quinta-feira, 8 de outubro de 2015

SÓ POR HOJE E PARA SEMPRE



Durante 29 dias internado numa clínica de reabilitação em 1993, Renato Russo num diário relatava alguns fatos de sua vida. Neles é mostrado o outro lado do artista: a do homem

Como qualquer ser humano queria preencher o vazio de seu coração. Mas as coisas não saíram como sua cabeça esperava. Suas composições expressavam sua solidão, carência e depressão. 

Não tem como deixar de lado ou ignorar aquilo que o fez ir àquele lugar: a dependência química. O próprio Renato reconhecia que as drogas e o álcool não resolveram em nada seus problemas. O efeito sempre foi ruim, em si mesmo e nas pessoas ao redor. 

 Ele percebeu que estava no fundo do poço, mas queria redenção e se  reencontrar na vida. Talvez seja por isso que esse livro tenha importância. "Só por hoje vou me lembrar que sou feliz" canta em uma canção. O livro serve de  ajuda àqueles que querem um recomeço na vida.

Depois dali, a Legião Urbana lançou O Descobrimento do Brasil onde há umas das melhores canções da banda, Perfeição.

RUSSO, Renato(1960-1996). Só por hoje e para sempre: diário de um recomeço. (Organização e notas de Leonardo Lichote) São Paulo: Companhia das letras, 2015. 167p.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

OS INDOMÁVEIS (3:10 TO YUMA)



          “Dan Evans(Christian Bale) é um homem honrado e íntegro. Ele vive com sua esposa Alice(Gretchen Mol) e seus dois filhos, em um modesto rancho no Arizona. Após ter sua propriedade queimada, e perder quase tudo, Evans sai em busca de sobrevivência. Durante o trajeto, ele se depara com um assalto comandado por Bem Wade(Russel Crowe), um famoso assassino. Grayson Butterfield(Dallas Roberts), o xerife local oferece uma recompensa a Evans e a outros homens para ajudá-lo a capturar e a escoltar Wade até o tribunal de Yuma, no trem que parte às 3h10. Até mesmo algemado, Wade é destemido e perigoso, e ainda conta com a ajuda de diversos comparsas liderados por Charlie Prince(Bem Foster), que farão de tudo para libertar o temido fora da lei.”

            Assistir os filmes de faroeste é interessante porque eles exibem uma parte da história de formação dos EUA. Os aspectos envolvendo a maneira de como as pessoas viviam(uma vida muita dura, pouca confortável e pouca romântica), os fora-da-lei(pistoleiros sem perspectiva de vida que foram usados na guerra civil entre o Norte e Sul dos EUA do século XIX e depois descartados após o término dela) que adotaram esse estilo de vida fácil como forma de vingança ou ressentimentos advindos da guerra civil americana. O enfoque não na disputa entre o bem e o mal, mas sobre tudo na HONRA onde era mais importante fazer o que era preciso em vez do querer.

            As atuações e o roteiro são os pontos fortes do filme.


De James Mangold, EUA, 2007, 2h02min.

domingo, 20 de setembro de 2015

POR QUE A VIDA TÁ FICANDO TÃO SEM GRAÇA?



           A insatisfação no trabalho e nas relações sociais anda gerando um clima gigantesco de descontentamento com a vida. O dinheiro não está dando a paz e o conforto desejado onde não se tem uma motivação e um ânimo necessário para buscá-lo. A toda hora somos obrigados a gastar, gastar, gastar.  E as perguntas saltam a mente: “Minha vida é isso?” “Será que um dia encontrarei prazer naquilo que faço?”

            Nas relações fica a agonia de não se ter a quem desejamos/de que a visão que os outros têm de mim não agrada/que cobramos verdades e não gostamos de sinceridades/de o outro não ser do meu jeito/a insistência de querer saber tudo da pessoa mesmo quando ela não tem nada a dizer/o medo da solidão/ a falta de confiança/ a cobrança da atenção/ a dificuldade de esperar.

            Feridas profissionais e afetivas. Muitos andam conseguindo auxílio e forças no meio religioso. Pois se perguntam “Qual o sentido da vida se o que levo dela é taca e a qualquer hora posso perder tudo?”

            Não é um caminho fácil. É preciso muita cautela, vontade e disposição de se conhecer. Isso consiste vir à tona nosso lado desagradável e reprovável. Mas é sabendo desse lado que podemos saber no “QUE” e “COMO” mudar. Aprender o valor da espera e a perda do medo de viver a vida.

            

domingo, 6 de setembro de 2015

O DOM DO DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS



Discernir é separar aquilo que é bom do que não é. Na realidade cristã, separar aquilo que vem de Deus, do Diabo ou da natureza ferida do homem. É a oportunidade de permitir que o Espírito Santo ilumina nossa inteligência, toque  nossos sentimentos e coração, guiando nossa vontade para cumprir o que Deus nos pede.

O meio para que o Espírito Santo nos “fale” é a oração. Mas apresentamos dificuldades em rezar devido a: 

 

Ø     A preguiça;

Ø     Desânimo interior;

Ø     Desconfiança de que Deus não nos atenderá por causa de algum pecado que cometemos;

Ø     Os inúmeros apegos que tornam o coração pesado;

Ø     A decepção quando Deus não faz exatamente o que pedimos;

Ø     A dificuldade em aceitar a bondade do Senhor, que nos atende gratuitamente apesar de nossos erros;

O contrário do discernimento é a confusão. Confuso é aquilo que não é claro, que causa desordem e perturbações. 

Satanás é um espírito que não tem poder sobre nós a não ser que permitamos. Ele se aproveita de nossos pensamentos, desejos e imaginação para contar uma mentira fazendo-nos pecar. Sua intenção é no separar de Deus para que fiquemos no desespero e na angústia. 

 Ao homem e mulher de fé é preciso entender que estamos numa batalha espiritual, já que “não são com homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades.”

Cristo veio para destruir as obras de Satanás. Nos deu o Espírito Santo para que cheguemos ao conhecimento da verdade. É a verdade que nos fará viver a vida de uma forma mais plena e livre de qualquer mal que atrapalhe. 

MENDES, Márcio. O dom do discernimento dos espíritos. São Paulo: editora Canção Nova, 2007. (Coleção Dom do Espírito). 169p.


                                         Atualizado em 13/03/2024

terça-feira, 18 de agosto de 2015

MAGNÓLIA


“Big Earl Partridge (Jason Robards) é um produtor de TV a beira da morte que deseja reencontrar o filho. Phil (Phil Seymour Hoffman) é seu dedicado enfermeiro e Linda (Juliane Moore), sua jovem esposa. Frank (Tom Cruise), um célebre guru machista, é o filho que Big Earl procura. Jimmy Gator (Philip Baker hall) é apresentador do famoso programa de TV que também está com câncer  procura se entender com sua filha Claudia, viciada em cocaína. Stanley é um garoto-prodígio manipulado pelo pai oportunista. E Donnie Smith (William H. Macy) é um ex-gênio que fez fama no mesmo Quis Show e hoje está falido. O ponto em comum entre esses personagens? Todos vivem num bairro em Los Angeles cortado por uma rua chamada Magnólia, onde muitas surpresas podem ocorrer.”

            Somos tão frágeis. Não existe um escudo forte. Não existe o bem capacitado, o imbatível, o preparado. O que há dentro do coração é um ser pequeno e muito sensível que às vezes pode ser destruído pelas situações da vida.

Não é fácil passar por um momento ruim. Ninguém está preparado. Tenta-se mudar, enfrentar. Tornamo-nos pessoas até desagradáveis e difíceis para esconder nossas maiores vergonhas: a pequenez e a dor.


As diferenças podem está nos olhos, no cabelo, na aparência e na personalidade. Agora no aspecto de amar e ser amado, somos todos iguais. Erramos e tem horas que erramos feio, ainda mais quando não nos amamos. Mas vindo à  tona a verdade, buscamos o arrependimento e redenção. A velha tentativa de ser o melhor sem destruir ninguém e nem a si mesmos.

De Paul Thomas Anderson, EUA, 1999, 3h08min.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O IRMÃO DE ASSIS



Se viver consiste em acreditar em algo, é preciso conhecer pessoas mostrando que acreditar é preciso. Que é possível viver acreditando e será possível dar a vida acreditando. Essas pessoas guardam um mistério onde se torna fascinante e estimulante querer saber a vida delas. Como elas viveram? Como conseguiram? Como suportaram? Seus atos inspiram e seus nomes e obras atravessam o tempo. Apresento aqui um pouco da vida de Giovanni di Pietro di Bernardone.

           
            Deus? Quem é Deus? Uma invenção? Uma história?


O que dizer? Às vezes muito é se dito quando é pouco falado. As palavras têm o poder de “balançar as estruturas”. Tem se a história, os ensinamentos, os dramas, as vitórias, as experiências...


“Tudo começa com o despertar. Você acorda diante do fracasso. Ver que tudo pelo qual se lutou foi em vão. Não deu certo. Sozinho, preso, sem tantas coisas pra fazer. Apenas quieto. É  nessa hora que Ele aparece...”  LARRAÑAGA, 2007, p.12.


“Em toda adesão a Deus, quando é plena, esconde-se uma busca inconsciente de transcendência e de eternidade. Em toda saída decisiva para o Infinito, palpita um desejo de libertar-se da opressão de toda limitação e, assim, a conversão transforma-se na suprema libertação da angústia.”. LARRAÑAGA, 2007, p.12.


“Onde está o dinheiro não há lugar para outro Deus. Onde há dinheiro não há amor. O dinheiro corrompe os sentimentos, divide coração, dissocia famílias: inimigo de Deus e inimigo do ser humano.” LARRAÑAGA, 2007, p.72.


“A família e sociedade firmam os pés sobre o senso comum, sobre a plataforma do convencionalismo e necessidade às vezes naturais, às vezes artificiais: é preciso casar-se, ter filhos, ganhar dinheiro, construir um prestígio social... É difícil, quase impossível, ser livre nesse ambiente, e a pessoa que quer seguir Jesus até as últimas conseqüências precisa antes de tudo liberdade, e não há liberdade sem saída. LARRAÑAGA, 2007, p 73.”


“Deus está sempre no centro. Quando todos os revestimentos caem, aparece Deus. Quando os amigos desaparecem, os confidentes atraiçoam, o prestígio social é ferido a machadadas, a saúde vai embora, então aparece Deus. Quando todas as esperanças sucumbem, Deus levanta o braço da esperança. Quando os andaimes arriam, Deus transforma-se em apoio e segurança. Só os pobres possuirão a Deus.” LARRAÑAGA, 2007, p. 94


“Não sabia que rumo sua vida haveria de tomar. Esforçava-se apenas para ser fiel cada dia e vivia à espera da manifestação da vontade divina.” LARRAÑAGA, 2007, p. 119.


“O dinheiro classifica. Levanta muralhas de aço entre irmãos. A fama classifica e a beleza também. Que sobrará para todos os filhos de Deus que não têm dinheiro, beleza, títulos, saúde ou fama? Só o esquecimento e o desprezo...”  LARRAÑAGA, 2007, p.129.


“Uma pessoa pode não ter beleza, dinheiro ou bondade, mas pode ter fama. Nesse caso, o pólo de atração será a fama, que a fará rodeada e estimada. Outra pode não ter fama, beleza, simpatia ou bondade, mas pode ter dinheiro.  Nesse caso, o dinheiro vai ser o pólo de atração. Outras vezes vai ser a beleza e a simpatia. Pode faltar tudo, mas a bondade pode ficar como pólo de atração. [...] As pessoas nunca amam o homem puro. Amam as qualificações sobreposta às pessoas. LARRAÑAGA, 2007, p. 131”


“Esta noite eu vi em sonhos... [...] Estas poderosas torres de São João de Latrão começaram a curvar-se. O edifício inteiro começou a ranger e, quando parecia que as paredes da igreja iam ao chão, um homenzinho esfarrapado arrimou-a com os ombros, sustentou-a e impediu que a igreja viesse abaixo. E ainda estou vendo aquele mesmo esfarrapado. Eras tu, Francisco, filho de Assis.” LARRAÑAGA, 2007, p. 239.

                                                                                                              
Ninguém quer passar por ridículo. Receber zombarias, desprezos e humilhações. Quem seria capaz de renunciar suas riquezas e desejos de fama e glória? De tomar Deus como guia para o resto da vida?


Tinha chegado à conclusão de que na base de toda rebeldia há um problema afetivo. Os difíceis são difíceis porque se sentem rejeitados. Mas também sabia que é difícil  amar os não amáveis, e que as pessoas não os amam justamente porque não são amáveis, e que ficam menos amáveis ainda quanto menos são amados, e que a única coisa no mundo que pode curar o que se comporta mal é o amor. LARRAÑAGA, 2007, p. 261


Houve um problema profundo:

Onde está a vontade de Deus?

Houve um problema mais profundo:

Onde está Deus?

Houve um problema final:

Deus é ou não é?
                                                                               LARRAÑAGA, 2007, p. 310


A noite escura do espírito é um turbilhão que agarra e arrasta tudo para o abismo final. Parece que Deus nos abandonou e não atende os nossos chamados. Parece que a Palavra não tem sentido algum. Ficamos irreconhecíveis. Tudo nos deixa desanimados.


Só que é esse momento que Deus nos mostra que é Tudo. É o momento de purificação.


Como explicar?  É como se alguém descobrisse, de repente, que ele mesmo não passa de uma mentira que pregou a si mesmo, como uma brincadeira de criança em que cada um quer ver quem engana o outro, sabendo que todos estão enganando todo mundo.

Como explicar? É como um desdobramento da personalidade, como se, de repente, alguém descobrisse que estava enganado a si mesmo e que as duas partes de si mesmo sabiam que estavam enganando e sendo enganadas.
LARRAÑAGA, 2007, p. 314.


“Por que a ti? De acordo com as regras do mundo, tu, Francisco de Assis, não tens nenhum motivo para cativar a atenção popular. Não és bonito, por que todos querem ver-te? Não és eloqüente, por que todos querem ouvir-te? Não és sábio, por que todos querem consultar-te? Por que todo mundo corre a ti quando não tens nada para atrair? Qual é o segredo do teu fascínio?”
LARRAÑAGA, 2007, p. 276.


A coisa que amamos nos prende. Às vezes, fico em dúvida se é a coisa que nos prende ou nós que nos prendemos a coisa. Possivelmente, não há diferença entre um e outro. Quando aparece alguma ameaça para a coisa que amamos, isto é, quando surge algum perigo de que ela nos escape, nós a agarramos com mais força. Se o perigo aumentar, aumentará o nosso agarramento. Quanto mais crescer nosso agarramento maior será a coisa.
LARRAÑAGA, 2007, p. 363.


O ser humano utiliza sua superioridade intelectual para torturar os animais indefesos. Quer domesticar a todos, isto é, quer dominá-los e submetê-los a seu serviço, e muitas vezes a seu capricho. Os que se dedicam a caçar não são os pobres que têm fome, mas os ricos a quem não falta nada. Matam para se divertir. O ser humano não respeita nada, porque se sente superior a tudo.

LARRAÑAGA, 2007, p. 462.

sábado, 25 de julho de 2015

DE OLHOS BEM FECHADOS



“Bill Harford (Tom Cruise) é casado com a curadora de arte Alice (Nicole Kidman). Ambos vivem o casamento perfeito até que, logo após uma festa, Alice confessa que sentiu atração por outro homem no passado e que seria capaz de largar Bill e sua filha por ele. A confissão desnorteia o sujeito, que sai pelas ruas de Nova York assombrado com a imagem da mulher nos braços de outro. Ele acaba em meio a uma reunião secreta e uma mansão afastada.”


            Uma máquina complexa. Uma maneira bem instigante de nos definir. Difícil de decifra alguém já que a medida que o tempo passa mais misteriosos e assustadores ficamos. Dentro de nossas cabeças são escondidos desejos, fantasias, sonhos, coisas boas.

Um ponto que desencadeia quaisquer novos comportamentos são os relacionamentos. O que faz eu querer conviver com o outro? Por que tenho que compartilhar coisas? E se eu prometer que viverei com alguém independente do que aconteça sendo fiel e justo? Estou disposto a me sacrificar pelo outro? Engolir meu egoísmo e orgulho? Tentar descobrir sua essência?

Hoje se vê os relacionamentos pela ótica do sexo. Só se chega perto de uma pessoa porque ela é bonita e atraente. Você a deseja apena para aquilo e o resto nada mais importa. Quer obter felicidade, mas e a felicidade do outro? É bom ser usado? Parece satisfatório reduzir o ser humano a um mero animal? Um lixo? Onde só o corpo vale mais?

É em busca de um sexo desordenado, animalesco, egoísta e mortal que muitos estão se destruindo. Quem se importa em construir uma família? Cuidar de filhos? Sua felicidade é mais importante que tudo? É bom viver numa realidade solitária e opaca?


De olhos bem fechados, De Stanley Kubrick, Com Tom Cruise e Nicole Kidman, EUA, 1999, 2h39min.



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