sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

O GÂNGSTER (AMERICAN GANGSTER)

 


       Baseado em fatos reais, o filme conta a ascensão e queda de Frank Lucas (Denzel Washington). Após trabalhar por 15 anos como motorista de um mafioso, encontra um meio de dominar o tráfico vendendo uma droga boa pela metade do preço. Com a ajuda de pessoal e aviões militares transporta uma heroína extremamente pura para os Estados Unidos diretamente de uma fonte no sudeste da Ásia. Tudo vai bem até ser notado por Richie Roberts (Russel Crowe).

Apesar dos lados opostos, Frank e Richie são semelhantes num ponto: suas motivações são meras reações do ambiente que vivem. O primeiro usa da violência para chegar a um patamar jamais visto vivendo sua vida de forma despretensiosa, ordenada e legítima conduzindo seus negócios muito diferente de um mafioso comum. O segundo usa sua honestidade e seus valores para lutar contra a corrupção na polícia.  

Frank Lucas é carismático e de família. Mesmo sendo um homem violento, não desperta nenhuma antipatia ou repúdio. Ele faz o que aprendeu. Fazendo dele ser um mero produto do meio. Richie é determinado e leva a sério sua profissão mesmo que tenha que pagar o preço por fazer aquilo que é certo.

O filme tem uma das melhores atuações de Denzel e Russel. Mantém um bom ritmo sem se arrastar e consegue tirar boas atuações dos coadjuvantes. A versão do diretor é a melhor por causa do final, mas a que está disponível também é boa.     

De Ridley Scott. Com Ruby Dee, Josh Brolin e Cuba Gooding Jr. EUA, 2007, 2h36min ou 2h56min (versão do diretor). 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

SoCiEdAdE Do CaNsAçO

 



      Para Aristóteles ser livre é viver independente das necessidades da vida e de suas obrigações, admitir a beleza da criação e investigar aquilo que não passa.

          É possível isso?

          O comportamento da sociedade vem mudando. A busca pelas respostas do mistério da vida e do transcendente deu lugar a busca por si mesmo. O importante é ter dinheiro e ser dono do próprio nariz. Mas essa maneira de se viver não afasta as crises que cada indivíduo enfrenta a todo momento.

          Olha só isso...

          Há uma pressão em ser e não ser ao mesmo tempo. Se alguns vivem crendo que todo esforço em favor da vida leva a morte tem outros que vivem como se ela não existisse...

          Veja essa...

          O número de pessoas cansadas e esgotadas excessivamente é um dos sintomas de uma sociedade que absolutiza o trabalho, o desempenho e a produção.

“O tempo de celebração desapareceu totalmente em prol do tempo do trabalho[...] O descanso serve apenas para nos recuperar do trabalho para continuar funcionando” (HAN, 2017, p. 113).

          Tem essa aqui também...

          Não se fica imune de ser acometido pelas doenças neuronais: Depressão; Transtorno de Déficit de Atenção com Síndrome de Hiperatividade (TDAH); Transtorno de Personalidade Limítrofe (TPL) ou Boderline e a Síndrome do esgotamento profissional ou Burnout (SB).

          Uns se exploram até o esgotamento. Outros têm a atenção dividida com inúmeras atividades a realizar tirando a capacidade de concentração e contemplação das coisas (já que a cabeça nunca para).

          E essa outra...

          “Hoje em dia, as coisas só começam a ter valor quando são vistas, expostas e chamam a atenção”. (HAN, 2017, p. 125).

         

          Por fim...

          “Tudo que é divino ficou obsoleto[...] O mundo perdeu sua alma e fala. Perdeu toda relação com Deus, com o sagrado, com o mistério, com o infinito, com o supremo, com o elevado. Perdemos toda capacidade de admiração[...] Já é tempo de transformar nossa vida numa morada que valha mesmo a pena viver” (HAN, 2017, p. 128).

 

HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Tradução de Enio Paulo Giachini. 2 ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2017. 136p.


segunda-feira, 2 de novembro de 2020

DEPOIS DA MORTE É O FIM?


 

Uma hora ela vai chegar para todos nós. Diante dela pouco importa quem somos, o que fizemos ou o que temos. Não levaremos nada. A morte é a grande certeza da vida. Não adianta não pensar ou fingir que ela não existe. 

Quem está preparado?

Quem aceita?

Difícil de responder. Só é possível encarar a morte a partir da fé. Há os que acreditam que depois dela não haverá nada. Há os que acreditam que teremos outras vidas. E há os que acreditam que haverá uma outra vida. 

A Fé na Ressurreição de Cristo ajuda a enfrentar esse grande mistério da vida. Jesus nos prometeu um lugar onde não haveria mais dor e nem sofrimento. Deus não criou a morte e nem o mal. Ele quer que todos nós nos salvemos. Até lá precisamos percorrer um caminho.

O que vai ficar verdadeiramente é o tipo de pessoa que fomos, a maneira de como tratamos as pessoas. Seremos julgados pelo o amor  que demos ou deixamos de dar. Quem ama não odeia e não quer o mal pra ninguém. Quem ama perdoa, tem consciência de suas misérias e tenta corrigir os próprios erros. Quem ama não julga.

Quem ama reza pelas almas daqueles que se foram. Participa de uma Missa, reza um terço, pratica as obras de misericórdia.

Deus é misericordioso, mas também é justo. Existe o caminho da maldade e o destino final desses que trilham esse caminho não é bom. O arrependimento salva, mas precisa vir com sinceridade de coração.

“Deus é o fim último das criaturas: Ele é o Céu para quem o alcança, o inferno para quem o perde, o juízo para quem por Ele é examinado, o purgatório para quem por Ele é purificado. Ele dirigiu-se ao mundo por meio de seu filho, Jesus Cristo, a síntese das coisas últimas.”

“Todos ressurgirão com os corpos de que agora estão revestidos para receber, de acordo com suas obras boas ou más, uns, a pena eterna e outros a glória eterna com Cristo.”

                                                                       Concílio de Latrão IV

Fontes:

COSTA, Dom Henrique Soares da. Escatologia: sobre o fim do mundo.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA (CIC).

domingo, 11 de outubro de 2020

TEOLOGIA DO CORPO

 


 “A vida conjugal é uma experiência de solidão dupla, mas ao mesmo tempo uma experiência de encontro recíproco.” p.14, 2014

A partir de conhecimentos antropológicos, teológicos, culturais e bíblicos, o Papa João Paulo II apresentou entre os dias 05/09/1979 a 28/11/1984 um conjunto de catequeses sobre o casamento cristão que ficaram conhecidas como Teologia do Corpo.

Começando nos primeiros capítulos de Gênesis, o Papa reflete que o homem se sentia solitário e diferente, mesmo com os animais e a natureza à sua disposição, até a chegada da mulher (Gn 2, 23). Só esta o completou. A partir daqui, formou-se o entendimento que a essência do casal se manifesta quando um vive para o outro. No evangelho de Mateus (19, 1-9), o Papa lembra que o divórcio só existiu por causa da dureza do coração, mas que no princípio não era assim. 

Por que um homem tem que se juntar a uma mulher, viver juntos e gerar filhos? Infelizmente está difícil responder essas perguntas, pois o coração vem sendo enganado pela “trindade” que guia o mundo de hoje: a sensualidade, a sedução das aparências e o orgulho da posse de bens.  O ser humano vem se tornando um ser opaco, dominado por suas vontades e não sabendo mais o que decidir. Em outras palavras, uma coisa.

 O corpo responde aos movimentos da alma. Ele “fala” de alguma maneira aquilo que está no interior. O ser humano não é livre quando não se domina e o grande ensinamento que João Paulo II dá aos casais para se manterem unidos é não apenas ir atrás do material, financeiro, carreira (as preocupações da vida), mas dando uma atenção significativa a vida espiritual a partir de Jesus. Através de sua Palavra, dos Sacramentos e do Espírito Santo, o casal recebe forças para vencer os influxos do maligno, que quer separá-los. Aliás, é  o Espírito Santo que purifica, vivifica, confirma e aperfeiçoa o amor infundido no casal. 

JOÃO PAULO II, São. Teologia do Corpo: o amor humano no plano divino. Campinas-SP: Ecclesiae, 2014. 602p.

domingo, 6 de setembro de 2020

JANELA INDISCRETA ( REAR THE WINDOW, 1954)

 


Alguns filmes lançados há muito tempo conseguem trazer reflexões para a nossa época. Janela Indiscreta é um deles.

O fotógrafo L. B. Jeff quebra uma das pernas num acidente de trabalho e precisa ficar alguns dias confinado numa cadeira de rodas. Impossibilitado de se mover, passa o dia a “bisbilhotar” a rotina de seus vizinhos (que mantém as janelas abertas devido as enormes ondas de calor) até desconfiar que um deles cometeu um assassinato. Com a ajuda de sua bela namorada Lisa Carol Fremont e da enfermeira Stella começa a investigar para ter certeza de suas suposições.

Ligados 24h nas redes sociais.

Sem stories, atualizações, postagens, curtidas ou comentários... apenas observando.

Neste novo mundo se estar à mercê da opinião alheia. Velada ou manifesta.

É a geração dos curiosos.

Olha-se de alguma maneira e com alguma intenção.

Não se sabe o que se passa na cabeça de ninguém, mas é precipitado aquele(a) que tira conclusões com base apenas naquilo que  ver.

O que o outro faz não é da minha conta, desde que não seja algum crime.

De Alfred Hitchcock. Com James Stewart, Grace Kelly, Thelma Ritter, Raymond Burr e Wendell Corey. EUA, 1h55min.

terça-feira, 4 de agosto de 2020

O QUE SE APRENDE COM SANTA CATARINA DE SIENA?




          A experiência que um Santo (do latim sanctu que significa sagrado) católico tem com Deus marca sua vida e a de muitas pessoas. Por que conhecê-los? Saber da vida de alguém que viveu séculos atrás pode não ser tão atrativo. Mas ajuda a entender a maneira de se viver o evangelho de Cristo e de como era (ou é) o mundo que vivemos.

O que se aprende com a vida de Santa Catarina de Siena?

1.  A iniciativa é sempre de Deus.

2. “sou aquilo que não é e Jesus é aquilo que é”.

3.  O amor próprio gera morte, escuridão e guerra enquanto o amor a Deus e ao próximo, vida, luz e paz. Nele somos conduzidos a um caminho de verdade onde vai da amargura à consolação.

4.  Uma coisa é conhecer a verdade. Outra é viver e sentir a verdade quando é difícil e dolorosa. Nossos corações feitos de sangue se recusam a obedecer.

5.  Fazer aquilo que se acredita ser a vontade de Deus é correr o risco de sofrer com incompreensões, difamações e oposições.

6.  Os Santos suportavam grandes tentações por amor a Jesus.

7.  Ele atende nossas súplicas.

8.  Podemos amá-lo mesmo que de maneira imperfeita.

 

        Catarina foi uma das filhas de Tiago Benincasa e Lapa Piagente. Nasceu em 25/03/1347. Sua vida mudou para sempre quando aos 6 anos viu de cima de um telhado de igreja Jesus, Pedro, João e Paulo. Na idade certa entrou na Ordem Terceira de São Domingos como umas das irmãs de Penitência. Catarina recebeu os estigmas de Cristo e tinha constantes êxtases (Estado psíquico quando a pessoa se encontra imóvel como que “transportada” para fora de si e do mundo sensível. No meio espiritual é uma Graça concedida por Deus a uma pessoa que durante a oração se sente intimamente ligada a Ele). Convenceu o Papa Gregório XI a retornar a Santa Sé romana dando fim ao período do Papado de Avinhão ou Cativeiro de Avignon.

 

          Devido as fortes penitências faleceu em 29/04/1380 aos 33 anos. Foi canonizada em 1461 pelo Papa Pio II. Declarada doutora pelo Papa Paulo VI em 1970.

UNDSET, Sigrid. Catarina de Siena: biografia de uma santa. Tradução: Pablo Pinheiro. Dois Irmãos, RS: Minha biblioteca católica, 2019. 368p.


sexta-feira, 3 de julho de 2020

AMAR, VIVER, ESCREVER





Ainda se olha a velhice como sinônimo de que “o fim estar chegando”. Também podera, quem gosta de conviver com doenças, de ser esquecido pelas pessoas que ama, de ser um “peso” para os outros? Realmente, ninguém. Contudo se o desamor pela vida surge de um lado, o amor surge do outro. De onde menos se espera. Sempre se muda quando se descobre uma nova perspectiva.


          Este livro ganhou destaque antes mesmo da leitura. Fiz o pedido diretamente com a autora. Pela distância geográfica (moramos na mesma cidade, Teresina-PI) não deveria demorar tanto para chegar em casa. Mas demorou e muito!

          Depois de um mês, a autora já ia me entregar outro, dessa vez ia recebê-lo em mãos por uma amiga sua. Chegando ao local indicado ela não estava. Teve que viajar às pressas para resolver assuntos familiares. O livro ficou dentro de uma sala que só ela possui a chave. Pensei: “Esse livro deve ser muito bom para tudo isso estar acontecendo”.

          Ao chegar em casa (no mesmo dia) recebo a notícia de minha irmã que chegou o livro (não, não é uma pessoa com esse nome). E era ele! Um mês depois! Detalhe, os correios não entregou em mãos para receber a assinatura. O livro estava jogado na calçada. Isso mesmo, o livro foi arremessado!  Ainda bem que o rufus (o cachorro de casa) não gosta de ler.

          E o conteúdo? Bem para ser lido qualquer autor(a) precisa abordar temas que faz parte da vida dos leitores. Isso é facilitado quando há assuntos diversos numa mesma obra. O que se percebe de comum nos textos? O olhar da vida com uma lupa. Quando se percebe os detalhes nossos e da Vida algo profundamente muda. Com lamentos se ver a escalada da violência (em todos os seus graus), a maldade, a ambição desmedida, o preconceito, as injustiças e a solidão idem.

          Mesmo assim a graça da vida não se perde. Ainda há coisas boas para se viver e elas nos empurram para frente. São coisas que o dinheiro não compra e o ladrão não leva.


TARGINO, Maria das Graças. Amar, viver, escrever. Nova Aliança: Teresina-PI, 2019. 326p.

Maria das Graças Targino escreve mensalmente em:https://www.ofaj.com.br/colunistas.php?cod=29

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