segunda-feira, 22 de abril de 2019

O QUE OLHAR? O QUE OUVIR? O QUE FALAR?



         Os olhos sempre vão em busca do agradável. Nem sempre útil. Somos capazes de constranger com nosso olhar. Avaliar. Julgar. Além de mostrar no fundo nossos desejos.

          Não se escuta bem. Sempre se estar distraído com mil e uma coisas na cabeça. O nosso ouvir estar com defeito. Não se compreende nem parcialmente o que se escutou. Fora, a falta de interesse em saber do assunto.

          Perigoso falar da vida do outro. Nunca se sabe de tudo. Possível errar, passar por vexames ou vergonhas. Às vezes pode-se colocar em situações difíceis de serem esquecidas. Pagamos por aquilo dito (o que vai, volta). Uma palavra chega de maneiras diversas no ouvido do outro. Se mal usadas dar até pra matar se damos importância ao “ouvi dizer”, “disseram isso”.

          Se não queremos ser pessoas transmissoras de besteiras precisamos sim direcionar nossos sentidos. Não somente aquilo de nosso interesse. Saber ouvir para não dar uma de intrometido e escolher as palavras. Se não sabemos, preferível usar o humilde “eu não sei”. Entendemos os outros pela ideia vinda do conjunto de palavras a partir de um tempo de convivência. “Se não convivo contigo não lhe conheço”.

          Depende de cada um usar as palavras para construir ou destruir.
                 
                                     
                                                                                                                                          

domingo, 24 de março de 2019

GENTE COMO A GENTE (ORDINARY PEOPLE)




     Uma família é marcada por uma tragédia. Cada membro tem reações distintas. Um se culpa; outra finge que nada aconteceu e um terceiro não sabe o que fazer. Com o tempo essas reações se cruzam e nada será como antes.

Quando somos acometidos por tragédias o chão se abre e a imagem de pessoas bem resolvidas capazes de superar qualquer inconveniente cai por terra. Toda família tem seus dramas. Na dor passa-se a enxergar coisas imperceptíveis em nós e no outro. As limitações aparecem e as incapacidades também.

Viver em família é compartilhar a vida, expor pensamentos e opiniões. É abrir o coração e ficar atento sabendo que cada um se expressa, pensa e age de forma diferente.

O filme surpreendeu ao ganhar quatro indicações no Oscar de 1981 (Melhor filme, diretor, ator coadjuvante e roteiro adaptado). É pautado em diálogos. Tem uma narração lenta e abordam temas difíceis como a morte, suicídio, depressão e sentimento de culpa. Mas vale a pena assistir.  

Dirigido por Robert Redford. Com Donald Sutherland, Mary Tyler Moore, Timothy Hutton e Judd Hirsch. EUA, 1980, 2h02min.

                                                                                                                         Atualizado em 09/10/2022


                                                                                                                                          

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

FALSAS DOUTRINAS: SEITAS E RELIGIÕES


Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores.”(Mt7,15)

“Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas.” (2Pd2,1)

O medo do futuro pode ser a razão de buscarmos a Deus. Devido à pressa, a vontade de querer logo, “pra ontem” a gente enveredar por lugares mais distanciam do que aproximam do Divino. Lendo o livro (que tem por base uma extensa pesquisa de D. Estevão Bettencourt) pode-se perceber o quanto somos sedentos por Deus.

Essa busca é dolorosa, silenciosa, feitas de longas esperas, mas com alegrias.

O livro não tem o objetivo de OFENDER ou DESRESPEITAR a religião dos outros, mas informar aquilo que entra em contradição com a fé católica.

Religião é um meio onde a humanidade entra em contato com o divino. Possui três características básicas:

1 – Crença num ser;

2 – Uso de um documento ou livro como guia de conduta;

3 – Culto a este ser. 

Exemplo: O cristão católico acredita em Jesus Cristo. Tem a Bíblia como documento e a Missa como culto.


A FÉ CRISTÃ

O centro da fé cristã centra-se na Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo transmitido a cada um nós Igreja Católica Apostólica Romana. Jesus veio para transmitir a fé para que sejamos salvos de nossos pecados (Mt 1, 21). Para isso quem se decide por Jesus precisa negar outras crenças e maneiras de adivinhar e controlar as coisas (Dt 18, 10-13). Para andarmos firmes na fé precisamos seguir os ensinamentos da Igreja Católica e não fazer o que queremos (2 Tm 4, 2-4). A Igreja Católica é a única fundada por Jesus Cristo.

“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.”  Mateus 16:18-19

Jesus não entregou as chaves a nenhum outro homem.

O QUE É UMA SEITA?

Grupo fechado que julga ter a solução dos problemas da humanidade.

Favorece seu crescimento:

·    Relativismo religioso;

·    Difícil situação do mundo atual;

·    Secularismo (Sociedade sem Deus e religião);

·    Materialismo;

·    Destruição das famílias;

 

       PROTESTANTISMO?

Religião cristã iniciada no século XVI por Martinho Lutero e hoje existindo sob forma de milhares denominações independentes uma das outras. As mais conhecidas: luterana, anglicana, calvinista presbiteriana, batista, metodista, mórmon, adventista, assembleia de Deus, testemunhas de Jeová e universal do reino de Deus.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:

Justificação da fé sem obras: o homem iria pecar pelo resto da vida não importando o que fazia ou deixava de fazer. O mais importante era ter uma fé firme e confiante em Jesus.

Bíblia como única fonte de fé sujeita ao livre exame: cada crente tem o direito de deduzir da bíblia às verdades que em seu bom senso julgue lhe haverem sido ensinadas pelo Espírito Santo.

Negação de intermediários entre Deus e o crente: para o protestante não há “canais transmissores da Graça” entre o homem e Deus. Ou seja, não precisa de sacramentos, de padres, do Papa, da intercessão dos santos...

 

DIFERENÇAS ENTRE AS RELIGIÕES ORIENTAIS

 

CRISTIANISMO

RELIGIÕES ORIENTAIS

Salvação por Jesus Cristo

Autossalvação

Voltado para Deus

Voltado para si mesmo

Monoteísmo (um Deus)

Panteísmo (eu sou Deus)

Rezar para discernir a vontade de Deus

Meditação para ter paz e chegar ao vazio interior

 

O budismo e o hinduísmo acreditam que temos uma centelha de Deus dentro de nós que precisa ser libertado das coisas sensíveis do mundo. Através de técnicas corporais e respiratórias esvazia-se a mente para entrar em contato com esse lado divino. Se não consegue nesta vida poderá obter em outras reencarnações. Religiões como a Sei Cho No Iê  professa que só existe a realidade espiritual. 

MACUMBA, UMBANDA E KIMBANDA

Macumba é a arte de cura, adivinhação e indução de espíritos a agir sobre os homens. Existe a magia branca (umbanda) e a magia negra (kimbanda).

Acreditam nos orixás (semideuses), exus (espíritos perversos) e eguns (espíritos de pessoas mortas).

Para se obter o auxílio dos espíritos superiores precisa-se oferecer “despachos” (comida, bebida, charutos e animais).


O QUE É A NOVA ERA E QUAIS SUAS CARACTERÍSTICAS ? 

Movimento de pessoas que propõe uma nova espiritualidade, rica de revelações de seres superiores. Desprezam as velhas instituições e a moral. O objetivo é criar um mundo novo, pacífico e fraterno. A nova era é:

·    Sincretista: mistura inúmeras religiões como se fossem verdadeiras e boas.

·    Panteísta: crer que tudo é Deus.

·    Não tem a bíblia como Palavra de Deus.

·  Busca de Deus pela experiência: uso da inteligência, espiritualidade oriental e técnicas psicológicas para encontrar-se consigo mesmo e resolver os problemas. “Eu sou Deus”.

·   Nega o pecado e a redenção por meio de Jesus Cristo: o homem não tem responsabilidade pelos seus atos e não precisa de um salvador.


ESPIRITISMO

Ganhou força com Alan Kardec.

 

CRISTIANISMO

ESPIRITISMO

Salvação por Jesus Cristo.

Salvação pelo esforço próprio.

Misericórdia.

Karma.

Uma vida, ressurreição da carne.

Várias vidas (reencarnação).

Jesus é Deus.

Jesus é um espírito evoluído.

Auxílio da força do Espírito Santo.

Consulta a espíritos desencarnados.

Céu, inferno, demônios.

Não acreditam no céu, nem no inferno e nem nos demônios.

Santíssima Trindade (Pai-Filho-Espírito Santo).

Não creem na Santíssima Trindade.

 

Aquino, Prof. Felipe(org). Falsas doutrinas: seitas e religiões. 14 ed. São Paulo, Lorena: Cléofas, 2010. 216 p.

 







domingo, 27 de janeiro de 2019

PERDAS E GANHOS



Durante as 158 páginas de Perdas e Ganhos, publicado originalmente em 2003, Lya Luft (1938-2021) fala de muita coisa. Mas não fica em cima do muro. Critica uma vida superficial, com propósitos vazios ou decisões alheias; Incentiva um olhar interior e a busca pela verdade; aponta possibilidades de ser feliz em meio a tristezas; discorre que a criação, o ambiente familiar, disposição genética e situações do momento são definitivas para nos formar como pessoa.

Na vida de alguém que vem atravessando o tempo em seu coração podem conter dores e alegrias. Mas também sabedoria. Aquela(s) palavra(s) que mexem nossos sentimentos e nos faz refletir e querer ser uma pessoa diferente.

LIMITES...

·    Ninguém tem o luxo de fazer o que se gosta. Fazemos motivados pela sobrevivência.

·    Faço o que sei e o que posso fazer.

·    Cada um com seu caminho e singularidades.

QUAL  NOSSO  TEMPO?

·    Nosso tempo é o tempo presente.

NÃO CULPAR...

·    Não se culpar, mas pensar: “Naquele momento e circunstância fiz o melhor que eu podia.”

·    Não adianta culpar nossos pais. Eles procuraram fazer o melhor até onde a situação permitia.

PARA SE FORMAR UM INDÍVIDUO

·    Para se ter uma personalidade equilibrada não precisa de muita instrução e nem de bens materiais.

DE ONDE VEM A DECISÃO?

·    Uma decisão nasce de uma perspectiva interior. “Na escolha de um parceiro opto pelo que julgo merecer”. Está conforme aos meus desejos mais obscuros.

AMADURECER É...

·    Amadurecer é ter novo olhar, na lucidez de certo distanciamento, permite compreender aspectos nossos e alheios antes obscuros.

UMA DAS MAIORES FRUSTRAÇÕES...

·    Um dos motivos de nossas frustrações, homens e mulheres é vivermos numa cultura que idolatra a juventude e endeusa a forma física além de qualquer sensatez.

DE ONDE VEM O SOFRIMENTO?

·    Sofrimento vem da falta de comunicação e encontros.

CONSEQUENCIAS DA FRIEZA...

·    Somos tão frívolos que nos tornamos incapazes de amar a vida tal como nos é dada e conquistada em cada estágio. Somos dominados por uma inquietação que não é aquela positiva que nos leva a produzir, a nos abrirmos para novidades, mas agitação infantil de quem nunca se contenta porque não se encontra. Por isso se fragmenta e se perde.

O QUE MAIS QUEREMOS?

Nossa obsessão atual é, antes mesmo de dinheiro e posição social, a aparência física. Então viver não é avançar, mas consumir-se e definhar. No entanto, faz parte de crescer que na infância meus ossos se alonguem, que meu sapato não seja mais tamanho 25. Faz parte crescer que na maturidade o corpo mude e siga se transformando mais.

·    Buscamos as mesmas coisas: afetos, segurança, liberdade e parcerias.

·    Olhar que confere sentido ao mundo.

O QUE DEVERIA SER O ESSENCIAL?

O essencial é que nossa vida seja desdobramento e abertura. Que neste universo de mil recursos e artifícios, de artefatos e inovações fantásticas, de agitação e efervescência, eu consiga ainda ter o meu lugar, aquele onde me sinto bem, onde estou confortável ­– não adormecido.

Onde eu possa ainda acreditar: não faz muita diferença em quê, desde que não seja unicamente no mal, na violência, na traição, na corrupção, no negativo.


                                                                                                  Atualizado em 21/08/2022

FONTE:

LUFT, Lya. Perdas & ganhos. 40ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2017. 158p.

sábado, 8 de dezembro de 2018

O QUE SABER DOS 4 DOGMAS MARIANOS?




I. MARIA, MÃE DE DEUS (theotókos)

Como pode uma mulher receber o título de mãe de Deus?
A prova está nas Sagradas Escrituras. Basta conferir em: Mc 6,3; Mt 1, 18; Lc 1, 26-38; 43. Maria é mãe do filho de Deus encarnado.
Definido como dogma no Concílio de Éfeso. Comemorado em 01 de janeiro.


II. VIRGINDADE

Como pode uma mulher gerar um filho sem a presença de espermatozoide? Como permanece virgem depois do parto?
O dogma não veio de uma descrição literal de um acontecimento. Nos primeiros séculos foi crescendo a convicção que Maria era abençoada por Deus. Ela dedicou sua vida para se consagrar a Deus e ser a mãe da comunidade cristã. Por isso renunciou sua vida conjugal com José. Então o sentido da Virgindade de Maria fala:

·    A concepção virginal quer dizer que a encarnação de Jesus é uma nova criação de Deus, um presente divino a humanidade;
·    Deus escolhe meios pobres para realizar a Salvação;
·    Consagração total, de corpo e alma, a Deus;
·    Ser humano diante de Deus é um terreno cheio de possibilidades onde tudo pode acontecer.

Jesus teve outros irmãos (Mc 6, 1-6)?

Não. Para os judeus chama-se irmão um parente próximo(Gn 11,31; 13,8; Ex2,11 ). Tiago menor e Joset eram filhos de outra Maria(Mc 15, 40).
Definido como dogma no Concílio de Latrão (649).

III. IMACULADA CONCEIÇÃO


Apresenta dificuldades pela falta de legitimidade (sem base bíblica, não responde a questões centrais da fé cristã, não foi proclamado em concílio ecumênico). O dogma foi formulado pela razão humana através dos argumentos de conveniência: “Deus podia fazer algo especial em Maria. Convinha a Deus que fizesse. Logo, fez!”

Fácil de ser aceito pelos católicos, pois já se compreendia que Maria é uma pessoa santa iluminada por Deus. Isso vinha lá dos tempos da colonização através de estátuas.

Não há termo bíblico que afirme claramente a Imaculada Conceição. Em Gn1, 15 não é um texto mariano, mas um anúncio esperançoso para a humanidade. Lc 1,38, o anjo diz que Maria é cheia de Graça e não Imaculada. Há um horizonte de compreensão com base em algumas passagens: Ef 1,4; Jr 1,5; Is 49, 1; Rm 5, 20.

Criou-se o paralelismo entre Eva (a virgem que leva a humanidade para o mal) e Maria (a virgem que abre o caminho para o bem). Nasce a devoção mariana. Escolas de pensamento (dominicanos e franciscanos) defendem que Maria recebeu uma Graça especial e foi purificada do pecado original durante a gestação ou na concepção.

Em 1852, o papa Pio IX encarrega uma comissão de teólogos para definir critérios para uma definição dogmática. Em 8 de dezembro de 1854 é proclamado o dogma da Imaculada Conceição com a bula Inefabilis Deus.

IV ASSUNÇÃO


A bíblia não conta detalhes a respeito dos últimos dias de vida de Maria. Não há fontes confiáveis do ponto de vista histórico. Os relatos da vidente Catarina Emmerich que descrevem detalhes do dia-a-dia de Maria na casa de éfeso contêm muitas informações improváveis e fantasiosas. No final do século IV se encontram referências a festa da “Dormição de Maria”.

Entre o final do século IV e VII, a partir de uma religiosidade mágica e sem apoio da bíblia escrevem-se apócrifos sobre o trânsito de Maria ao céu :

·    Maria recebe o anúncio de sua morte;
·    Milagrosamente, todos os apóstolos se reúnem em torno de seu leito;
·    Maria morre;
·    Depois do sepultamento, Jesus ressuscita Maria, que é levada ao paraíso.

O dogma foi proclamado em 1950 pelo papa Pio XII. A bula papal Munificentissimus Deus não entra em detalhes se Maria morreu ou não. Afirma que ela está unida a seu filho compartilhando seu destino e que foi assunta em corpo e alma à glória celestial. Comemorado no dia 15 de agosto.

Fonte:

MURAD, Afonso. Maria, toda de Deus e tão humana: compêndio de mariologia. São Paulo: Paulinas; Santuário, 2012. 260p. (coleção peregrina na Fé).




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...