domingo, 15 de setembro de 2019

MARIA DE NAZARÉ OU VIRGEM MARIA OU NOSSA SENHORA

Maria de Nazaré (ou Virgem Maria ou Nossa Senhora), a mãe do filho de Deus, Jesus, ocupa um lugar muito especial na vida de muita gente apesar da indiferença religiosa do mundo contemporâneo.

Quem é ela? Nas Sagradas Escrituras não há muitas informações. Em Mateus e Marcos não é citado nenhuma atitude especial (Mt 1, 18-23; 2, 11.13.14.20); (Mc 3, 31-35; 6, 1-6). No capítulo 12 do Apocalipse, ela é representada como a mulher vestida de sol que experimenta sofrimentos e perseguições. Cabe a Lucas e João nos mostrar características humanas e espirituais de Maria. 

Para Lucas ela é a perfeita discípula que escuta a Palavra de Deus, guarda no coração aquilo que não entende (Lc 2, 9. 51) e que se coloca disponível para realizar a vontade de Deus (Lc 1, 38). De forma gratuita, Ele usou Maria por meio de circunstâncias “irregulares” que fogem dos padrões normais oferecendo sinal aos questionamentos, presença nas dificuldades e forças necessárias para realizar sua missão (Lc 1, 35 ). Maria é humilde. Reconhece que tudo vem de Deus (Lc 1, 46-55) e se mostra discreta. Sua importância reside no compromisso radical e inteiro a Deus e ao seu projeto.

Em João, Maria está no início e no final do evangelho. É solícita, atenta e intercessora: “Eles não têm vinho”, “Fazei tudo que Ele vos disser” (Jo 2, 1-12). Permanece firme e de pé no momento da crucificação de seu filho (Jo 19, 25-27) e fica lá até o final.

Para a Igreja Católica, “Maria ocupa depois de Cristo o lugar mais elevado e também o mais próximo de nós”.(Lumen Gentium, n 54.) Como assim?

Jesus é o Senhor (Fl 2, 11), o único mediador entre Deus e a humanidade (1Tm, 25). Porém, Ele quis dispor de auxiliares, ajudantes. Uma autêntica devoção Mariana nos leva para mais perto de Cristo. Maria é a Mãe da Igreja e Mãe espiritual dos católicos. Lá do Céu ela manda graças para aqueles que precisam de suas orações.

Nosso coração precisa do contato com pessoas que nos transmitem aquilo que é divino e transcendental. A veneração a Maria surge da necessidade que todos temos de uma mãe.

Celebrações

Solenidades (celebração importante)

Theotokos, mãe de Deus (01/01); Anunciação (25/03); Assunção (15/08);

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil (12/10); Imaculada Conceição (08/12).

Memória 

Nossa Senhora de Fátima (13/05); Nossa Senhora do Carmo (16/07); Nascimento (08/09); Nossa Senhora das Dores (15/09); Nossa Senhora de La Salete (19/09);Nossa Senhora do Rosário (07/10); Nossa Senhora de Guadalupe (12/12).   

Festa

A principal é a Visitação (31/05).


Sobre os dogmas marianos leia AQUI 


Fonte:

MURAD, Afonso. Maria, toda de Deus e tão humana: compêndio de mariologia. São Paulo: Paulinas; Santuário, 2012. 260p. (Coleção peregrina na fé).

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

BLADE RUNNER 2049


No primeiro Blade Runner (1982) vemos os andróides sendo humanos mais do que os humanos. O filme é lembrado muito pelo clássico monólogo de Ray Batty (Rutger Hauer) que salva inesperadamente a vida do policial Rick Deckard (Harrison Ford).

“Eu vi coisas que as pessoas nunca acreditariam. Naves de ataque ardendo em chamas nas fronteiras de Orion. Eu vi raios-c cintilando na escuridão junto ao portal de Tannhäuser. Todos esses momentos vão se perder no tempo como lágrimas na chuva”

Na continuação, Blade Runner 2049, após a descoberta de um parto impossível, o agente K (Ryan Gosling) sai em busca de respostas que o faz chegar até Deckard (Harrison Ford), o Blade Runner do filme anterior. Em seu encalço está Luv (Sylvia Hoeks), perigosa replicante disposta a fazer de tudo (inclusive matar) para realizar as vontades de seu dono, Niander Wallace (Jared Leto).

O filme retoma os mesmos assuntos tratados no filme anterior de uma maneira bem mais profunda: a substituição daquilo que é natural e real por aquilo que é artificial; o desejo humano de controle; o querer criar alguém para ser seu escravo; a brevidade da vida. Ao darem inteligência aos androides, o que eles querem é ironicamente coisas tipicamente humanas: sentido de viver, maneiras de diminuir a solidão e a tristeza. E mais, são capazes de fazer coisas muito difíceis como o sacrifício (tema final do filme).

“Todos nós estamos procurando por uma coisa real”

Nas entrelinhas, percebe-se que os avanços tecnológicos e as mudanças drásticas na sociedade não suprem as necessidades mais profundas da vida humana. Em meio a um processo de desumanização que estamos passando (em parte pelo uso excessivo das telas) ir além dos desejos e necessidades pessoais é realizar algo... humano.

“Morrer pela causa certa é algo mais humano que podemos fazer”.

Na maioria do tempo, a história é lenta e arrastada, preocupada em juntar pedaços e responder perguntas. A ação mesmo vai começar quando Harrison Ford aparece lá no final do filme.

De Denis Villeneuve. Com: Ana de Armas. EUA, 2017, 2h43min.


Atualizado em 02/07/2025

segunda-feira, 22 de julho de 2019

SEXUALIDADE HUMANA: FREAR OU AVANÇAR?




          Entende-se sexualidade como maneira de se comunicar, se expressar, sentir e de ser do indivíduo(a). É também a forma que manifestamos em palavras e atos em quem (ou no quê) acreditamos.

          A mentalidade de agora nos ensina a “coisificar” as pessoas. Buscá-las para obter uma satisfação efêmera de um prazer. Nosso olhar age como agente seletivo. Dinheiro e aparência física ainda são “objetos de consumo”. Não nos estimula a se controlar, a disciplinar sentimentos, paixões e afetos. Pelo contrário. “Eu sou tudo e de todos!”; “Larga de ser besta, aproveita!”; “Tu ainda não fez??!! Todo mundo fez! É normal!”

          O desafio parece surreal para quem almeja trazer ordem nesta área da vida. Mas tudo tem seu jeito. Requer sim, uma mudança de mentalidade. Na questão da sexualidade, a Igreja Católica leva em conta a fraqueza humana e a necessidade da Graça de Deus para fugir das tentações. Não apenas evitar o pecado, mas também crescer nas virtudes cristãs e no desenvolvimento na capacidade de doar-se. Se meu modelo de vida está nos ensinamentos de Jesus Cristo preciso desenvolver a capacidade de me doar ao próximo.

          É uma luta heroica, entretanto assim aprendemos a superar impulsos instintivos da própria natureza.  


(Para saber sobre pecado e graça clique aqui).

FONTE:

CONSELHO PONTIFÍCIO PARA A FAMÍLIA. Sexualidade humana: verdade e significado: orientações educativas em família. 7ª ed. Paulinas: São Paulo, 2009. 121p.




domingo, 23 de junho de 2019

A TERCEIRA FORÇA QUE DESAFIA HERÓIS E VILÕES




   Vidro (Glass, 2019) continuação de Corpo fechado(Unbreakable, 2000) e Fragmentado(Split, 2016) foge do óbvio. Tem reviravoltas espetaculares e um final surpreendente. Méritos de M. Night Shyamalan (O Sexto sentido e Sinais) que cria um universo unilateral inspirando-se nas histórias em quadrinhos (HQs).

          O filme aborda o mito do poder e de sua consequência. O mocinho recebe um dom que não pediu. E o vilão tem o seu fabricado. Ao entrarem em conflito, esses dois personagens antagônicos despertam anseios e medos a terceiros. O embate não se resume apenas ao herói e o vilão da história, mas a duas forças que arquitetam, manipulam e executam seus planos mais sórdidos.

          Ter talentos é chamar atenção. Há aqueles que se acham no direito de manter o equilíbrio das coisas. Para eles não existe o bem e o mal. São tudo criações de gente louca. Querem ao máximo ocultar a verdade e serão capazes de destruir tudo pra isso acontecer. O combate ocorre. As forças entram em rota de colisão. O vencedor é incerto, mas o que permanece é o legado.    
    
Com Bruce Willis, Samuel L. Jackson, James McAvoy e Sarah Paulson. EUA, 2019, 2h e 09min.


                                                                                                                                          

terça-feira, 28 de maio de 2019

O QUE AINDA DIZER DE VINGADORES ULTIMATO (AVENGERS ENDGAME)?





          Levou milhões ao cinema. Os quatro filmes ocupam as dez primeiras posições das maiores bilheterias. Um feito invejável. Mostra o nosso novo perfil. Não queremos ver apenas cenas que impressionem os olhos. Queremos sentir! Busca novas experiências! Sair diferentes da sala de exibição. E isso Avengers conseguiu.

          Sua força está na carga emocional. Conhecemos cada personagem. Defeitos e qualidades. Vem a empatia. Apesar dos talentos extraordinários todos tem coração de carne. Sentimentos comuns a qualquer ser humano: solidão, tristeza, desespero, remorso, arrependimento. Mas também confiança no outro, esperança, renúncias e sacrifícios. Não estamos sentados na poltrona. Estamos lá na tela. Junto com eles! Fazendo parte da equipe.

          Sem dúvida, três são os destaques da saga. Robert Downey Jr. com seu Tony Stark/Homem de Ferro personifica as duas angústias de todo herói: Não dar para viver em paz e feliz quando se tem a capacidade de ser a faísca que acende a chama da esperança no coração daqueles que sofrem. E não tem como seguir em frente sem deixar tudo pra trás. Josh Brolin. Seu Thanos é um dos piores vilões que já se viu. Se acha no direito de restabelecer o equilíbrio das coisas ceifando vidas. E Stan Lee(1922-2018) o “cara” criador de todo universo Marvel.

          Ao mesmo tempo Vingadores Ultimato mostra a grande dificuldade do ser humano. Aceitar a partida daqueles que se ama. Na vida real não temos a máquina do tempo. Resta a saudade. Mesmo assim as lembranças daqueles que se foram nos servem de inspiração para continuar a jornada da vida.     

Direção: Anthony e Joe Russo. Com Chris Evans, Chris Hemsworth e Benedict Cumberbatch . EUA, 2019, 3h01min.



                                                                                                                                          

segunda-feira, 22 de abril de 2019

O QUE OLHAR? O QUE OUVIR? O QUE FALAR?



         Os olhos sempre vão em busca do agradável. Nem sempre útil. Somos capazes de constranger com nosso olhar. Avaliar. Julgar. Além de mostrar no fundo nossos desejos.

          Não se escuta bem. Sempre se estar distraído com mil e uma coisas na cabeça. O nosso ouvir estar com defeito. Não se compreende nem parcialmente o que se escutou. Fora, a falta de interesse em saber do assunto.

          Perigoso falar da vida do outro. Nunca se sabe de tudo. Possível errar, passar por vexames ou vergonhas. Às vezes pode-se colocar em situações difíceis de serem esquecidas. Pagamos por aquilo dito (o que vai, volta). Uma palavra chega de maneiras diversas no ouvido do outro. Se mal usadas dar até pra matar se damos importância ao “ouvi dizer”, “disseram isso”.

          Se não queremos ser pessoas transmissoras de besteiras precisamos sim direcionar nossos sentidos. Não somente aquilo de nosso interesse. Saber ouvir para não dar uma de intrometido e escolher as palavras. Se não sabemos, preferível usar o humilde “eu não sei”. Entendemos os outros pela ideia vinda do conjunto de palavras a partir de um tempo de convivência. “Se não convivo contigo não lhe conheço”.

          Depende de cada um usar as palavras para construir ou destruir.
                 
                                     
                                                                                                                                          

domingo, 24 de março de 2019

GENTE COMO A GENTE (ORDINARY PEOPLE)




     Uma família é marcada por uma tragédia. Cada membro tem reações distintas. Um se culpa; outra finge que nada aconteceu e um terceiro não sabe o que fazer. Com o tempo essas reações se cruzam e nada será como antes.

Quando somos acometidos por tragédias o chão se abre e a imagem de pessoas bem resolvidas capazes de superar qualquer inconveniente cai por terra. Toda família tem seus dramas. Na dor passa-se a enxergar coisas imperceptíveis em nós e no outro. As limitações aparecem e as incapacidades também.

Viver em família é compartilhar a vida, expor pensamentos e opiniões. É abrir o coração e ficar atento sabendo que cada um se expressa, pensa e age de forma diferente.

O filme surpreendeu ao ganhar quatro indicações no Oscar de 1981 (Melhor filme, diretor, ator coadjuvante e roteiro adaptado). É pautado em diálogos. Tem uma narração lenta e abordam temas difíceis como a morte, suicídio, depressão e sentimento de culpa. Mas vale a pena assistir.  

Dirigido por Robert Redford. Com Donald Sutherland, Mary Tyler Moore, Timothy Hutton e Judd Hirsch. EUA, 1980, 2h02min.

                                                                                                                         Atualizado em 09/10/2022


                                                                                                                                          
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