida);

·         Interrupção da gravidez e remoção do tumor (para ter outros filhos);

·         Remoção do tumor sem interromper a gravidez (a mais arriscada, pois comprometeria sua vida).

Ela escolheu esta última e no dia 20/04/1962, uma Sexta-Feira Santa, a criança nasceu e recebeu seu nome: Gianna Emanuela. Uma semana depois Gianna Beretta Molla entra em coma falecendo no dia seguinte, 28/04/1962 às 08h da manhã.  Ela tinha 39 anos.

A vida de Gianna

Todos os pequenos momentos que ela viveu no cotidiano foram pouco a pouco lhe preparando a tomar aquela grande decisão: decidir livremente sacrificar sua vida para salvar a da criança que levava no ventre.

Não existiu nada de extraordinário na vida de Gianna. Teve pais; irmãos(sete); formou-se (em medicina com especialização em pediatria); casou-se (com Pietro Molla em 1955); teve filhos (quatro).

O que marcou mesmo sua vida foi a Fé em Jesus Cristo. Após a participação em um curso de Exercícios Espirituais, aos 15 anos, definiu este propósito:

“Jesus, prometo-me submeter-me a tudo o que permitires que me aconteça. Só te peço que me faças conhecer Tua Vontade.”

 

Desde pequena fazia da melhor forma possível àquilo que competia fazer. Sem nunca recuar. Participou da Ação Católica (movimento que no início do século XX organizava e ampliava a participação dos leigos católicos no apostolado da Igreja). Em todas as circunstâncias se dirigia confiantemente ao Senhor. Antes da cirurgia ela tinha esperança de que o Senhor haveria de ajudar e a deixaria com seus filhos e marido.

Os milagres

Os dois milagres que foram atribuídos a sua intercessão ocorreram com duas brasileiras. A primeira foi a cura de uma fístula retovaginal contraída de uma operação de um corte cesariano com filho natimorto de Lúcia Silva Cirilo em 1977, Grajaú-MA (a dor que ela sentira desapareceu e a fístula cicatrizou). E o parto miraculoso de Elisabete Arcolino, ano 2000. Na gravidez de seu quarto filho descobriu-se um tipo de problema em qual seria necessário a interrupção da gravidez. Elisabete recusa a operação confiando na intercessão de Gianna. Após uma operação cesariana, sua filha nasce em 31/05 daquele ano sem grandes complicações.

Gianna Beretta Molla foi proclamada Santa em 16 de maio de 2004 pelo Papa João Paulo II.

Uma mensagem de sua filha caçula para todos nós

“O caminho da Cruz, como Nosso Senhor Jesus testemunhou e indicou, é humanamente o mais desconfortável e difícil; no entanto é o único caminho que nos permite dar um sentido pleno e completo às nossas vidas.”

Gianna Emanuela Molla.











Foto1:  Giana com Pietro

Foto2:   Gianna com Mariolina

Foto3:   Gianna com Pierluigi e Mariolina

Foto4:    Funeral de Gianna em 30 de abril de 1962

Foto5:    Laura, Gianna Emanuela e Pierluigi no dia da canonização da mãe.* 

*A irmã deles, Mariolina faleceu em 1964 de Glomerulonefrite.

 

PELUCCHI, Giuliana. O amor maior: a história de Santa Gianna. Tradução de Antônio Maia da Rocha. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2020. 296p.


Leitura complementar: Sobre o aborto e ter filhos

quinta-feira, 1 de junho de 2023

PROGRAMADOS PARA A INTIMIDADE: COMO A PORNOGRAFIA SEQUESTRA O CÉREBRO DOS HOMENS


 

O neurocientista e pesquisador William Struthers explica como a pornografia afeta o cérebro e o que podemos fazer a respeito. Aqui vou colocar apenas alguns pontos, pois a abordagem do livro é ampla.

O ambiente virtual tornou a pornografia ao alcance de muitos (basta ter um celular em mãos); mais acessível (tem vários vídeos que são gratuitos); e que permite ao anonimato (ninguém sabe que você assiste). As recentes produções representam de tal maneira a relação sexual que chegam a rivalizar com o ato real. Elas tendem a ser mais atrativas aos homens, pois seus cérebros funcionam diferente do das mulheres.

Devido a exposição repetida à pornografia, a imaginação masculina fica sexualizada. A fantasia mental que ela possibilita cria um cérebro que constantemente estimula a produção de testosterona e aumenta o desejo sexual. 

A pornografia altera o funcionamento do cérebro dos homens de tal forma que implica em alguns efeitos negativos:

1.    Incapacidade de ver as mulheres como se devia. Talvez ela seja a maneira mais fácil de objetificar, degradar, dominar e consumi-las;

2.     Diminuição de atitudes de amor em relação às pessoas;

3.    O tempo gasto nela impede que o usuário se envolva em relacionamentos reais, com pessoas reais (que possam atender melhor às suas necessidades), fazendo-o buscar apenas as sensações; 

4.    Insatisfação com o próprio corpo;

5.    Busca constante por materiais sexualmente explícitos;

6.    Aumento da vergonha e timidez;

7.    Desinibição;

8.    Perda da liberdade sobre o que se pensa e busca;

9.    Masturbação compulsória. (Homens que se masturbam com muita frequência podem ter diminuição das ereções, ejaculação precoce e dores testiculares).

Pornografia pode ser usada como forma de compensar aquilo que doe ou é difícil de se lhe dar(carência afetiva, timidez, estresse, rejeição, inadequação, desejos não-correspondidos, solidão). Só que ela não resolve o problema. Na verdade, só piora. Nosso cérebro não foi feito para receber altas doses de prazer. Ele ativa um mecanismo de tolerância. Aquilo que dava muito prazer no começo, agora já não dar mais. O usuário que assistia as cenas “leves” passa para as cenas mais pesadas e violentas para “recuperar” a excitação.

No final das contas, a pornografia gera um homem confuso moral e emocionalmente, tornando-o incapaz de encontrar satisfação na maneira como foi criado para encontrá-la.

 A verdadeira necessidade do homem (e de todos nós) é a intimidade, ou seja, conhecer e ser conhecido.  O cérebro é o órgão com o qual pensamos e determinamos o agir. À medida que passamos pela experiência (ou direcionamos nossas vontades com aquilo que é bom), nossos pensamentos, comportamentos e emoções são modificados.

Nossa cultura distorce a compreensão sobre sexo. Limita nossas capacidades e dão força para pornografia sequestrar nossa mente e direcioná-la para pensamentos e ações que nos afastam de nós mesmos(e de Deus). Sexo é algo íntimo e privado. O ato sexual existe para ser parte de um relacionamento. A intimidade sexual entre marido e mulher não deve ser um ato público.

A vida passa a ter significado e realização quando se desenvolve outras áreas (personalidade, espiritualidade, capacidades). Sem valores e noção de nossa importância ficaremos perdidos.

“A sexualidade humana permite explorar o mistério, a beleza, a diversidade e complexidade da vida humana e formar laços de intimidade mais profundos.” (STRUTHERS, 2022, p. 179).

 

STRUTHERS, William M. Programados para intimidade: como a pornografia sequestra o cérebro dos homens. Tradução de Alessandro Demoner Ramos e Gustavo Lopes. Fundão, ES: Edições Cristo e Livros, 2022. 222p.

Título original: Wired for intimacy: how pornography hijacks the male brain.

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