domingo, 3 de abril de 2022

SOBRE SER FELIZ

Se as coisas e as pessoas são perecíveis e mortais, respectivamente.

Se há medo em perder o que se tem.

Se nem tudo que se quer é verdadeiramente bom.

Se o tempo e o prazer passam.

E se o dinheiro pode nos dominar, o que de fato pode nos deixar felizes?

 

Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino são bem conclusivos: Deus. Ter a Deus é viver de modo feliz.

Quem tem Deus?

·         Aquele que faz sua vontade?

·         Aquele que não tem uma alma impura?

·         Aquele que vive bem?

E o Bem?

·         O bem acrescenta algo real e positivo. Traz harmonia entre o ser e o agir.

·         Somos bons não por conta própria e sim através da participação da Bondade Divina. Pois só Ele é puro.

·         Nenhum ser humano pode tudo ou é eterno.

·         O ser humano é falho.

·         A noção do que é certo é afetado pela maldade das pessoas.

            Os dois entram em consenso que quem sonda os Mistérios Divinos e busca sabedoria vive de modo pleno e moderado. Deus é o fim último de tudo. É Ele que nos dar forças nas mudanças.

Fontes:

AQUINO, Tomás de. O Bem: questões disputadas sobre a Verdade (Questão 21). Tradução de Paulo Faitanin e Bernardo Veiga. Campinas, SP: Ecclesia, 2015.

SANTO AGOSTINHO. Sobre a vida feliz. Tradução de Enio Paulo Giachini. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014. (Vozes de bolso).

terça-feira, 15 de março de 2022

COBAIN: MONTAGE OF HECK


 Em tempos passados bandas de rock guiavam gerações. Seus membros, quase sempre o vocalista, era um modelo a ser copiado. Uma imagem do ídolo é criada em nosso imaginário. Logo o colocamos num lugar muito importante da nossa vida. Essa ligação acontece não apenas por causa de sua obra, também por aquilo que é partilhado em público. Se por acaso algo de sua vida pessoal vem à tona mostrando um lado que desconhecíamos, o interesse pela sua arte permanece, mas aquela imagem do ídolo se desfaz. Esse é o sentimento ao assistir Montage of Heck(2015), documentário que narra a vida de Kurt Cobain(1967-1994), vocalista e guitarrista do Nirvana (1987-1994).

Ainda lembro a primeira vez que ouvi o Nirvana. Em 2003, um amigo emprestou uma fita k7 do Nevermind. De cara gostei de Smells Like Teen Spirit. Sua estrutura, versos lentos antecedendo o refrão gritado; bateria forte; baixo em destaque; e riffs de guitarra acompanhadas de uma voz seca e rasgada davam força e energia pra canção. Com o tempo fui gostando das demais. A mítica Come as you are, o hino Lithium, a explosiva Territorial Pissings, a romântica Drain You, One a Plain, a intimista Something in the Way.

Ao ouvir a discografia da banda só fez aumentar o interesse em saber de sua história. Na época as informações se limitavam em revistas de pôsteres contendo algumas curiosidades, letras e traduções de algumas músicas. Até que comprei uma que abordava mais coisas. Aí veio o primeiro choque: sua carta de despedida. Até em tão sabia que ele tinha cometido suicídio, mas não sabia a idade e nem as razões. 27 anos. Sucesso. Fama. Drogas. Depressão. Problemas de saúde. Sua vida era uma bomba relógio que estava prestes a explodir.

Montage of Heck mostra a vida de Kurt a partir de entrevistas de amigos e familiares, anotações de seu diário, de desenhos, pinturas, gravações caseiras, entrevistas e cenas de shows.

Tudo estava lá e não dava pra ninguém perceber. Este documentário nos mostra o erro de divinizarmos pessoas e nos ensina, mesmo que sem querer, a olhá-las como realmente são: humanas. O que se ver é uma pessoa doente. É verdade que um acontecimento familiar marcou sua vida pra sempre; Que o uso de drogas não o ajudou a lidar com a solidão e o sentimento de rejeição; Que a fama e o sucesso eram demais para sua procedência simples e pobre. Mas não tem só isso. Há um pai brincando com sua filha e um marido amando sua esposa. 

O que fica não é apenas seu final triste. Também a paixão de Kurt pela música. E é por causa dela, da música que ele nunca será esquecido.   

De Brett Morgen. EUA, 2015, 2h12min.


domingo, 6 de março de 2022

A ODISSEIA DO HOMEM DE AÇO


 

Os erros no roteiro e as cenas exageradas de ação e destruição comprometeram Homem de Aço, 2013 e Batman versus Superman: a origem da justiça, 2016. O que faz valer apena assisti-los são as abordagens em torno do Homem de Aço.

Imagina o que as pessoas pensariam se existisse alguém assim neste mundo? Pior e se ele se voltasse contra nós?

O que vemos nos dois filmes é que um ser com grandes poderes pode despertar medo, admiração e trazer muitos perigos. Ameaças maiores podem surgir já que “Não estamos sozinhos”. E quando grandes forças entram em choque as consequências não são muito boas: Quem vai responder pela destruição gratuita de prédios e cidades? E se houver mortes quem será o responsável? Esses pesos caem nos ombros de Kal-el. Afinal, ele é o “culpado” por tudo isso.

Ao tempo que muitos o odeiam, vidas são salvas graças a ele (E só ele podia salvar!). Aí as coisas ficam a favor do Homem de Aço. O que fazer com uma ameaça que só ele é capaz de enfrentar?

Kal-el/ Clark Kent é o elo entre os kryptonianos e os terráqueos. Acabou se tornando um símbolo de esperança para os dois planetas. Por isso referências religiosas e messiânicas não faltaram. E ele amava as pessoas, tanto que não hesitou em arriscar a própria vida para salvá-las. Valores e  direcionamentos ensinados pelos seus dois pais (os certeiros Russel Crowe e Kevin Costner).

Por essas e outras razões a história do SuperHomem permanece na consciência coletiva.

Man of Steel, De Zacky Snider. Escrito por Christopher Nolan e David S. Goyer. Com Henry Cavill.EUA, 2013, 2h23min.

Batman versus Superman: The dawn of justice. De Zacky Snider. Roteiro de Chris Terrio e David S. Goyer. Com Henry Cavill. EUA, 2016, 2h31min


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

JULGAMENTO EM NUREMBERG (1961)

 

       

Um juiz americano aposentado é encarregado de julgar quatro juízes alemães nazistas responsáveis por permitirem as atrocidades contra os judeus. O filme baseou-se vagamente em histórias reais como no caso Katzenberger de 1942.

Assistir filmes que envolvam a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) é mergulhar na complexidade de se observar até onde vai a liberdade humana e quais são suas motivações. É a oportunidade também de voltar no tempo.

Numa crise que envolve fome, desemprego e sentimento de desgraça e indignidade homens comuns e até os mais talentosos são capazes de se enganarem e cometer crimes tão bárbaros e atrozes que desafiam a imaginação.

Acompanhando o enredo, os sentimentos gerados são mistos. De um lado é compreensível que sejam responsabilizados aqueles que usaram cargos vitais para julgar, promulgar e aplicar leis cujo propósito era o extermínio de seres humanos. Do outro, de ver o esforço de uma parcela do povo em tentar passar uma imagem ao mundo que sua pátria não se resume as monstruosidades que ocorreram.

Durante uma guerra decisões são difíceis. Tomar parte? Se calar? Não querer saber? No meio de tudo isso há o medo de pagar pelas consequências das decisões feitas. E conviver com as lembranças por muito tempo.

Em nenhuma parte do planeta nunca vai ser correto assistir a morte de homens, mulheres e crianças. De ver a fé e a amizade serem objetos de escárnio. É correto buscar a verdade, a justiça e mais ainda o valor de um simples ser humano.

 Filme ganhou dois oscars de melhor ator e roteiro adaptado.

De Stanley Kramer. Com Spency Tracy, Maximilian Schell, Richard Widmark e Burt Lancaster. EUA, 1961, P&B, 3h07min.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

POR QUE IDEOLOGIA NOS DIAS DE HOJE É RUIM?

 

            Entende-se a palavra Ideologia como um conjunto de ideias, valores e conduta que prescrevem aos membros da sociedade o que e como devem pensar, sentir e fazer.

            Com as mudanças políticas e sociais dos dois últimos séculos seu sentido recebeu uma visão negativa. É entendido como:

Instrumentos de dominação de uma classe mais rica sobre uma mais pobre.

Substituição do real pelo imaginário.

Visão pessoal do mundo ignorada.

Falta de explicação do surgimento de um acontecimento. Ignorando ou escondendo o contexto histórico e os porquês.

Dão explicações racionais e universais que escondem as diferenças e particularidades reais.

Transformação de pensamentos particulares em pensamentos comuns e válidos.

            Os interesses da parte mais forte e poderosa da sociedade ganham aparência de interesse de toda a sociedade.

Realidade distante da Ideia.

            Liberdade como direito a uma escolha é a ideia de liberdade.

            Ideia de liberdade:

                        Escolher entre coisas ou situações

            Realidade de liberdade:

                        Que coisas ou situações são essas? Quem dá as condições para a escolha? Todos escolhem o que desejam?

            Ideia do trabalho:

                        Algo que dignifica o homem.

            Realidade histórico-social do trabalho:

                        Péssimas condições de trabalho que exploram e humilham.

 

 “Se não houver um conhecimento da história real[...] Se a teoria não explicar o significado da prática[...] Se não houver reflexão ou crítica da realidade, a ideologia se manterá.”

Fontes:

CHAUI, Marilena. O que é ideologia. São Paulo-SP: Abril Cultural/ Brasiliense, 1984. 126p.

https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/ideologia.htm. Acessado em: 15/02/2022.

domingo, 23 de janeiro de 2022

O MILAGRE DE ANNE SULLIVAN (THE MIRACLE WORKER)


 

            Baseado em fatos reais, acompanhamos a persistente Anne Sullivan tentando ajudar Helen Keller, uma menina que nasceu cega, surda e muda, a adaptar-se ao mundo que lhe cerca. Anne enfrenta os pais da garota, que sempre mimaram ela sem ensinar algo concreto.

Num dia desses estava caçando no YouTube filmes antigos que transmitissem algo além do entretenimento  e que tivessem ganhando algum prêmio no Oscar. O pôster The Miracle Worker chamou atenção e li que ele recebeu os prêmios de melhor atriz principal e coadjuvante do Oscar de 1963. Comprei o DVD original pela internet em vez de fazer o download e não me arrependi. O Filme realmente é bom e reflexivo, pois expõe como é importante a relação aluna/professora; mestra/discípula ou “o mais velho” ensinando o “o mais novo”, para o crescimento pessoal.

Anne é determinada no que faz e procura fazer tudo o que estar a seu alcance para ajudar Helen em sua limitação. Seu método de trabalho é rígido, mas não é uma rigidez que deixa marcas e efeitos negativos. É um ensinamento tirado da própria vida: Em meio a durezas, as dificuldades podem tornar uma pessoa forte. Estar incapacitado fisicamente não é barreira para não vivê-la e nem desculpa para não fazer as coisas. Aliás, é o contrário. É isso que Anne tenta transmitir a Helen.

Helen quer explorar o mundo, mas não tem ninguém que lhe guie, que lhe oriente. Alguém com pulso forte, que sabe o que estar fazendo e para onde está indo.  Acostumou-se a ser tratada como coitada e a receber tudo que queria, por isso reage com violência quando é confrontada por Anne quando esta “invade” seu mundo.   Mesmo que relutante no princípio, Helen vai aceitando Anne quando esta lhe faz perceber que há coisas novas e interessantes a se aprender da vida.

De Artur Penn. Com: Anne Bancroft, Patty Duke, Swenson e Victor Jory. EUA, 1962, 1h46min. P&B.

domingo, 26 de dezembro de 2021

OS OUTROS (THE OTHERS)

 


        Enquanto espera o retorno do marido da Segunda Grande Guerra (1939-1945), Grace Stewart vive isolada num casarão com seus dois filhos, Anne e Nicholas. Após a chegada de três empregados, estranhos acontecimentos surgem na casa: passos são ouvidos, portas aparecem abertas, cortinas desaparecem, choros são ouvidos. A pequena Anne afirma que tem pessoas na casa. Grace não acredita. À medida que as coisas vão piorando, os empregados demonstram esconder algo.

Há quem ache que para se viver a vida só basta saber aquilo que lhe foi ensinado. Acha que não há necessidade em saber coisas novas, de fazer novas perguntas, de ouvir os outros. Acha que aquilo que tem na cabeça é o suficiente.

Quem vive assim não quer aceitar o que está diante de seus olhos. Não se permite ir além do que já sabe e não quer mudar a maneira de olhar as coisas. Não quer encarar o desconhecido. Entende as dúvidas como sinal de fraqueza. Tem dificuldades em aceitar o que não sabe e não tem humildade alguma de pedir ajuda. Este é o pensamento de Grace Stewart.

O filme fala do sobrenatural e expõe a ignorância perante a essa realidade complexa e existente. Cada personagem possui uma característica bem definida criando uma identidade e  autenticidade ao filme. Destaque para Anne, a filha mais velha de Grace. Toda a narrativa centra nela. A atuação de Nicole Kidman é digna de elogios. Sua vestimenta, corte de cabelo e postura representa bem a imagem de uma pessoa dura e incrédula.

O fato da maioria das cenas serem filmadas em ambientes escuros (a única feita pela manhã não conta com os raios solares) passa a ideia que a qualquer momento algo pode acontecer. O final do filme é surpreendente.

De Alejandro Amenábar. Com: Nicole Kidman, Alakina Mann e Fionnula Flanagan. EUA, 2001, 1h44min.


                                                                       Atualizado em 24/09/2023

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