Da
noite para o dia, Peter recebeu um dom. Algo que ele nunca pediu, sonhou,
imaginou ou foi atrás. E a primeira coisa que ele decide fazer com os poderes recém-adquiridos
é bolar uma forma de ganhar dinheiro para quê pudesse comprar um carro e
impressionar a garota dos seus sonhos. Algo dá errado e de uma maneira
dolorida, Peter entende que o dom que ganhou não é para ele, é para os outros. “Com grandes poderes vem grandes
responsabilidades” falou seu tio Ben Parker.
Peter
então começa sua jornada como super herói. Logo percebe que precisa fazer
renúncias e que as pessoas próximas a ele correriam sérios riscos se seus
inimigos soubessem quem era ele. No final do primeiro filme (2002), Peter
parecia decidido.
No segundo
(2004), tudo em sua vida vem dando errado. No trabalho, nos estudos, nas
amizades, na vida amorosa, até o aluguel anda atrasado. Parecia que tudo estava
para ruir a qualquer momento (isso porque ele fez uma escolha que acreditava
ser a certa). Cheios de incertezas, sua alma simplesmente “desapareceu” e ele
perdeu os poderes, porque não sabia mais quem era. Ele não aguentava mais e
decidiu desistir de ser o Homem Aranha. Queria cuidar de si, recuperar o que
perdeu. Queria ir atrás de seus objetivos.
Mas
as coisas não saíram como esperado.
Neste
filme reafirma a mítica que todo herói precisa fazer algum sacrifício. Algo nele
precisa “morrer”, ser deixado para trás por livre e espontânea vontade. Mas não
vem de uma decisão fácil. Ele precisa estar diante de si mesmo e se perguntar: “É justo querer ser feliz e ver os outros
sofrendo mesmo quando se tem a capacidade de evitar isso?” Fica claro que
Peter não conseguiria viver com o peso na consciência de que “eu deveria ter
feito alguma coisa e não fiz.”
“Será
que não posso ter o que eu quero?” “O que preciso?” “O que devo fazer?”
As
circunstâncias da realidade respondem a essas perguntas.
“Acredito
que há um herói dentro de nós, que nos mantém íntegros, nos dar forças, nos
enobrece, e por fim, nos deixa morrer com dignidade. Mesmo que às vezes, seja
preciso ser firme e desistir daquilo que mais queremos. Até dos nossos sonhos.”
Peter
não duvida mais. Ele sabe quem ele é. Sabe o que deve fazer. E está disposto a
morrer por isso. A cena do trem é a melhor parte do filme!
Bem
no final do filme, Peter Parker ainda aprende que mesmo que seja compreensivo
esconder sua identidade para não colocar em riscos as pessoas amadas, ele não
pode negar a elas o poder de fazer as próprias escolhas, mesmo sabendo dos
riscos.
O
filme deixa a mensagem que temos um propósito a cumprir e é ele que dá sentido
a nossa vida mesmo que na parte amorosa e profissional dê tudo errado. Homem
Aranha 2 continua insuperável em tudo, principalmente na trilha sonora. Merece
ocupar as primeiras posições de melhores filmes de super-heróis já feitos.
De: Sam Raimi. Com: Tobey Maguire, Kirsten Dunst,
James Franco, Alfred Molina, Rosemary Harris. EUA, 2004, 2h07min.
