quarta-feira, 1 de março de 2023

O SENHOR DOS ANÉIS (LIVRO)


 

Frodo e Sam partem para o Monte da Perdição para destruírem o Um Anel. Eles contam com a ajuda de Gollum, que na verdade quer se apossar do anel. Enquanto isso, Gandalf, Aragorn, Legolas e Gimli lutam contra o exército de Saruman, outro que quer obter o anel.

Não foi fácil ler O Senhor dos Anéis (The Lord Of The Rings). Demorei bastante para terminá-los. A leitura não é simples. Não é a mesma coisa que ler Harry Potter (que só li os dois últimos) ou o Mágico de Oz. Havia um “vazio na mente” ao ler a maioria dos trechos. Talvez isso seja explicado pela minha falta de repertório em literatura. A fonte e o tamanho da letra (Garamond, 11) também não ajudava.

Não gostei tanto da história. Comprei os livros porque disseram que era bom e que tinha valores cristãos nele. Criei uma expectativa. Na hora da leitura, a percepção foi outra. Descobri que não gosto de histórias de fantasia.

Apesar disso, a experiência de ler esta obra serviu de aprendizado:

→ Livros não são filmes. Estava lendo com pressa querendo chegar logo em partes que apareciam no filme (saltei até umas páginas). Nos livros, a história se desenrola mais devagar, com mais fatos e outros personagens. Sendo que não se lê um livro de mais de 500 páginas num dia!

→ Os filmes são muito bons. A história é "rápida" e contém pontos importantes que constam no livro. Ajudou a dar uma vida aos personagens. Ao ler a fala do Gandalf, a voz do dublador e o rosto de Ian McKellen surgiam na mente.

→ Certos Livros não foram feitos para determinados leitores por causa dos limites cognitivos pessoais.

→ É preciso antes ler livros mais simples até chegar a outros mais difíceis. J.R.R. Tolkien não é para qualquer um.

→ É bom ver vídeos de comentários sobre o livro.

O Senhor dos Anéis não é um livro ruim (o sucesso do filme explica isso). Agora quem for ler tenha paciência. Talvez, em algum dia, num futuro bem distante poderei lê-los novamente.

TOLKIEN, J.R.R (1892-1973). O Senhor dos Anéis (A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei). Tradução de Ronald Kyrmse. Rio de Janeiro: Harper Collins Brasil, 2019. 608p.; 464p. e 608p. 



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

O SAGRADO E O PROFANO


“A religião é a solução exemplar de toda crise existencial, porque é considerada de origem transcendental e, portanto, valorizada como revelação recebida de um outro mundo.”

 

O sagrado seria um espaço, objeto ou símbolo dotado de um significado especial para uma pessoa. O profano não. Não há significado e tudo é a mesma coisa.

A pessoa religiosa acredita que existe uma realidade que transcende este mundo, o sagrado, que aqui se manifesta. Coloca seu ideal de humanidade num plano divino tornando uma pessoa completa quando ultrapassa a humanidade natural e se inicia uma vida sobrenatural. Esta vida atualiza e potencializa a existência humana inserindo-a na realidade.

O não-religioso é aquele que se reconhece como único agente da história. Rejeita todo apelo à transcendência. Não aceita nenhum modelo de realidade  fora da condição humana. Faz-se a si próprio quando se dessacraliza e dessacraliza o mundo.  O sagrado é um obstáculo à sua liberdade. Conserva comportamentos religiosos, mas sem seus significados. Ele o nega, o recusa para obter um mundo próprio. Só que é rodeado por realidades religiosas antigas, pois é fruto desse passado. Ele cria significados às coisas, momentos e lugares, mesmo sem ligação direta como divino.

O livro é bom porque traz conceitos e repete as mesmas coisas ao longo das páginas facilitando a compreensão.

ELIADE, Mircea(1907-1986). O Sagrado e o profano: a essência das religiões. 4 ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2018. 191p. 18,5 x 12,5 cm. 


domingo, 1 de janeiro de 2023

O JULGAMENTO DAS NAÇÕES

Escrito em 1942, Christopher Dawson aponta uma crise espiritual. As duas Grandes Guerras, os Regimes Totalitários, Hitler e o Comunismo Ateu Soviético foram criaturas de um mal: a Secularização da Europa.

A Cultura da Europa Ocidental (Alemanha, França, Itália, Reino Unido e etc.) foi formada pelo Cristianismo. A religião orientava a pessoa para Deus e ao mundo. A partir dela, o indivíduo entendia o que era na sociedade. Sem ela o homem perdia seu valor e senso de identidade tornando-se apenas uma máquina.

A cultura secularizada europeia fez as pessoas acreditarem que um triunfo econômico e político resolveriam todos os problemas da humanidade. Inclusive ela seria mais livre se não se submetesse a um Deus.

Entretanto, não foi isso que aconteceu. Em vez do progresso, o que se viu foi a degradação e destruição do ser humano; A ciência sendo utilizada para dominar e escravizar muitos com o intuito de enriquecer e aumentar o poder de poucos; Técnicas psicológicas utilizadas para condicionar a personalidade e controlar a mente tirando a liberdade da pessoa e transformando-a numa marionete.

Dawson faz uma leitura apocalíptica dos sinais dos tempos e uma interpretação teológica dos acontecimentos históricos em relação aos desígnios de Deus. A perda da unidade cristã fez a humanidade decair. Os símbolos cristãos foram alterados e o que era certo e errado foi transformado. O indivíduo passa a achar que tudo pode e tudo é permitido. Busca apenas algo que traga prazer ao corpo sem notar que suas pulsões o escraviza, o prende e o engana. Não reflete, não analisa e nem critica o que entra em sua cabeça: De onde veio isso? O que é isso? Eu preciso disso? O que isso vai me resultar?

Mas o autor aponta caminhos de esperança:

A vida é feita de escolhas conscientes. O crescimento é feito de dor.

A fé na possibilidade da ação divina no mundo é o fundamento do pensamento cristão. Para cada nova necessidade há uma resposta da graça divina, e que cada crise histórica é alcançada por uma nova efusão do Espírito[...] A tarefa de cada cristão individual é preparar os caminhos para tal ação divina, abrir as janelas da mente e remover os véus da ignorância e do egoísmo que mantém a humanidade adormecida[...] Os Evangelhos provam que o poder do Espírito pode romper quaisquer obstáculos.(DAWSON, 2018, p. 176-177).

A fé cristã declarou que nós somos capazes de adquirir uma natureza espiritual e alcançar uma finalidade divina. O cristianismo pretende a restauração e a renovação da natureza humana em Cristo, ou seja, a criação de uma nova humanidade.

Por mais tenebrosa que seja a realidade, sabemos que a decisão última é de Deus. Não é da sua vontade deixar a humanidade à mercê dos próprios impulsos destrutivos ou à escravidão das potências do mal. PALAVRAS DO AUTOR.

DAWSON, Christopher (1889-1970). O julgamento das nações. Tradução de Marcia Paiva Xavier de Brito. São Paulo: É Realizações, 2018. Coleção Abertura Cultural. 272p.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

LAMENTOS E AGRADECIMENTOS

 

Os lamentos

Chegar a certa idade e não ter vivido o que se queria viver; de não ter ganhando o que se esperava ganhar; de ter ainda os mesmos sentimentos e alguns pensamentos de antes é um “saco”.

Chegar a certa idade e ter na memória de que nenhuma lhe correspondeu é bem triste. Mais ainda quando não é incluído na lista seleta dos “amigos íntimos que ocupam um lugar no coração”, estando fora de momentos especiais e marcantes é ainda mais desolador.

Não dar para mascarar a raiva, a tristeza e o lamento perante a vida por achar que foi usado pelos outros que contavam com sua bondade e generosidade; de assistir as coisas acontecendo e dando certo para os outros e na sua vida só o nada e a solidão; de ter vergonha de quem era e de ver os sonhos cada vez distantes ou impossíveis; De ficar imaginando/criando na cabeça situações que têm a probabilidade quase zero de acontecer.

Os agradecimentos

Quando olho para trás nesses últimos doze anos, a única experiência que não piorou o que já estava ruim foi a prática da religião. De fato ela vem me salvando da dor suprema(exagerei na expressão, eu sei), do fechamento em si mesmo, do desamor e do desespero.

Tudo de importante e de bom veio através de Deus. A vivência numa Nova Comunidade Católica (apesar de dolorida e decepcionante), a vivência sacramental, a leitura e meditação das Sagradas Escrituras, a reza do Terço e o estudo da doutrina católica trouxeram um crescimento pessoal e os pés na realidade.

Ainda preciso mudar: aceitar o que passou, o que não aconteceu e o que deu errado; não pensar tanto em mim; não ter vergonha da minha vida e de quem eu sou; não esperar recompensas; não mentir para mim mesmo; não ser tão apegado as coisas; não falar o que não sabe; parar de reclamar; parar de me comparar aos outros; não ficar “caçando” mulheres com o olhar; colocar no coração que os outros não me devem nada e que eles têm uma vida e que não sou obrigado a participar dela a não ser que queiram; ser mais otimista; ter um coração mais grato; acreditar que coisas boas acontecerão em minha vida; colocar-se à disposição do próximo(difícil, porém necessário); confiar e esperar mais em Deus.  

E espero que pela força do Espírito Santo, na pessoa de Jesus Cristo e pela intercessão da Virgem Maria eu possa fazer o que seja o certo.

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

JCVD


O astro Jean Claude Van Damme (vivido por ele mesmo) não vem passando por bons momentos. Além de não conseguir papéis interessantes em filmes por causa de sua idade, perde a guarda da filha para sua ex-esposa. Num dia vai a uma agência de correios para resgatar um dinheiro quando cai no meio de um assalto. Os bandidos fazem todos pensarem que ele é o responsável pelo roubo e sequestro dos clientes e funcionários da agência.

 Na primeira cena de JCVD, que é a gravação de um filme, Jean Claude Van Damme bate, chuta, atira e mata. A gravação termina. Cansado, se dirige ao diretor se queixando que está velho demais para fazer muitos movimentos em uma só tomada. É ignorado. A cena corta para uma audiência de disputa de guarda onde o advogado de acusação aponta um ambiente desfavorável para se criar uma criança quando se têm no currículo filmes muito violentos, ao qual Van Damme retruca dizendo que todos eles eram feitos de coração e era através deles que ele conseguia dinheiro e comida. A cena é cortada mais uma vez e volta para ele sentado. Triste e pensativo.

JCVD mostra que Van Damme sabe interpretar. Ele consegue transmitir honestidade nas palavras, gestos e expressões de sua atuação. Numa cena em que fala olhando diretamente para a câmera faz um balanço da carreira e de sua vida: “Sou uma cara normal”; “Não é minha culpa se fui destinado a ser um astro. Eu pedi por isso, realmente acreditei nisso.”; “Quando se tem 13 anos você acredita nos seus sonhos. O meu se tornou realidade.”; “Me pergunto hoje o que fiz nesta Terra? Nada! Não fiz nada!”; “Sinceramente acredito que isto não é um filme. É a vida real.”; “É difícil para mim julgar as pessoas e é difícil para elas não me julgarem. É mais fácil me culpar.”

A maneira como toda história é contada prende a atenção. Começando de um ponto, volta no tempo algumas vezes para mostrar fatos com intuito de responder perguntas deixadas no ar. 

O filme chega a ser cômico às vezes, mas mantém o drama. Tem um desfecho bom e emocionante. Pena que não está disponível em nenhum catálogo de Streaming. Comprei ele por acaso nas Americanas por apenas 1,00! (era Black Friday).

De Mabrouk El Mechri. FRA, 2008, 1h32min.

https://retlawwalter.blogspot.com/2022/10/jcvd.html

 


sexta-feira, 30 de setembro de 2022

COMO SER IMPORTANTE E INSUBSTITUÍVEL?

Se você fosse pensar num ambiente onde sentiriam sua falta provavelmente seria a família. Pois nela você é valorizado pelo o que é (mesmo com os defeitos e os fracassos). Também em algumas amizades.

No trabalho você pode até se achar melhor por fazer de um jeito diferente o que o outro não faz e se enganar achando que não vai existir ninguém como você. Bem, mudanças acontecem. No início é difícil. Com o tempo as coisas voltariam a funcionar dentro de uma normalidade mesmo sem você presente. Com a rotina aos poucos você seria esquecido e lembrado só de vez em quando.

Se você é considerado somente pelo desempenho e resultados então sofrerá bastante quando chegar o dia que não poderá fazer mais as coisas do mesmo jeito que antes. Também poderá ser abandonado pelas pessoas que estavam com você apenas por aquilo que proporcionava ou dava a elas (leia-se aí dinheiro, luxo e vantagens).

Você passa pela vida das pessoas assim como as pessoas passam pela sua vida deixando marcas. É bom ter algo bom para lembrar. Mais ainda ter a coragem de viver o novo sem olhar para trás buscando conhecer e saber além do que já se sabe. Não pensar somente em si. O que favorece a criar vínculos fortes é sempre a atitude de ajudar mesmo com imperfeições.

Se você for uma pessoa assim fará muita falta.


domingo, 4 de setembro de 2022

DEVOÇÕES CATÓLICAS

A Religiosidade Popular é uma forma de se viver a fé católica. As devoções são um exemplo. Todas elas, novenas, romarias, fórmulas de consagração, rosário ou terço são manifestações do coração. Ou seja, a pessoa não é obrigada a fazer. Contudo elas alimentam nossa fé. Vejam o terço. O terço ajuda a pessoa a adorar a Deus; a contemplar os mistérios da vida de Jesus e a venerar sua mãe.

As devoções têm função importante no desenvolvimento da oração (Ela que é apenas um componente da relação com Deus, porque experimentamos sua presença em algumas situações da vida!) e da relação com Deus. Procurar fazer sua vontade em atitudes e valores; cultivando intimidade com Ele ( espiritualidade); e expressando de forma comunitária (os ritos como a Missa) são exemplos dessa relação.

Ultimamente a vida urbana, o consumismo e o individualismo vêm “matando” a religiosidade popular tirando das pessoas um referencial espiritual.

MURAD, Afonso. Maria, toda de Deus e tão humana: compêndio de mariologia. São Paulo: Paulinas; Santuário, 2012. 260p.

 


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