quarta-feira, 6 de março de 2024

COMO VENCER A TIMIDEZ


 

Timidez é conceituada no dicionário como um sentimento de insegurança causado por medo do ridículo e do julgamento dos outros.

É visto como problema quando afeta o desenvolvimento da pessoa e sua relação com os outros.

A pessoa que é tímida tende apresentar baixa autoestima e não se enxerga como alguém capaz de fazer e conquistar algo. Dá importância demais ao que os outros estão falando ou pensando a seu respeito e prefere o isolamento.  Às vezes procura exibir-se pensando que é excepcional, fora do comum, superior aos outros e nega responsabilidade por algumas escolhas. Também pode esperar demais da vida e das pessoas. 

Ao perceber que as coisas não são assim fica tão desiludida a tal ponto que acha necessário ferir, buscar vingança, odiar o próximo. 

Como reverter isso?

1     - Descobrir e reconhecer os motivos que traz vergonha;

2     - Aceitar as próprias fraquezas, inseguranças e indecisões;

3     - Ser honesto com os próprios sentimentos;

4     - Conhecer o próprio valor, o papel que desempenha na sociedade (ou o verdadeiro papel que Deus confiou);

5     - Questionar-se quanto às razões profundas que estão por de trás das atitudes;

6     - Ir de encontro das pessoas com simplicidade e humildade;

7     - Compartilhar a própria vida;

8     - Não focar tanto em si mesmo para assim se comportar de modo natural, espontâneo e autêntico;

9     - Gostar de si mesmo;

10  - Amar o próximo sem querer transformá-lo, sem esperar algo em troca;

11  - Dar ao outro o que gostaria de receber;

12  - Perdoar, pois perdoar é libertar-se do passado;

13  - Não contar sempre consigo mesmo;

14  - Saber que ganhou esta vida para desempenhar um papel que pode ser diferente do outro;

Nosso verdadeiro ser encontra-se em nossa alma. Sem esse conhecimento passamos a mendigar afetos, buscar consolações, buscar ser compreendidos e procurar emoções para preencher um vazio.

A fé pode ajudar. Ao ter consciência que é amada por Deus, a pessoa se liberta de expectativas e julgamentos dos outros.

ALBISETTI, Valerio. Como vencer a timidez. Tradução de Clemente Raphael Mahl. São Paulo: Paulinas, 2004. 80p. (Coleção Psicologia e você). 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

AGONIA DO EROS


O ser humano vive constantemente comparando tudo com todos. Não consegue mais estabelecer claramente os próprios limites. Sobrecarrega-se querendo controlar tudo de maneira exagerada e doentia. Acha que é livre por não está submisso às ordens de alguém. Trata o próprio corpo como mercadoria. Busca no outro a confirmação de si mesmo ou o enxerga apenas como objeto de excitação. Não quer mais se relacionar. Evita o sofrimento a todo custo. Cuida de forma exagerada a própria saúde. 

Essa é a constatação que o filósofo, professor e escritor coreano Byung-Chul Han apresenta no livro Agonia de Eros.

O amor vem perdendo espaço num mundo onde a pessoa tem à sua disposição uma infinidade de opções e escolhas. Byung afirma que na verdade isso não faz do ser humano uma pessoa realmente feliz e muito menos livre . Pois agora ela explora a si mesma e por decisão pessoal. Vive por viver, permanece igual a todo mundo, não tem rumo, não descansa, não tem paz.

Apesar dessa exposição séria e preocupante, o autor é esperançoso. “A vida com seus mistérios pode surpreender e ensinar que uma desgraça desastrosa pode converter-se inesperadamente em graça e salvação.” 

A relação com o divino faz a pessoa perceber a verdadeira “essência do amor”. Esquecendo um pouco de si mesmo, a pessoa passa a renunciar algo e a olhar o negativo “diretamente nos olhos”, além de descobrir formas de enfrentá-lo.

“O amor vence a depressão. Arranca o sujeito de si mesmo e direciona-o para o outro. É um relacionar-se com outra pessoa conhecendo sua individualidade e seu mistério.”

HAN, Byung-Chul. Agonia do Eros. Tradução de Enio Paulo Giachini. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017. 96p.


domingo, 7 de janeiro de 2024

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON (THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON)


Assistindo novamente O Curioso Caso de Benjamin Button, o que mais percebi foi o enfoque que filme dá ao tempo, envelhecimento e a morte.

A história começa com uma idosa Daisy Fuller (Cate Blanchett) numa cama de hospital prestes a morrer. Conta a sua filha a história de um homem que após perder o filho na Primeira Guerra Mundial faz um relógio com os ponteiros andando em sentido anti-horário. Daisy pede a ela que pegue e leia um diário que está em seus pertences. Nele há a história da vida de um homem, Benjamin Button (Brad Pitt). Sua mãe morre no parto. Ao ficar horrorizado em ver sua aparência, seu pai o abandona num lar de idosos. Benjamin tem aspecto de um velho e está com os dias contados. É acolhido por Queenie (Taraji P. Henson), uma cuidadora, que decide tomar conta dele nos seus próximos poucos dias de vida. Só que a medida que o tempo vai passando ele não dá sinais que vai morrer. De forma misteriosa vai rejuvenescendo. Benjamin vai conhecendo e se despedindo de pessoas. Têm suas primeiras experiências de vida: Sai de casa para passar um tempo trabalhando no barco do capitão Mike (Jared Harris); Vive o primeiro amor; E ver um pouco do horror da Segunda Guerra Mundial. Ao retornar para casa conhece seu pai biológico que está morrendo e herda toda sua herança. Chegando na casa dos 40 anos vive um romance com Daisy, uma paixão que ele conheceu quando ela era uma menina. Quando a primeira filha deles nasce, Benjamin fica preocupado, pois acha que não terá capacidades de cuidar dela por causa de sua condição.

Todos vamos envelhecer. As forças não serão as mesmas, as limitações surgirão e não seremos tão independentes. A morte também vai chegar. Um dia vamos morrer e as pessoas que amamos também.

Agora esses dois acontecimentos não nos impede de viver. Ir a lugares diferentes, conhecer novas pessoas, colher novas experiências (boas e dolorosas).

E o tempo? Não podemos pará-lo ou querer que ele ande para trás. O que resta é escolher o que fazer com o tempo que temos.

Com o passar do tempo, O Curioso Caso de Benjamin Button ainda continua interessante. Seja pela história, pelo elenco, trilha sonora e os temas abordados.

Dirigido por David Fincher. Roteiro de: Eric Roth. História de: Eric Roth e Robin Swicord. Com: Tilda Swinton. EUA, 2008, 2h46 min.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

FRASES SOLTAS DE UM FINAL DE ANO

 

Ganha-se uma vida não para fazer aquilo que se quer

Coração, mente e memória tem que se convencer disso

 

É preciso lutar e ser corajoso

 

        Viver a vida fazendo algo concreto

 

Há uma missão, um sentido, um papel a se cumprir

Pode ser feito com a vida que se tem

Não olhando para o passado querendo viver algo que não volta mais

E nem ficar ansioso por um futuro que não aconteceu

 

          Algo tem que ser deixado para trás

 

Se não encontrar um propósito

Um motivo pra viver

Fica-se eternamente perdido,

Eternamente caindo nos mesmos erros

Olhando, buscando, imaginando, fantasiando...

...uma vida que só existe na cabeça

 

   Algo em si mesmo precisa mudar

 

É preciso querer e querer de verdade

 

Aceitar

Que não é a hora, nem o momento

Que aquilo que se deseja não vai ser como esperado

Que não dará felicidade

 

 

A vida evita sofrimentos maiores e reais

 

Aceitar o que não aconteceu

 

Dar pra ser melhor sem se parecer com os outros

 

 

A vida e as pessoas não são como estar na cabeça

 

Não se vive de ideias e fantasias

 

 

Tudo

Tem

Seu

       Momento

        e o que for

             Pra acontecer

      Acontece

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

SUPERANDO A PARTIDA DE PESSOAS QUERIDAS

 

Perder alguém nunca é fácil. Ainda mais se tivermos uma ligação afetiva forte com ela. Apesar de ser dolorida, a morte nos traz a certeza de que não viveremos para sempre. As pessoas que amamos não vão estar sempre conosco. Isso traz sentimentos de tristeza, solidão e vazio fazendo surgir incertezas a respeito do que poderá acontecer depois. “Como as coisas serão sem você?” (Alguns têm medo do julgamento de Deus por aquilo que fizeram ou não durante a vida).

Na verdade, a morte é a oportunidade de darmos um novo significado a nossa vida. De reorganizá-la e reajustá-la. E entender também que:

§  A Fé se mostra importante na hora de superarmos a partida da pessoa querida. E não só isso. Nos ajuda a seguir em frente;

§  O luto é uma fase. Ele precisa ser vivido, mas tendo consciência que não durará pra sempre. O luto dura em média 2 anos, onde neste período a realidade da perda se torna concreta e extremamente dolorosa, além da alternância entre dias bons e maus serem comuns;

§  Falar dos sentimentos: raiva, culpa, tristeza, desânimo. Expressar dor e emoções é libertador;

§  Aceitar a realidade da perda. A dor não durará para sempre;

§  Cultivar espiritualidade. No caso, praticar alguma religião. A vida não é apenas as “coisas visíveis”;

§  Não usar o luto para se aproveitar das pessoas;

§  Não há necessidade de se comunicar com ente querido que esteja no além. (No cristianismo basta confiarmos na Revelação Divina que consta nos Evangelhos);

§  Concluir o luto. Ele termina quando ao pensar no falecido não se sente mais dor e sim vontade de levantar a cabeça e continuar vivendo.

§  Não precisa ser religioso para perceber que não estamos nesta terra somente para produzir e consumir. Nenhum dinheiro do mundo nos protegerá de morrer quando chegar a hora. A vida é feita de escolhas cujas consequências são imediatas ou futuras.

 

MORAIS, Cristiano Batista de. Falar da morte para viver alegre e esperançoso. Halley: Piauí, 2019. 268p.

domingo, 1 de outubro de 2023

O SENTIDO CRISTÃO DO SOFRIMENTO HUMANO


 

Há sofrimentos sem sentido aos quais não temos culpa. Esses são difíceis de entender. Esta dor, na alma ou no corpo, que é resultado da não participação de um bem desejado também pode atingir muitas pessoas. Fome, guerras, violências, doenças (só pra citar alguns exemplos).

Por que estou sofrendo?

          É necessário tempo, muito tempo para que esta resposta seja percebida interiormente. Mas a verdade é que quando as explicações humanas são insuficientes e inadequadas, a gente busca Deus.

É na pessoa de Jesus Cristo que entendemos o sentido do sofrimento. Ele não explica as razões do sofrimento ou o porquê que estamos sofrendo. Ele diz: “Segue-me! Seja meu discípulo. Escute o que eu tenho a dizer. Veja o que tenho a fazer. Tenha Fé em Mim.”

Cristo também experimentou o sofrimento: cansaço, sem um lugar para morar, incompreensão, hostilidade, rejeição, humilhação, perseguição. Mas também nos ensinou sobre ele.

O pecado gera sofrimento. Cristo com sua Cruz e Ressurreição destruiu o mal atingindo-o na raiz: o pecado e a morte. Isso nos permitiu enxergar o sofrimento com um novo olhar: a do Evangelho.

Jesus nos dar a vida eterna. Com esta certeza entendemos que o sofrimento serve para nos reconstruir. Serve para desenvolvermos as virtudes. A perseverança em suportar tudo aquilo que incomoda e faz doer e de participar do sofrimento do próximo.

Agora não precisamos mais ir a lugares ou a inventar formas de aliviar ou acabar com o sofrimento (que na maioria das vezes faz é piorar!). 

“Cristo nos ensinou a fazer o bem com o sofrimento e a fazer o bem a quem sofre.” p. 67.

Nossos sofrimentos unidos à sua Cruz torna-se poder de Deus.

João Paulo II, Papa. Carta Apostólica “Salvifici Doloris” O sentido cristão do sofrimento humano. 11ª ed. São Paulo: Paulinas, 2009. 70p.

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

CAVALEIROS DO ZODÍACO (MANGÁ)




 
A primeira edição do Mangá (revista em quadrinho japonesa) dos Cavaleiros do Zodíaco foi originalmente publicada no Brasil pela Conrad editora entre o final do ano 2000 e começo do ano de 2004. Num total de 48 volumes foi distribuída a princípio mensalmente e posteriormente quinzenalmente, tendo uma segunda edição lançada entre 2004 e 2006. Tive a oportunidade de completá-las entre 2003 e 2008.

O resumo da história é mais ou menos assim:

Cem rapazes são mandados à força a países espalhados pelo continente para se tornarem Cavaleiros. Desses, dez retornam ao Japão e participam de um torneio de combate entre eles. Quatro se destacam: Seiya, Shiryu, Hyoga e Shun. Ikki, um dos dez invade o torneio com os Cavaleiros Negros e roubam partes da Armadura de Ouro de Sagitário. Um combate posterior pela posse das outras partes acontece, mas é interrompido pelos Cavaleiros de Prata. Nas edição #10 e #12 temos o resumo dos acontecimentos até ali: a deusa Atena é enviada para a Terra a cada 200 anos para lutar contra as forças do mal. Para isso ela conta com a ajuda dos Cavaleiros do Zodíaco. Saori Kido é a reencarnação de Atena e Seiya, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki têm a missão de defendê-la e protegê-la. Esse é o núcleo da narrativa de todo mangá. 



Cavaleiros do Zodíaco ou Saint Seiya no original divide-se em três partes. A rebelião de Saga de Gêmeos; a reencarnação precoce de Poseidon e a luta definitiva contra Hades. Em cada uma delas Seiya e seus irmãos vencem inimigos poderosos travando combates sangrentos e realizando feitos impossíveis e milagrosos com ajuda de suas energias cósmicas e da intercessão de Atena (Saori). 


Foi através do Mangá que tive um maior contato com os defensores de Atena. Raramente acompanhava o desenho que sempre era exibido em horários que não dava para assistir. A versão em quadrinho não segue a mesma sequencia de acontecimentos que vemos no desenho. O final das 12 casas é diferente e mais emocionante do que no desenho. Os personagens também são caracterizados de forma diferente. Eles não são (não me interpretem mal) meigos demais, sensíveis demais. Seja pelos traços e diálogos de Masami Kurmuda, eles nos são apresentados como pessoas duras e ríspidas. Além disso, possuem individualidades permitindo com que o leitor se identifique com alguns deles. O que mais gostei foi do Ikki. Ele não gostava em andar em bando, mas sempre aparecia para ajudar seus irmãos nos momentos mais críticos.


Mesmo com toda história tendo como pano de fundo a mitologia grega e a crença no cosmo e nas constelações do zodíaco, o que mais me chamou atenção foram outros aspectos. Temas como sacrifício, amizade, renúncia e serviço (no sentido de servir alguém ou a algo) ajudam a formar uma pessoa. Sobretudo a noção de que é preciso lutar.  Lutar contra o Mal. Lutar para defender quem amamos. Lutar para ser melhor.

Outro ponto que me chamou atenção é que as personagens femininas não estavam apenas preenchendo espaço. Não eram meras coadjuvantes. Elas ocupavam papeis de destaque e de relevância para o mangá.

Masami Kuruma mostrou que não apenas sabe desenhar como também sabe narrar uma boa história. Traz algo novo e interessante carregado de conteúdo e mistério sem pressa de contar logo fatos, deixando-os serem revelados no momento certo permitindo assim um bom clímax.     

OBS: Os comentários aqui não tiram a importância do desenho. Ele vale a pena ser assistido.   

A história e as ilustrações dos Cavaleiros do Zodíaco foram feitas por Masami Kurumada sendo publicadas no Japão a partir de 1985.

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