domingo, 5 de janeiro de 2020

A LISTA DE SCHINDLER (SCHINDLER’S LIST)




                                                                   “Aquele que salva uma vida salva o mundo inteiro”

Amon Goth (Ralph Fiennes) recebe ordens de Berlim para exumar e incinerar os corpos dos mais de 10 mil judeus assassinados em Plaszow e no massacre no gueto de Cracóvia, além de enviar os vivos para o campo de concentração de Auschwitz. Após saber disso Oscar Schindler (Liam Neeson) toma uma ideia radical: com a ajuda Itzhak Stern (Ben Kingsley) elabora uma lista (A Lista de Schindler), com nomes de alguns judeus para trabalhar numa fábrica de balas de artilharia.

Filme de guerra. Preto e branco e com mais de 3 horas de duração, A Lista de Schindler não seria a melhor escolha. A trilha sonora acompanha bem as cenas mais impactantes (como a da garota do casaco vermelho) nos fazendo segurar as lágrimas. Yerushalayim Shel Zahav, a música final é uma luz de esperança para uma geração que surgiria.    

Poucos filmes conseguem “mexer” com nossas emoções tanto como este. É um daqueles que eu queria ter assistido nos cinemas, pois aborda a importância que tem a vida de um ser humano. A guerra pode trazer à tona o pior das pessoas. Mas também o melhor. Para Oscar Schindler a vida tinha tanta importância e significado que valia a pena gastar toda sua fortuna para manter um coração batendo.   

Recebeu as premiações de melhor filme, diretor, roteiro adaptado, trilha sonora e fotografia do Oscar de 1994. Encabeça as principais listas de melhores filmes de todos os tempos. Recomendo.

De Steven Spielberg. EUA, 1993, P&B, 3h15min.


                                                                                                   Atualizado em 16/10/2022

sábado, 7 de dezembro de 2019

CRISTO MINHA VIDA





“Se queres progredir na oração, evita o exagero das conversas ociosas, as leituras vãs, os devaneios, a procura demasiada de diversões mundanas, a preocupação excessiva com os negócios, a segurança e as coisas deste mundo. [...] Retira-te de vez em quando para a solidão. Isto não significa que deves levar uma vida anormal. Não deves tornar-te esquisito, fugindo dos contatos sociais razoáveis e necessários” (ENZLER, 2011, p. 135).

          No início fazer isso parace impossível, mas a vida pesa e a gente se cansa... dos mesmos pensamentos; das mesmas respostas e perguntas; de expectativas não realizadas; dos mesmos pedidos; de esforços em vão; de não se encontrar; das desilusões; das insatisfações sem fim; de promessas; de tantos problemas...

          Analisamos a vida.

          Fazemos as coisas para Deus pensando nas recompensas. E quando elas não vêm surgem os desapontamentos: as respostas não vêm, nada muda, o silêncio reina...Falta de vontade, tédio, desânimo. Algumas coisas perdem o sentido. Ao mesmo tempo vemos como somos realmente, nossas reais intenções, desejos e limitações.

          Os valores do mundo não traz tanta felicidade como se esperava. O coração anseia por outras coisas. Com milhares de situações para resolver o que mais queremos é estar diante de Jesus e parar. Respirar. Não querer pensar em nada. Repousar. Abandonar-se. A vontade, a memória e a inteligência trabalham. Aceitamos a vida. Não, não é aquele estado estático à espera do nada, mas parar de tanto ir para lá e para cá e seguir um único caminho. Não tão dependentes de ações extraordinárias. Confiar na Sua Palavra. Tendo confiança que a esperança vem Dele. A Força também. Queremos que Cristo esteja em nossa vida para sempre. Em todas as situações.


ENZLER, Clarence. Cristo minha vida. 44ª ed. São Paulo: Paulinas, 2011. 212p.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

FILHOS: TER OU NÃO TER? CUIDAR OU NÃO?



          O zigoto (primeiro estágio do embrião) forma-se com as informações do espermatozoide do homem com o ovócito da mulher...

          A fecundação se inicia...

          Os 23 cromossomos de cada um são reunidos...

          O embrião divide as células...

          Temos um organismo, um ser vivo dotado de patrimônio genético...

          No terceiro mês, o embrião recebe o nome de feto onde até o oitavo passa por alguns processos. Tais como: formação dos membros, órgãos, identificação do sexo, reações a ruídos externos e etc.

          Eis a vida sendo formada pelos meios natural e biológico.

          Faz parte do desenvolvimento do ser humano cuidar dos seus. Mas a forma de como se vive a vida hoje faz muitas pessoas pensarem ou não em ter filhos.

          Comum os pais se preocuparem se seu filho vai ser bem sucedido ou se podem sofrer de alguma doença genética ou hereditária (como diabetes, daltonismo, câncer, depressão). Isso gera apreensão. Três pensamentos surgem:

·    Para evitar “trabalho” alguns optam em não ter filhos.

·    Criança gera “gastos” e requer renúncias e paciência.

·    A criança pode atrapalhar a relação conjugal.

·    A falta de afeto dos pais e uma infância difícil...

          Fora que há indivíduos que não apresentam aspectos materno ou paterno e delegam essa responsabilidade a terceiros.

          O segundo pensamento é recorrer a reprodução não natural, tais como a inseminação artificial (esperma coletado e introduzido no colo uterino). Esse meio dá esperança de gerar um ser segundo nossas escolhas e sem propensão a certas doenças. Mas precisa ser pensando e muito. Além do lado financeiro questões éticas e morais entram em jogo. Afinal:

·    Brinca-se de ser Deus.

·    Isso pode aumentar no ser humano a autossuficiência.

          Por fim, algumas pessoas não querem assumir compromisso algum. Não estão se importando em precaução quando assunto é sexo. Com muitos parceiros é grande o risco de adquirir e transmitir para mulher e a criança doenças. Sendo que um filho não esperado muda toda estrutura de uma vida. A falta de formação pessoal e preparo psicológico pode fazer a mulher pensar em aborto.

          Por mais controladores que queremos ser a Vida sempre nos escapa. Sempre algo novo acontece e se aprende muita coisa também. Mesmo que cause espanto. Filho sempre é uma bênção. Não importa como venho. Planejado ou não. Esperado ou não. Ver uma vida que nasce é contemplar a oportunidade de ser uma pessoa melhor do que já foi antes. Esse é o grande milagre do ser humano: a capacidade de dar a volta por cima.

COMISSÃO NACIONAL DA PASTORAL FAMILIAR (CNPF). Manual de bioética. Fundação Brasília-DF, 2013. 80p. (Fondation Jérôme Lejeune).

domingo, 6 de outubro de 2019

TER AMIGOS OU SER AMIGO?

Se relacionar com os outros não é tão simples. Passos devem ser dados e correspondidos. Nem todos ficam à vontade (ou não querem) falar e compartilhar a própria vida por mais que a outra pessoa seja legalzinha-boazinha. É algo que não tem explicação.

Há expectativas não realizadas e às vezes é difícil contar com os outros e viver com decepções. 

Na cidade grande ninguém conhece ninguém. Estamos distantes. Temos cada vez menos pontos em comum mesmo com as pessoas que conhecemos. São várias opções culturais e muitas discordâncias em relação a gostos.

Nunca se escondeu tanto de si mesmo ao outro como nesta geração das redes sociais. E muitos têm dificuldades em expressar o que estão sentindo.

Longe, distraídos. Sem saber o que está fazendo e nem sabendo para onde está indo. Querendo uma outra vida e ser uma outra pessoa.

Na vergonha de esconder ou revelar carências nos fechamos no nosso mundo. Mas se a cada decepção nos fechar e refugiar no nosso mundo particular (e ficar por lá) viveremos de ilusões e mentiras.  

Não tem como viver como rei e rainha e querer que todos façam nossas vontades. E nem adianta querer montar sua própria turma para atrair seguidores/admiradores. Nos queixamos de solidão e que não somos ouvidos/compreendidos. Mas se pararmos para pensar nas pessoas que estão passando o mesmo que nós descobriremos que não estamos tão sozinhos. Se prestarmos atenção um pouco descobriremos que não somos tudo isso que pensamos que somos. 

Temos que ter paciência e ser compreensivos. Ninguém é perfeito. Ninguém acerta sempre. O outro exerce sim uma importância. Revela quem somos. Revela nossas forças, mas também nossas fraquezas.

É preciso aceitar a escolha do outro e adentrar na sua vida de maneira respeitosa. Ou deixo a pessoa seguir seu caminho e torço para sua felicidade (se gosto verdadeiramente dela) ou dou aquilo a partir da abertura que ela me deu. Ofereço a mão nas horas de dificuldades (quando eu puder e se ela quiser receber ajuda). Colocar no coração que os outros não nos devem nada e que eles têm uma vida e que não somos obrigados a participar dela a não ser que queiram.

Fonte:

LACERDA, Ricardo; GARATTONI, Bruno. A explosão da solidão. In: Super Interessante. n. 407, setembro 2019, p. 22-33.

LÉO SCJ, Padre. Gotas de cura interior.

MELO, Padre Fábio. Quem me roubou de mim?

           

domingo, 15 de setembro de 2019

MARIA DE NAZARÉ OU VIRGEM MARIA OU NOSSA SENHORA

Maria de Nazaré (ou Virgem Maria ou Nossa Senhora), a mãe do filho de Deus, Jesus, ocupa um lugar muito especial na vida de muita gente apesar da indiferença religiosa do mundo contemporâneo.

Quem é ela? Nas Sagradas Escrituras não há muitas informações. Em Mateus e Marcos não é citado nenhuma atitude especial (Mt 1, 18-23; 2, 11.13.14.20); (Mc 3, 31-35; 6, 1-6). No capítulo 12 do Apocalipse, ela é representada como a mulher vestida de sol que experimenta sofrimentos e perseguições. Cabe a Lucas e João nos mostrar características humanas e espirituais de Maria. 

Para Lucas ela é a perfeita discípula que escuta a Palavra de Deus, guarda no coração aquilo que não entende (Lc 2, 9. 51) e que se coloca disponível para realizar a vontade de Deus (Lc 1, 38). De forma gratuita, Ele usou Maria por meio de circunstâncias “irregulares” que fogem dos padrões normais oferecendo sinal aos questionamentos, presença nas dificuldades e forças necessárias para realizar sua missão (Lc 1, 35 ). Maria é humilde. Reconhece que tudo vem de Deus (Lc 1, 46-55) e se mostra discreta. Sua importância reside no compromisso radical e inteiro a Deus e ao seu projeto.

Em João, Maria está no início e no final do evangelho. É solícita, atenta e intercessora: “Eles não têm vinho”, “Fazei tudo que Ele vos disser” (Jo 2, 1-12). Permanece firme e de pé no momento da crucificação de seu filho (Jo 19, 25-27) e fica lá até o final.

Para a Igreja Católica, “Maria ocupa depois de Cristo o lugar mais elevado e também o mais próximo de nós”.(Lumen Gentium, n 54.) Como assim?

Jesus é o Senhor (Fl 2, 11), o único mediador entre Deus e a humanidade (1Tm, 25). Porém, Ele quis dispor de auxiliares, ajudantes. Uma autêntica devoção Mariana nos leva para mais perto de Cristo. Maria é a Mãe da Igreja e Mãe espiritual dos católicos. Lá do Céu ela manda graças para aqueles que precisam de suas orações.

Nosso coração precisa do contato com pessoas que nos transmitem aquilo que é divino e transcendental. A veneração a Maria surge da necessidade que todos temos de uma mãe.

Celebrações

Solenidades (celebração importante)

Theotokos, mãe de Deus (01/01); Anunciação (25/03); Assunção (15/08);

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil (12/10); Imaculada Conceição (08/12).

Memória 

Nossa Senhora de Fátima (13/05); Nossa Senhora do Carmo (16/07); Nascimento (08/09); Nossa Senhora das Dores (15/09); Nossa Senhora de La Salete (19/09);Nossa Senhora do Rosário (07/10); Nossa Senhora de Guadalupe (12/12).   

Festa

A principal é a Visitação (31/05).


Sobre os dogmas marianos leia AQUI 


Fonte:

MURAD, Afonso. Maria, toda de Deus e tão humana: compêndio de mariologia. São Paulo: Paulinas; Santuário, 2012. 260p. (Coleção peregrina na fé).

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

BLADE RUNNER 2049


No primeiro Blade Runner (1982) vemos os andróides sendo humanos mais do que os humanos. O filme é lembrado muito pelo clássico monólogo de Ray Batty (Rutger Hauer) que salva inesperadamente a vida do policial Rick Deckard (Harrison Ford).

“Eu vi coisas que as pessoas nunca acreditariam. Naves de ataque ardendo em chamas nas fronteiras de Orion. Eu vi raios-c cintilando na escuridão junto ao portal de Tannhäuser. Todos esses momentos vão se perder no tempo como lágrimas na chuva”

Na continuação, Blade Runner 2049, após a descoberta de um parto impossível, o agente K (Ryan Gosling) sai em busca de respostas que o faz chegar até Deckard (Harrison Ford), o Blade Runner do filme anterior. Em seu encalço está Luv (Sylvia Hoeks), perigosa replicante disposta a fazer de tudo (inclusive matar) para realizar as vontades de seu dono, Niander Wallace (Jared Leto).

O filme retoma os mesmos assuntos tratados no filme anterior de uma maneira bem mais profunda: a substituição daquilo que é natural e real por aquilo que é artificial; o desejo humano de controle; o querer criar alguém para ser seu escravo; a brevidade da vida. Ao darem inteligência aos androides, o que eles querem é ironicamente coisas tipicamente humanas: sentido de viver, maneiras de diminuir a solidão e a tristeza. E mais, são capazes de fazer coisas muito difíceis como o sacrifício (tema final do filme).

“Todos nós estamos procurando por uma coisa real”

Nas entrelinhas, percebe-se que os avanços tecnológicos e as mudanças drásticas na sociedade não suprem as necessidades mais profundas da vida humana. Em meio a um processo de desumanização que estamos passando (em parte pelo uso excessivo das telas) ir além dos desejos e necessidades pessoais é realizar algo... humano.

“Morrer pela causa certa é algo mais humano que podemos fazer”.

Na maioria do tempo, a história é lenta e arrastada, preocupada em juntar pedaços e responder perguntas. A ação mesmo vai começar quando Harrison Ford aparece lá no final do filme.

De Denis Villeneuve. Com: Ana de Armas. EUA, 2017, 2h43min.


Atualizado em 02/07/2025

segunda-feira, 22 de julho de 2019

SEXUALIDADE HUMANA: FREAR OU AVANÇAR?




          Entende-se sexualidade como maneira de se comunicar, se expressar, sentir e de ser do indivíduo(a). É também a forma que manifestamos em palavras e atos em quem (ou no quê) acreditamos.

          A mentalidade de agora nos ensina a “coisificar” as pessoas. Buscá-las para obter uma satisfação efêmera de um prazer. Nosso olhar age como agente seletivo. Dinheiro e aparência física ainda são “objetos de consumo”. Não nos estimula a se controlar, a disciplinar sentimentos, paixões e afetos. Pelo contrário. “Eu sou tudo e de todos!”; “Larga de ser besta, aproveita!”; “Tu ainda não fez??!! Todo mundo fez! É normal!”

          O desafio parece surreal para quem almeja trazer ordem nesta área da vida. Mas tudo tem seu jeito. Requer sim, uma mudança de mentalidade. Na questão da sexualidade, a Igreja Católica leva em conta a fraqueza humana e a necessidade da Graça de Deus para fugir das tentações. Não apenas evitar o pecado, mas também crescer nas virtudes cristãs e no desenvolvimento na capacidade de doar-se. Se meu modelo de vida está nos ensinamentos de Jesus Cristo preciso desenvolver a capacidade de me doar ao próximo.

          É uma luta heroica, entretanto assim aprendemos a superar impulsos instintivos da própria natureza.  


(Para saber sobre pecado e graça clique aqui).

FONTE:

CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A FAMÍLIA. Sexualidade humana: verdade e significado: orientações educativas em família. 7ª ed. Paulinas: São Paulo, 2009. 121p.




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