terça-feira, 14 de abril de 2020

EM BUSCA DE SENTIDO




        “Quem tem um sentido suporta qualquer coisa.”

Viktor E. Frankl (1905-1997) sobreviveu a quatro campos de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) para elaborar a Logoterapia. Trata-se de terapia aplicada com base num modelo psicológico-antropológico onde a pessoa busca um sentido para sua vida, seja executando alguma tarefa; amando alguém; se dedicando a uma causa ou encontrando sentido diante de um sofrimento inevitável.

Para descobrir esse “sentido” é preciso refletir e estudar. Sobretudo prestar atenção nas coisas, na vida e em si mesmo.

Ninguém consegue viver sem um por quê. Um motivo pra se levantar e pra dormir. Quem não tem razões para viver fica à mercê dos prazeres. E mais frustrado e vazio fica.

Temos uma responsabilidade a assumir e saber o que a vida espera de nós. Não consiste em fazer o que os outros fazem ou o que dizem que temos que fazer. Não se trata também de buscar apenas realizações e glórias, nem tão pouco fugir da dor ou procurar se adaptar aos “parâmetros” da vida. Mas ser livre em buscar objetivos que valem a pena. É entender que a vida nos “chama” de uma maneira particular a executar uma tarefa específica.

Não é um caminho fácil. Em alguns momentos somos acometidos por situações dolorosas que não foram escolhidas por nós. E pelas tensões daquilo que se é e deveria ser ou aquilo que já se alcançou e deveria alcançar. O amor acaba sendo um caminho, um esquecer-se de si mesmo. É enxergar as capacidades no outro e ajudá-lo a desenvolvê-las.

“Diante de uma situação que não posso mudar, sou desafiado a mudar a mim mesmo.”

Viktor Frankl

Atualizado  em 06/06/2025

FRANKL, Viktor E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. 45ª ed. Tradução de Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline. Rio Grande do Sul/Rio de Janeiro: Sinodal/Vozes, 2019. 184p.

quinta-feira, 12 de março de 2020

INSÔNIA (INSOMNIA)




        Os policiais Will Dormer (Al Pacino) e Hap Eckart (Martin Donovan) são mandados a pequena cidade de Nightmute no Alaska para ajudar a polícia local na investigação do assassinato de uma adolescente de 17 anos. Na perseguição ao suspeito, Will atira e mata acidentalmente Hap. Will não assume a culpa, porém passa a ser chantageado por um homem que testemunhou o que ele fez. Além disso, começa a ficar emocionalmente instável devido ao sentimento de culpa, o que causa nele ter insônia.

Pegue um diretor que na época estava em ascensão (Christopher Nolan). Junte com um bom trio de vencedores do Oscar (Al Pacino, Robin Williams e Hilary Swank). Acrescente-os a uma narrativa de investigação policial situada numa cidade fria em que certa época do ano o Sol pode ser visto 24h por dia. O resultado é bom filme. Não um grande filme, mas bom.

Diante de um erro, o que se deve fazer? Reconhecer ou negar? O que é importante, a reputação ou a descoberta da verdade? Qual o valor da vida de alguém? O juízo do certo e errado podem se misturar quando o medo de perder é grande. Na resolução de erros próprios escolhe aquele onde se saíra perdendo menos.

Só que a consciência “acusa” que é muito difícil viver tranquilamente com um grande erro e que não dá pra enganar todos por muito tempo. O corpo e os sentidos refletem de alguma maneira o conflito interior. Se o personagem principal usasse o justo juízo, o reconhecimento do erro traria paz e alívio do que inquietação e culpa.

EUA, 2002, 1h58min.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

PENSAR É TRANSGREDIR




LUFT, Lya. Pensar é transgredir. 17 ed. Rio de Janeiro, Record: 2015. 185p.

            Difícil falar de um livro onde constam todas as palavras mesmo antes de pensar nelas! Os variados textos de fato nos levam a pensar. Parece que a autora fala conosco. E num rápido momento paramos. Silenciamos. Escutamos. Saímos um pouco dos nossos mesmos pensamentos e damos de encontro com outros.  Com situações que talvez nunca vivamos. Ou viveremos, quem sabe?

            Separei algumas citações de realidades que ainda nos inquietam e nos pedem sim, muita reflexão. Sendo bem ousado em resumir este livro o que há de comum na maioria dos textos é o quanto o excesso de informação atrapalha: a decidir, a ser, a se comunicar e inclusive a pensar.

O que preciso para viver a vida?

“Não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado [...] Para viver de verdade é preciso ser amado, amar e amar-se.” (LUFT, 2015, p.23).

Relacionamento perfeito?

“O perfeito não existe, mas tem a ver com querer se ligar a alguém e querer continuar ligado. Cada dia, ao acordar, fazer de novo a escolha: eu quero mesmo é você comigo”.
“Que o relacionamento não seja prisão, mas que seja vida, crescimento, libertação, ajuda mútua, não fiscalização e condenação”.

“O entendimento recíproco é um oásis no isolamento desta nossa vida pressionada por tempo, dinheiro, regras, trabalhos, grupo social, realidades do mundo”. (LUFT, 2015, p.33, 35, 39).

Limites...

“As questões humanas são complexas [...] Na maior parte das vezes temos de nos contentar com o que podemos realizar ou pensar.” (LUFT, 2015, p. 81).

Velhice...

“Para a maioria, ela traz a marca da incapacidade, do feio, da deterioração [...] A possibilidade de ter qualidade de vida, projetos, ternura [...] é real, desde que levando em conta as limitações de cada período”.

“Quando não puder mais realizar e nem fazer nada na vida ainda se pode exercer afetos, ler bons livros, observar a humanidade que nos cerca”. (LUFT, 2015, p. 93)

Comprar...

“Comprar não é um dever quando não se trata do indispensável ou de que faz bem. Comprar pode ser e tem sido em grande parte moda, mania, quase neurose.” (LUFT, 2015, p. 81)

Prioridades...

“Bem que a gente poderia fazer uma reforma de nossas prioridades. Cada um que examine o baú de suas prioridades e faça a arrumação que quiser ou puder. Que seja para aliviar a vida, o coração, o pensamento. Não para inventar de acumular mais compromissos” (LUFT, 2015, p. 116)

E quando os relacionamentos acabam?

“Relacionamentos mudam ou se desgastam[...] e a família[...] abre as portas e janelas para novas maneiras de se relacionar mesmo depois que o casamento termina. Tudo o que se viveu de bom ou ruim liga para sempre, se foi intenso e prolongado. Nem divórcios, nem a morte apagam a presença do outro que [...] há de continuar lançando sua sombra boa ou negativa”.

“Será preciso de tempo, descoberta e cultivo de outros interesses, abertura a novos afetos para que essa ferida feche. [...] Por outro lado, nada cresce bem no terreno de um relacionamento ruim, vivendo de silêncios ressentidos, críticas pronunciadas ou abafadas. Isolamento e indiferença pode ser uma condenação”. (LUFT, 2015, p.47)

Somos superficiais?

“Além de aflitos e desorientados pelo excesso de informações inúteis somos muito superficiais. Falta-nos o hábito de observar e refletir. Assustados com responsabilidades, escolhas e decisão, despreparados como adolescentes, nos desviamos do espelho que faz olhar para dentro de nós. Cada vez mais amadurecemos tarde e mal. Somos crianças tendo crianças”. (LUFT, 2015, p.172)

Crises...

“Crise é bom para fazer pensar ou repensar muita coisa.” (LUFT, 2015, p. 173)

Discernir e escolher...

Discernir e escolher fica difícil, porque o excesso de informação nos atordoa, a troca de mitos nos esvazia, a variedade de solicitações nos exaure. Para ter algum controle nessa vida é necessário descobrir quem somos ou queremos ser à revelia dos modelos generalizantes. (LUFT, 2015, p.178)

Pensar...

Pensar tem sido algo chato e muitas vezes torturante.


domingo, 5 de janeiro de 2020

A LISTA DE SCHINDLER (SCHINDLER’S LIST)




                                                                   “Aquele que salva uma vida salva o mundo inteiro”

Amon Goth (Ralph Fiennes) recebe ordens de Berlim para exumar e incinerar os corpos dos mais de 10 mil judeus assassinados em Plaszow e no massacre no gueto de Cracóvia, além de enviar os vivos para o campo de concentração de Auschwitz. Após saber disso Oscar Schindler (Liam Neeson) toma uma ideia radical: com a ajuda Itzhak Stern (Ben Kingsley) elabora uma lista (A Lista de Schindler), com nomes de alguns judeus para trabalhar numa fábrica de balas de artilharia.

Filme de guerra. Preto e branco e com mais de 3 horas de duração, A Lista de Schindler não seria a melhor escolha. A trilha sonora acompanha bem as cenas mais impactantes (como a da garota do casaco vermelho) nos fazendo segurar as lágrimas. Yerushalayim Shel Zahav, a música final é uma luz de esperança para uma geração que surgiria.    

Poucos filmes conseguem “mexer” com nossas emoções tanto como este. É um daqueles que eu queria ter assistido nos cinemas, pois aborda a importância que tem a vida de um ser humano. A guerra pode trazer à tona o pior das pessoas. Mas também o melhor. Para Oscar Schindler a vida tinha tanta importância e significado que valia a pena gastar toda sua fortuna para manter um coração batendo.   

Recebeu as premiações de melhor filme, diretor, roteiro adaptado, trilha sonora e fotografia do Oscar de 1994. Encabeça as principais listas de melhores filmes de todos os tempos. Recomendo.

De Steven Spielberg. EUA, 1993, P&B, 3h15min.


                                                                                                   Atualizado em 16/10/2022

sábado, 7 de dezembro de 2019

CRISTO MINHA VIDA





“Se queres progredir na oração, evita o exagero das conversas ociosas, as leituras vãs, os devaneios, a procura demasiada de diversões mundanas, a preocupação excessiva com os negócios, a segurança e as coisas deste mundo. [...] Retira-te de vez em quando para a solidão. Isto não significa que deves levar uma vida anormal. Não deves tornar-te esquisito, fugindo dos contatos sociais razoáveis e necessários” (ENZLER, 2011, p. 135).

          No início fazer isso parace impossível, mas a vida pesa e a gente se cansa... dos mesmos pensamentos; das mesmas respostas e perguntas; de expectativas não realizadas; dos mesmos pedidos; de esforços em vão; de não se encontrar; das desilusões; das insatisfações sem fim; de promessas; de tantos problemas...

          Analisamos a vida.

          Fazemos as coisas para Deus pensando nas recompensas. E quando elas não vêm surgem os desapontamentos: as respostas não vêm, nada muda, o silêncio reina...Falta de vontade, tédio, desânimo. Algumas coisas perdem o sentido. Ao mesmo tempo vemos como somos realmente, nossas reais intenções, desejos e limitações.

          Os valores do mundo não traz tanta felicidade como se esperava. O coração anseia por outras coisas. Com milhares de situações para resolver o que mais queremos é estar diante de Jesus e parar. Respirar. Não querer pensar em nada. Repousar. Abandonar-se. A vontade, a memória e a inteligência trabalham. Aceitamos a vida. Não, não é aquele estado estático à espera do nada, mas parar de tanto ir para lá e para cá e seguir um único caminho. Não tão dependentes de ações extraordinárias. Confiar na Sua Palavra. Tendo confiança que a esperança vem Dele. A Força também. Queremos que Cristo esteja em nossa vida para sempre. Em todas as situações.


ENZLER, Clarence. Cristo minha vida. 44ª ed. São Paulo: Paulinas, 2011. 212p.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

FILHOS: TER OU NÃO TER? CUIDAR OU NÃO?



          O zigoto (primeiro estágio do embrião) forma-se com as informações do espermatozoide do homem com o ovócito da mulher...

          A fecundação se inicia...

          Os 23 cromossomos de cada um são reunidos...

          O embrião divide as células...

          Temos um organismo, um ser vivo dotado de patrimônio genético...

          No terceiro mês, o embrião recebe o nome de feto onde até o oitavo passa por alguns processos. Tais como: formação dos membros, órgãos, identificação do sexo, reações a ruídos externos e etc.

          Eis a vida sendo formada pelos meios natural e biológico.

          Faz parte do desenvolvimento do ser humano cuidar dos seus. Mas a forma de como se vive a vida hoje faz muitas pessoas pensarem ou não em ter filhos.

          Comum os pais se preocuparem se seu filho vai ser bem sucedido ou se podem sofrer de alguma doença genética ou hereditária (como diabetes, daltonismo, câncer, depressão). Isso gera apreensão. Três pensamentos surgem:

·    Para evitar “trabalho” alguns optam em não ter filhos.

·    Criança gera “gastos” e requer renúncias e paciência.

·    A criança pode atrapalhar a relação conjugal.

·    A falta de afeto dos pais e uma infância difícil...

          Fora que há indivíduos que não apresentam aspectos materno ou paterno e delegam essa responsabilidade a terceiros.

          O segundo pensamento é recorrer a reprodução não natural, tais como a inseminação artificial (esperma coletado e introduzido no colo uterino). Esse meio dá esperança de gerar um ser segundo nossas escolhas e sem propensão a certas doenças. Mas precisa ser pensando e muito. Além do lado financeiro questões éticas e morais entram em jogo. Afinal:

·    Brinca-se de ser Deus.

·    Isso pode aumentar no ser humano a autossuficiência.

          Por fim, algumas pessoas não querem assumir compromisso algum. Não estão se importando em precaução quando assunto é sexo. Com muitos parceiros é grande o risco de adquirir e transmitir para mulher e a criança doenças. Sendo que um filho não esperado muda toda estrutura de uma vida. A falta de formação pessoal e preparo psicológico pode fazer a mulher pensar em aborto.

          Por mais controladores que queremos ser a Vida sempre nos escapa. Sempre algo novo acontece e se aprende muita coisa também. Mesmo que cause espanto. Filho sempre é uma bênção. Não importa como venho. Planejado ou não. Esperado ou não. Ver uma vida que nasce é contemplar a oportunidade de ser uma pessoa melhor do que já foi antes. Esse é o grande milagre do ser humano: a capacidade de dar a volta por cima.

COMISSÃO NACIONAL DA PASTORAL FAMILIAR (CNPF). Manual de bioética. Fundação Brasília-DF, 2013. 80p. (Fondation Jérôme Lejeune).

domingo, 6 de outubro de 2019

TER AMIGOS OU SER AMIGO?

Se relacionar com os outros não é tão simples. Passos devem ser dados e correspondidos. Nem todos ficam à vontade (ou não querem) falar e compartilhar a própria vida por mais que a outra pessoa seja legalzinha-boazinha. É algo que não tem explicação.

Há expectativas não realizadas e às vezes é difícil contar com os outros e viver com decepções. 

Na cidade grande ninguém conhece ninguém. Estamos distantes. Temos cada vez menos pontos em comum mesmo com as pessoas que conhecemos. São várias opções culturais e muitas discordâncias em relação a gostos.

Nunca se escondeu tanto de si mesmo ao outro como nesta geração das redes sociais. E muitos têm dificuldades em expressar o que estão sentindo.

Longe, distraídos. Sem saber o que está fazendo e nem sabendo para onde está indo. Querendo uma outra vida e ser uma outra pessoa.

Na vergonha de esconder ou revelar carências nos fechamos no nosso mundo. Mas se a cada decepção nos fechar e refugiar no nosso mundo particular (e ficar por lá) viveremos de ilusões e mentiras.  

Não tem como viver como rei e rainha e querer que todos façam nossas vontades. E nem adianta querer montar sua própria turma para atrair seguidores/admiradores. Nos queixamos de solidão e que não somos ouvidos/compreendidos. Mas se pararmos para pensar nas pessoas que estão passando o mesmo que nós descobriremos que não estamos tão sozinhos. Se prestarmos atenção um pouco descobriremos que não somos tudo isso que pensamos que somos. 

Temos que ter paciência e ser compreensivos. Ninguém é perfeito. Ninguém acerta sempre. O outro exerce sim uma importância. Revela quem somos. Revela nossas forças, mas também nossas fraquezas.

É preciso aceitar a escolha do outro e adentrar na sua vida de maneira respeitosa. Ou deixo a pessoa seguir seu caminho e torço para sua felicidade (se gosto verdadeiramente dela) ou dou aquilo a partir da abertura que ela me deu. Ofereço a mão nas horas de dificuldades (quando eu puder e se ela quiser receber ajuda). Colocar no coração que os outros não nos devem nada e que eles têm uma vida e que não somos obrigados a participar dela a não ser que queiram.

Fonte:

LACERDA, Ricardo; GARATTONI, Bruno. A explosão da solidão. In: Super Interessante. n. 407, setembro 2019, p. 22-33.

LÉO SCJ, Padre. Gotas de cura interior.

MELO, Padre Fábio. Quem me roubou de mim?

           
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