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terça-feira, 11 de agosto de 2026

COMO RECONHECER E COMBATER OS PRÓPRIOS MEDOS?

 A fobia é um distúrbio mental onde um medo aparentemente imotivado de um objeto ou de uma situação que, para ser evitada, a pessoa se submete a difíceis limitações de sua autonomia.

Como entender e combater isso?

Nossas emoções estão ligadas a nossos pensamentos e preocupações. Ou seja, somos nós com nosso modo de pensar e avaliar as coisas que causamos raiva, tristeza, alegria, ansiedade. Nosso comportamento depende dos julgamentos que fazemos das situações que temos de enfrentar e das consequências que prevemos. Se não consigo prever ou conhecer algo mais propenso fico a ter medo. Um fato novo, uma pequena mudança ou um evento desconhecido é capaz de me desestabilizar. O primeiro ponto, portanto é reconhecer as próprias emoções.

Um exercício útil, antes de enfrentar as situações é imaginá-las. É analisar os próprios pensamentos para depois procurar compreender as coisas como realmente elas são. “No que eu estava pensando?”, “O que fez pensar em tal coisa?”

Há pessoas que travam diante de uma situação nova e não sabem o que fazer. Isso pode causar sofrimento. Um indicador do próprio estado de saúde deve ser procurado não no maior ou menor bem-estar que se experimenta, mas na quantidade de coisas que se é obrigado a evitar para não passar mal.

É chegar a três respostas:

1 – O que causa o sofrimento?

2 – Como foi que aconteceu?

3 – Como resolver? Como dar um novo olhar e aprender uma nova maneira de avaliar os acontecimentos de modo que eles não mais sejam uma fonte de sofrimento? Como se comportar?

Falar é fácil... Nem todos conseguem transformar em palavras aquilo que está sentindo. Tudo aquilo que recebi de meus pais na infância e na adolescência influencia no adulto que sou hoje. Se recebi muito cuidado, mais me sinto amado e vejo o mundo e as pessoas com mais otimismo. Se fui controlado, superprotegido, mais me sentirei frágil, dependente e incapaz de enfrentar as dificuldades, por isso, pouco amável. Se sou apegado, mais incapaz sou de enfrentar a realidade sozinho. Se sou desapegado, enfrento sozinho a realidade, mas me torno incapaz de fazer ligações afetivas profundas.

Há no nosso imaginário que um modelo de pessoa a ser é aquela que é forte e sozinha, independente. Forte porque enfrenta toda situação nova ou difícil, sem a mínima dificuldade, incerteza, com absoluta frieza e segurança. Sozinha porque não precisa de ninguém, não se abate com as separações e nem se alegra com as ligações.

Ser este tipo de pessoa é possível? Talvez, mas o certo é que se estou diante de algo que não consigo resolver sozinho, o melhor caminho é pedir ajuda. Ninguém se forma ou aprende as coisas sozinho. O medo é vencido quando encontro alguém que seja maior que o problema. Minha vida está nas mãos de quem? Todos os dias estamos diante de males aos quais somos impotentes.

O ser humano sofre mesmo é com a falta de sentido para sua vida, com uma ausência de um projeto de vida ou com uma carência de ordem moral.

Fonte:

LORENZINI, Roberto; SASSAROLI, Sandra. Quando o medo vira doença: como reconhecer e curar fobias. Tradução de Veloso Vargas. 4ª ed. São Paulo: Paulinas, 2011. (Psicologia e Você).

terça-feira, 30 de junho de 2026

PEDRO E A FUNÇÃO DE UM PAPA

 

O papa de Roma é o líder religioso e moral mais influente e conhecido do mundo. Todo governo no mundo tem de lidar com ele de algum modo. Sua importância é inegável. É assim desde dia que o Imperador Constantino legalizou o cristianismo no século IV.  Em todo esse período, assentaram-se no trono papal, papas bons, papas ruins, papas controversos e papas esquecidos. Como todos nós, o papa é cativo de suas circunstâncias, educação e personalidade. Há um tremendo paradoxo no papado, pois vemos seres humanos falhos ocupando um lugar que seria para pessoas perfeitas espiritualmente. Isso faz com que uma parcela da Igreja não aceitem sua autoridade.

Mas qual sua história e sua função?

A palavra papa vem do grego e do latim e quer dizer pai ou papai. Ele é o sucessor de Pedro, um dos doze apóstolos, o mesmo que Cristo entregou as “chaves” de sua Igreja (Mt 16, 13-19). São Pedro é um dos personagens mais importantes do Novo Testamento. O seu nome vem do grego e significa “pedra”, porém seu nome no original aramaico quer dizer Simão. Filho de Jonas e irmão de Santo André, Pedro era natural de Betsaida e conduzia uma pequena empresa de pesca junto com seu irmão, São João e São Tiago Maior. São Pedro era um judeu crente e praticante, confiante na presença ativa de Deus. Era casado e vivia em Carfanaum. Depois de Pentecostes, São Pedro irá desempenhar a importante missão de guiar os Apóstolos conforme o mandamento de Cristo. Sua liderança é visível em vários trechos dos Atos dos Apóstolos:

·         Foi ele que conduziu a eleição de São Matias;

·         Realizou a primeira pregação apostólica;

·         Batizou os primeiros convertidos;

·         Realizou a primeira cura registrada;

·         Quem primeiro evangelizou os pagãos;

·         Conduziu o primeiro concílio da Igreja, em Jerusalém.

Foi um grande evangelizador. No ano de 67 d.C se entregou a Nero em troca da liberdade de todos os católicos que estavam presos. No dia 29 de Junho, foi crucificado de cabeça para baixo.

O papel dos papas, desde começo, tem sido o de conservar, proteger ou preservar o depósito da Fé. Em seu juramento, o papa promete “não diminuir ou mudar nada da tradição recebida, conservada por seus predecessores, tampouco admitir qualquer novidade, mas com fervor, resguardar o que foi transmitido.” A Igreja ensina que a Revelação Divina, o conjunto de conhecimentos em que é necessário acreditar para que alguém seja salvo (doutrinas como a Trindade, Encarnação, Transubstanciação e assim por diante), encerrou-se com a morte de São João, o Evangelista, cerca de 104 d.C. Esses ensinamentos são tidos como reais e verdadeiros em que podem ser comprovados. Quando disputas doutrinárias vêm à tona, o papa tem de determinar o que a Igreja ensinou sobre a questão. Como guardiões das doutrinas, são incapazes de alterar a posição da Igreja quanto a temas como aborto, contracepção, divórcio ou ordenação de mulheres.

Como o rebanho do papa reside no mundo e a influência externa mais forte num indivíduo é o governo, desde a época de Constantino os papas lidam com a política. Isso exige responsabilidade. Como terras significam poder, as propriedades e a soberania temporal eram consideradas essenciais se o papado desejava buscar um caminho independente na sua relação com os grandes do mundo. Mesmo que essas realidades os desviassem e ofuscassem de sua real missão, eles conseguiam exercer suas funções espirituais.

A Igreja Católica afirma que ela e seus papas devem dar continuidade à obra de Cristo, que ela é o Corpo Místico de Cristo. E é somente por meio desse corpo que encontramos o caminho para a Salvação. Para os católicos, a Igreja é a luz que resplandece nas trevas. Mesmo que ela passe por algumas crises, em sua cerne, há algo que ela considera um mistério: a transformação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo.


Fontes:

COULOMBE, Charles. História dos Papas. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 2022.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

MEMÓRIA FINITA

 


O que falar da autora, professora e jornalista, Maria das Graças Targino? Numa palavra: diferente. Tive a oportunidade de ser seu aluno. E vi em sala de aula o resultado de talento, vocação, habilidade e amor pelo que se faz. Nenhuma aula era igual. Não basta “nascer para aquilo", saber fazer ou ter os recursos para se fazer. É preciso trabalho, dedicação e seriedade. A professora Graça despertou o gosto de ir para sala de aula.

Escrever não é para qualquer um. Requer gosto pela leitura (o óbvio), mas também de estratégias para querer ser lido. No caso dela, ausência de vaidade e coragem de se expor. Seus textos não são autobiográficos, mas aqui e acolá ela “solta alguma coisa" e dá para perceber alguns detalhes e fazer um resumo de sua vida. E também de levar algo para a nossa.

Neste seu livro mais recente, o gênero textual ainda é as crônicas, os fatos do cotidiano. (A escolha por ele talvez se justifique pela sua formação em jornalismo). É no cotidiano que a vida acontece. É no cotidiano que os pensamentos e os sentimentos mudam, o aprendizado chega e a gente muda.

Na obra, o fator tempo ainda reina. Ele pode acabar a qualquer momento (como sempre foi). O que temos são as memórias. Há coisas para se lamentar: as coisas que deram errado/não aconteceram; as perdas, os fracassos; o abandono, a maldade humana que não cessa, a solidão… Mas na memória há coisas boas: o trabalho bem realizado, as pessoas que conhecemos, a Fé, o estar vivo. 

As experiências da vida fizeram Graça Targino ser uma desbravadora. Tanto de lugares geográficos, como no coração das pessoas. Conhecer para melhorar como ser humano. Aqui na Terra, no lugar dos seres imperfeitos, o que vale é aprender com os erros(entende-se aí procurar evitar a cometê-los); buscar razões de viver que ultrapassem o afetivo, financeiro e material; gostar de algo; ter algum apreço pelo ser humano(e também pelos animais); estar atento ao Mundo e ser sensato e lúcido. Tudo isso é expresso em seus textos.

A memória é finita. Realmente tudo pode cair no esquecimento. Nesse mistério que é a vida resta-nos vivê-la, tentando fazer algo, construir algo, para nós, para o mundo.

TARGINO, Maria das Graças. Memória Finita. Teresina-PI: Nova Aliança, 2025. 370p.

sábado, 13 de dezembro de 2025

SANTA LUZIA E NOSSO OLHAR


 

Por meio de um quadro pode-se representar a vida de um Santo. Podemos não saber em detalhes sua história, mas as vestimentas, as cores, aquilo que carregam nos dão um ideia. Além disso, todas as informações contidas no quadro nos levam a oração.

No dia 13 de dezembro, o catolicismo faz memória de Santa Luzia. Quem foi ela? Há poucas informações sobre sua vida. A certeza que ela realmente viveu está numa inscrição em grego antigo sobre uma lápide encontrada em 1894 na cidade onde nasceu. 

Luzia nasceu provavelmente em 283 em Siracusa na Itália. Com cinco anos perde o pai, Lúcio. Sua mãe, Eutíquia sofria de graves hemorragias internas. Luzia parte com ela a Catania para pedir a cura pela intercessão de Santa Ágata tocando em seu túmulo (Luzia se inspirou na mulher com fluxo de sangue em Mc 5, 25-34). Após a cura da mãe, Luzia toma a firme decisão de consagrar sua virgindade a Deus de forma perpétua e que, portanto não se casaria. Acontece que ela já estava prometida a um pagão. Quando este soube do tal compromisso, denunciou-a ao prefeito de Siracusa na época, Pascásio, pois ela estava desobedecendo ao edito de Diocleciano (Ser cristão era proibido. Para se livrar da tortura ou da morte, a pessoa era obrigada a renunciar a Fé Cristã e adorar os deuses do Império Romano). Luzia se recusa e é decapitada em 13/12/304.

No quadro, as cores da vestimenta de Luzia é o vermelho, verde, um véu branco e um detalhe dourada que significa respectivamente, sangue, esperança, pureza e vitória sobre o pecado. O que chama mais atenção é a bandeja com os dois olhos. Como foram parar lá? Ela mesma tirou ou arrancaram e Deus devolveu seus olhos de volta? Não se sabe. Mas é sobre a questão do olhar que faz com que Santa Luzia seja venerada até hoje.

Os olhos buscam aquilo que o coração almeja e “fala” o que queremos...

Os olhos são o espelho da alma. Revela aquilo que está no interior. Quando mais olho, mais quero. O olhar de uma pessoa triste é diferente de quem está com raiva. Sabemos quando alguém é tímido ou mal intencionado pelo seu olhar. Há olhares que constrangem, oprimem e causam medo.

Estamos perdendo a pureza no olhar...

De todos os sentidos, a visão é a mais utilizada, pois é a partir dela que recebemos a maioria das informações do mundo. Aquilo que é mais marcante e diferente fica armazenado no cérebro. Se olho repetidamente uma mesma coisa, cedo ou tarde, consciente ou inconsciente, vou querer repetir aquilo que vi. Se tenho o hábito (péssimo) de ver pornografia, vou passar a olhar apenas o corpo das mulheres. Dificilmente olharei em seus olhos e mais ainda vou querer algum compromisso sério com elas. Só vou pensar em sexo e achar que o mais importante num relacionamento amoroso é só isso. Vou buscar sexo, pago ou forçado, porque meu cérebro está mandando. É ele que está no comando.

Estamos com o olhar perdido...

Não nos concentramos em nada. Passamos o tempo olhando telas. Se distraindo, perdendo o sono. Preferimos passar os olhos. Queremos algo rápido, bem rápido, rapidíssimo. A leitura traz preguiça e se o vídeo é muito longo, ele é chato. Isso traz alguns problemas, como a impaciência, inquietação e ansiedade. Se procuro ler de tudo, ver de tudo, meu interior não para. Eu não paro, pois existe uma máquina (minha cabeça) que não quer frear e nem parar. Só quer acelerar.

O olhar atiça nossa curiosidade, nos engana e pode sujar nossa alma...

Vemos aquilo que não devemos olhar. Aquilo que é proibido. Em Mt 6, 22-23, fala que os olhos são a lâmpada do corpo. Se meus olhos forem bons, meu corpo será pleno da luz. Porém, se eles forem maus, todo meu corpo estará em absoluta escuridão.  Tirar conclusões com base apenas no olhar é um equívoco. Podemos mentir nas redes sociais. A essência de uma pessoa não está em sua aparência. Não podemos julgar pela aparência.

A devoção a Santa Luzia nos indica a necessidade de desenvolver a espiritualidade. Recorrer a Deus não somente na hora das doenças, mas ver, olhar, enxergar para que é superior, as coisas do espírito.

É preciso treinar nosso olhar. Purificá-lo pode nos ajudar, a saber, o que a pessoa está querendo ou sentido.

Aprendamos com Santa Luzia, a guardar e proteger nosso olhar do pecado. Santa Luzia, rogai por nós!

Fonte:

GASQUES, Pe. Jerônimo. Santa Luzia: o brilho de uma luz, a protetora dos olhos. São Paulo: Paulus, 2018. 110p. 

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

QUAL O SENTIDO DA VIDA SEXUAL NO PLANO DE DEUS?

 A Fé Católica não oferece métodos ou exercícios para a vida sexual e sim conceitos claros da nossa moral.

A Igreja ensina que o único lugar adequado e lícito para a vida sexual é o casamento, como expressão do amor conjugal e da geração dos filhos. Fora do casamento a vivência sexual é um desastre. O sexo existe para dar ao casal humano unidade e alegria.

O que deve mover o casal é a busca da santidade. Não é apenas saber o que deve ou não fazer na vida matrimonial. O amor conjugal deve expressar o amor divino. Para ele acontecer é preciso que o casal lute contra aquilo que impede a manifestação desse amor: o pecado.

O pecado não é apenas a ruptura entre Deus e a humanidade, mas também entre o homem e a mulher. O amor entre ambos se vê ameaçado pelas infidelidades, ciúmes, brigas, desejos de dominação e pelos prazeres do mundo.

A nossa sociedade promove o sexo acintoso, sem responsabilidade e compromisso, faz dele uma mercadoria de consumo. A internet é o campo disso, pois é traiçoeira e pode viciar.

Outro motivo que deve mover o casal é o desejo profundo de construir a vida juntos. É uma decisão séria, portanto é importante não queimar algumas etapas antes do casamento. A castidade ajuda a defender o amor dos perigos do egoísmo e da agressividade além de permitir a cada um se conhecer melhor.

Existe uma finalidade profunda no sexo além do prazer. Pois ele manifesta  quem somos e mostra nosso caráter. Toda a pessoa deve participar desse ato, não podendo ser apenas um ato biológico e mecânico. Cada cônjuge não pode buscar apenas o prazer e fazer do outro um “instrumento de gozo”. Por isso a satisfação sexual do homem e da mulher depende de reações emocionais, afetivas, físicas e espirituais.  O prazer no ato sexual é uma consequência da intimidade entre o casal, exprime o que está no fundo da alma de cada um.

É preciso saber que o prazer sexual nunca poderá ser o mais importante no casamento. Só em Deus satisfaremos plenamente as nossas tendências naturais. A busca exagerada do prazer no casamento deixa o casal numa ansiedade negativa e numa angústia inconsciente, tornando-os psicologicamente abertos a tentar consegui-lo de maneira anormal ou imoral.

Fonte:

AQUINO, Prof. Felipe. Vida sexual no casamento. 16ªed. Lorena-SP: Cléofas, 2018. 144p

terça-feira, 10 de setembro de 2024

NÃO TE DEIXES VENCER PELO MAL


Acreditar em realidades invisíveis, não palpáveis e em que não se pode provar é um desafio pra nossa inteligência (que sempre quer entender tudo).

Na busca por respostas às perguntas difíceis (como a atuação do mal no mundo) encontramos uma explicação a partir da Fé Cristã. É através dela que descobrimos que o verdadeiro responsável pelos males que afligem a humanidade é um espírito, Satanás.

Nas Sagradas Escrituras, ele descrito como o adversário de Jesus. Não possui corpo, mas é dotado de inteligência e vontade. Seu objetivo? Levar a humanidade à perdição. Sua principal arma é a mentira. Uma mentira que confunde. Que faz o ser humano ficar preso e escravo às seus desejos; a fazer o errado achando que é o certo; a praticar o mal contra o próximo.

Satanás age em nosso ponto fraco e injeta em nosso coração:

Ø O desejo de ganhar dinheiro, de se tornar grande e poderoso não para ajudar as pessoas, mas para dominá-las;

Ø A busca por prazeres proibidos;

Ø Desânimo. No desânimo achamos que o pecado é o melhor remédio contra a tristeza.

Ø Medo do futuro. Fazendo com que recorramos a magia e feitiçaria.

Ø Angústia.

Ø Desconfiança da Misericórdia e amor de Deus.

Não é tão fácil saber aquilo que vem ou não do maligno. Existe o lado humano: os desejos profundos, a imaginação, o inconsciente, as doenças psiquiátricas. Agora, aquilo que é espiritual só pode ser tratado através de realidades espirituais. Se existe um espírito do mal é porque existe um espírito do bem.

Jesus Cristo deixou o Espírito Santo e também sua Igreja para lutarmos. Lutarmos para não cairmos nas armadilhas do demônio e termos força para recusar suas propostas.

                                   “Vigiai e orai para não cair em tentação”

A Oração e os Sacramentos nos ajudam a:

Ø  Guardarmos os sentidos;

Ø  Não olhar e escutar de tudo;

Ø  Estarmos atentos a nós mesmos e ao que nos rodeia; 

ØTermos força interior para ficarmos longe e evitar as tentações. 

Num mundo onde o mal e o errado é mais atrativo, é preciso de muita coragem em decidir seguir o caminho certo, ir além dos próprios desejos e vontades.

Convertei-vos e credes no evangelho disse Jesus. E o que é convertei-vos?

“Quer dizer: pare de prestar atenção só ao que é terreno, aos bens materiais, à carreira, às roupas, à comida, às coisas da terra, como se vivêssemos só aqui, e depois acabou. É preciso olhar para o alto, para o fim da vida e nos perguntar: para onde iremos quando morrermos?” (AMORTH, 2018, p. 26).

 AMORTH, Padre Gabriele. NÃO TE DEIXES VENCER PELO MAL: as últimas palavras de um grande exorcista. Tradução de José Eduardo Câmara. Campinas-SP, Ecclesiae: 2018, 148p.


domingo, 14 de julho de 2024

A MANEIRA ERRADA E CERTA DE SE RELACIONAR COM AS PESSOAS

Algumas coisas mal resolvidas dentro de nós fazem brotar comportamentos e pensamentos inadequados perante a realidade.

Quais?

Às vezes a vida coloca uma pressão/pressa de sermos vencedores e de conquistar isso ou aquilo. Pode não dar certo, pode não acontecer. Aos poucos vai despertando um sentimento de revolta por se sentir derrotado e deixado para trás pela vida. Passamos a tratar as pessoas com hostilidade e como adversárias.

Não se pode ser amado pelas pessoas e ao mesmo tempo pisar nelas. É compreensivo buscar segurança, proteção e afeto para não se sentir tão isolado ou desamparado. É natural querer ser alguém na  vida. Mas não pode ser buscado de qualquer maneira ou como forma de compensar algo que deveria ser resolvido de outro jeito.

Fonte:

HORNEY, Karen. A personalidade neurótica do nosso tempo. 2023. 220p.

 

sábado, 4 de maio de 2024

THE BEATLES: A HISTÓRIA POR TRÁS DE TODAS AS CANÇÕES


 

Das bandas que escutava na adolescência, os Beatles é a única que continuo ouvindo.

Há muitas razões para isso.

1. As músicas eram (são) boas. Quando deixaram de fazer apresentações ao público em 1966, os membros da banda passaram a ter mais tempo para se dedicar como artistas. Eles queriam se aperfeiçoar como músicos, explorar novas possibilidades. O processo de compor, tocar e gravar as músicas mudou. Usavam instrumentos diversos e as letras falavam de temas variados. Em vez de falar apenas de amor, elas passaram a mostrar seus verdadeiros sentimentos e como estavam enxergando o mundo.

Uma guarda de trânsito, uma cachorra, um orfanato, uma rua, notícias de jornal, propagandas de televisão, sonhos, desenhos de criança, um submarino, coisas místicas, tudo era fonte de inspiração.  Isso se refletia nas melodias, nos arranjos e na harmonia vocal.

2. O que explica o sucesso da banda? Eles eram bons músicos, mas já existiam melhores do que eles. Talvez os trabalhos do produtor George Martin e do empresário Brian Epstein ajudaram a dar uma cara ao quarteto diferenciando-os das outras bandas.

3. Alguns feitos até hoje são insuperáveis. É a banda que mais alcançou o top das paradas de sucesso. A que mais vendeu discos. A que bateu o recorde de lançamentos de discos em curto tempo (lançou dois por ano com músicas inéditas entre 1963 e 1965). E a que depois de 50 anos de seu término ainda hoje é lembrada por muitos.

4. Ouvir os Beatles é sentir saudade. De pessoas, de um momento, de um lugar, de um cheiro, é sentir algo bom.

Vale apena ouvir a discografia da banda. Especialmente Help, Rubber Soul, Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band, White Album, Abbey Road e Let it Be.

TUNNER, Steve. The Beatles: a história por trás de todas as canções. Tradução de Alyne Azuma. São Paulo: Cosacnaify, 2009. 384p.


quinta-feira, 11 de abril de 2024

AUTOCONTROLE E LIBERDADE

 


“Se quer permanecer são de corpo e de espírito, é necessário tomar a sólida resolução de dominar-se a si mesmo e permanecer fiel a este propósito durante toda a vida.” E. de Feuchtersleben.

“O conhecimento de si mesmo abre uma trilha para descobrir hábitos, tendências, perturbações, emoções, qualidades interiores. Não precisa de olhos, mas de silêncio e reflexão.” A. De Simone

O que é uma pessoa livre? É aquela que escolhe conscientemente a vida que quer levar e o uso que fará dela? É comportar-se com base nas referências e nos valores-base que carrega (trabalho, o bem comum e a família)? É escolher também o ambiente onde se crescerá ( como amigos, companheiro(a)s, religião, profissão, leituras)?

E uma pessoa controlada? É aquela que se observa? Que não ignora suas emoções? Que consegue ter uma vida organizada? É aquela que tem um comportamento adequado diante de certas situações?

Olhando o mundo na realidade, ser livre e controlado não está tão fácil.

A liberdade é confundida em ser uma pessoa “solta” de toda e qualquer norma e disciplina. Isso não acontece, pois na prática fica-se submisso a desejos e incapaz de resolver conflitos internos. O que essa “liberdade” faz na verdade é transformar o ser humano numa pessoa que busca soluções que não se encontram na realidade e que atribue aos outros responsabilidades que são suas. No final a pessoa se encontra desesperada, angustiada, insegura, cercada de dúvidas que a levam ao pessimismo. Controlar-se também não é fácil. Há as fraquezas, as limitações, os tropeços.

A pessoa precisa estar amparada por algo que seja eterno e seguro. Além disso, ter a coragem de dar uma resposta adequada e profunda aos tantos porquês da vida e às suas muitas mensagens.

“A fé em Deus é de grande ajuda para quem tenta dar, uma vez mais, coerência e esperança à própria vida.”

O evangelho de Cristo confirma e aperfeiçoa o comportamento humano. Aliás, Jesus é o modelo de ser humano por excelência.

CANOVA, Francesco. Autocontrole e liberdade. 4 ª edição. Tradução Haroldo Reiner. São Paulo: Paulinas, 2002. 80p. (Coleção Psicologia e Personalidade).

quarta-feira, 6 de março de 2024

COMO VENCER A TIMIDEZ


 

Timidez é conceituada no dicionário como um sentimento de insegurança causado por medo do ridículo e do julgamento dos outros.

É visto como problema quando afeta o desenvolvimento da pessoa e sua relação com os outros.

A pessoa que é tímida tende apresentar baixa autoestima e não se enxerga como alguém capaz de fazer e conquistar algo. Dá importância demais ao que os outros estão falando ou pensando a seu respeito e prefere o isolamento.  Às vezes procura exibir-se pensando que é excepcional, fora do comum, superior aos outros e nega responsabilidade por algumas escolhas. Também pode esperar demais da vida e das pessoas. 

Ao perceber que as coisas não são assim fica tão desiludida a tal ponto que acha necessário ferir, buscar vingança, odiar o próximo. 

Como reverter isso?

1     - Descobrir e reconhecer os motivos que traz vergonha;

2     - Aceitar as próprias fraquezas, inseguranças e indecisões;

3     - Ser honesto com os próprios sentimentos;

4     - Conhecer o próprio valor, o papel que desempenha na sociedade (ou o verdadeiro papel que Deus confiou);

5     - Questionar-se quanto às razões profundas que estão por de trás das atitudes;

6     - Ir de encontro das pessoas com simplicidade e humildade;

7     - Compartilhar a própria vida;

8     - Não focar tanto em si mesmo para assim se comportar de modo natural, espontâneo e autêntico;

9     - Gostar de si mesmo;

10  - Amar o próximo sem querer transformá-lo, sem esperar algo em troca;

11  - Dar ao outro o que gostaria de receber;

12  - Perdoar, pois perdoar é libertar-se do passado;

13  - Não contar sempre consigo mesmo;

14  - Saber que ganhou esta vida para desempenhar um papel que pode ser diferente do outro;

Nosso verdadeiro ser encontra-se em nossa alma. Sem esse conhecimento passamos a mendigar afetos, buscar consolações, buscar ser compreendidos e procurar emoções para preencher um vazio.

A fé pode ajudar. Ao ter consciência que é amada por Deus, a pessoa se liberta de expectativas e julgamentos dos outros.

ALBISETTI, Valerio. Como vencer a timidez. Tradução de Clemente Raphael Mahl. São Paulo: Paulinas, 2004. 80p. (Coleção Psicologia e você). 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

AGONIA DO EROS


O ser humano vive constantemente comparando tudo com todos. Não consegue mais estabelecer claramente os próprios limites. Sobrecarrega-se querendo controlar tudo de maneira exagerada e doentia. Acha que é livre por não está submisso às ordens de alguém. Trata o próprio corpo como mercadoria. Busca no outro a confirmação de si mesmo ou o enxerga apenas como objeto de excitação. Não quer mais se relacionar. Evita o sofrimento a todo custo. Cuida de forma exagerada a própria saúde. 

Essa é a constatação que o filósofo, professor e escritor coreano Byung-Chul Han apresenta no livro Agonia de Eros.

O amor vem perdendo espaço num mundo onde a pessoa tem à sua disposição uma infinidade de opções e escolhas. Byung afirma que na verdade isso não faz do ser humano uma pessoa realmente feliz e muito menos livre . Pois agora ela explora a si mesma e por decisão pessoal. Vive por viver, permanece igual a todo mundo, não tem rumo, não descansa, não tem paz.

Apesar dessa exposição séria e preocupante, o autor é esperançoso. “A vida com seus mistérios pode surpreender e ensinar que uma desgraça desastrosa pode converter-se inesperadamente em graça e salvação.” 

A relação com o divino faz a pessoa perceber a verdadeira “essência do amor”. Esquecendo um pouco de si mesmo, a pessoa passa a renunciar algo e a olhar o negativo “diretamente nos olhos”, além de descobrir formas de enfrentá-lo.

“O amor vence a depressão. Arranca o sujeito de si mesmo e direciona-o para o outro. É um relacionar-se com outra pessoa conhecendo sua individualidade e seu mistério.”

HAN, Byung-Chul. Agonia do Eros. Tradução de Enio Paulo Giachini. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017. 96p.


quarta-feira, 1 de novembro de 2023

SUPERANDO A PARTIDA DE PESSOAS QUERIDAS

 

Perder alguém nunca é fácil. Ainda mais se tivermos uma ligação afetiva forte com ela. Apesar de ser dolorida, a morte nos traz a certeza de que não viveremos para sempre. As pessoas que amamos não vão estar sempre conosco. Isso traz sentimentos de tristeza, solidão e vazio fazendo surgir incertezas a respeito do que poderá acontecer depois. “Como as coisas serão sem você?” (Alguns têm medo do julgamento de Deus por aquilo que fizeram ou não durante a vida).

Na verdade, a morte é a oportunidade de darmos um novo significado a nossa vida. De reorganizá-la e reajustá-la. E entender também que:

§  A Fé se mostra importante na hora de superarmos a partida da pessoa querida. E não só isso. Nos ajuda a seguir em frente;

§  O luto é uma fase. Ele precisa ser vivido, mas tendo consciência que não durará pra sempre. O luto dura em média 2 anos, onde neste período a realidade da perda se torna concreta e extremamente dolorosa, além da alternância entre dias bons e maus serem comuns;

§  Falar dos sentimentos: raiva, culpa, tristeza, desânimo. Expressar dor e emoções é libertador;

§  Aceitar a realidade da perda. A dor não durará para sempre;

§  Cultivar espiritualidade. No caso, praticar alguma religião. A vida não é apenas as “coisas visíveis”;

§  Não usar o luto para se aproveitar das pessoas;

§  Não há necessidade de se comunicar com ente querido que esteja no além. (No cristianismo basta confiarmos na Revelação Divina que consta nos Evangelhos);

§  Concluir o luto. Ele termina quando ao pensar no falecido não se sente mais dor e sim vontade de levantar a cabeça e continuar vivendo.

§  Não precisa ser religioso para perceber que não estamos nesta terra somente para produzir e consumir. Nenhum dinheiro do mundo nos protegerá de morrer quando chegar a hora. A vida é feita de escolhas cujas consequências são imediatas ou futuras.

 

MORAIS, Cristiano Batista de. Falar da morte para viver alegre e esperançoso. Halley: Piauí, 2019. 268p.

domingo, 1 de outubro de 2023

O SENTIDO CRISTÃO DO SOFRIMENTO HUMANO


 

Há sofrimentos sem sentido aos quais não temos culpa. Esses são difíceis de entender. Esta dor, na alma ou no corpo, que é resultado da não participação de um bem desejado também pode atingir muitas pessoas. Fome, guerras, violências, doenças (só pra citar alguns exemplos).

Por que estou sofrendo?

          É necessário tempo, muito tempo para que esta resposta seja percebida interiormente. Mas a verdade é que quando as explicações humanas são insuficientes e inadequadas, a gente busca Deus.

É na pessoa de Jesus Cristo que entendemos o sentido do sofrimento. Ele não explica as razões do sofrimento ou o porquê que estamos sofrendo. Ele diz: “Segue-me! Seja meu discípulo. Escute o que eu tenho a dizer. Veja o que tenho a fazer. Tenha Fé em Mim.”

Cristo também experimentou o sofrimento: cansaço, sem um lugar para morar, incompreensão, hostilidade, rejeição, humilhação, perseguição. Mas também nos ensinou sobre ele.

O pecado gera sofrimento. Cristo com sua Cruz e Ressurreição destruiu o mal atingindo-o na raiz: o pecado e a morte. Isso nos permitiu enxergar o sofrimento com um novo olhar: a do Evangelho.

Jesus nos dar a vida eterna. Com esta certeza entendemos que o sofrimento serve para nos reconstruir. Serve para desenvolvermos as virtudes. A perseverança em suportar tudo aquilo que incomoda e faz doer e de participar do sofrimento do próximo.

Agora não precisamos mais ir a lugares ou a inventar formas de aliviar ou acabar com o sofrimento (que na maioria das vezes faz é piorar!). 

“Cristo nos ensinou a fazer o bem com o sofrimento e a fazer o bem a quem sofre.” p. 67.

Nossos sofrimentos unidos à sua Cruz torna-se poder de Deus.

João Paulo II, Papa. Carta Apostólica “Salvifici Doloris” O sentido cristão do sofrimento humano. 11ª ed. São Paulo: Paulinas, 2009. 70p.

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