O polonês
Karol Wojtyla (leia-se vói-tíua) foi
um dos Papas a ocupar a cadeira de São Pedro, tendo o 3º papado mais longo da
Igreja Católica (Outubro/1978 a Abril/2005). Nasceu em 18 de maio de 1920. A
partir da influência de Jan Tyranowski, um alfaiate profundo conhecedor das
obras de Santa Teresa Dávila e São João da Cruz, sente o chamado ao sacerdócio
e em 1946 se torna Padre. Em 1958 foi nomeado Bispo em Cracóvia com 38 anos
sendo até então o bispo mais jovem da história da Polônia. Participou do
Concílio Vaticano II, reunião dos bispos que mudou os rumos da Igreja Católica
no século XX. Sendo já Arcebispo, Karol foi eleito Papa no dia 16 de Outubro de
1978, com 58 anos, sendo o primeiro Papa não italiano desde Adriano VI
(1522-1523). Ao todo seu papado durou 26 anos terminando com sua morte (02/04/2025).
Papa
João Paulo II deu grandes contribuições a Igreja e ao mundo:
·
Elaboração do Catecismo (aquele da capa
amarela) onde nos ensina qual é a Fé da Igreja;
·
Criou a Jornada Mundial da Juventude (JMJ)
que acontece até hoje. Aliás, João Paulo II tinha um carinho especial à juventude.
·
Foi responsável pelo fim da União Soviética,
decretando o fim do comunismo na Europa.
·
Peregrino da paz. Levou à risca o que Jesus
pedia: “Ide a todas as nações e anunciai o evangelho”. Visitou mais de 100
países. Veio ao Brasil por 3x e passou rapidamente por Teresina-PI, no
aeroporto Petrônio Portela no distante 1980, o único Papa a visitar nosso
estado! Em todos os países que visitava fazia um gesto que marcou seu
pontificado, o beijo no chão.
Muitas
coisas fez São João Paulo II, mas o que ele tem a nos ensinar no mundo de hoje?
Devoção a Virgem Maria
Com
o lema Totus Tuus (todo teu), João
Paulo II descobriu ao ler o Tratado da
Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria de São Luís Maria de Montfort,
que
uma autêntica devoção mariana nos leva para mais perto de Cristo. Ou seja,
Maria nos conduz a Jesus. Ela é a Mãe da Igreja e nossa Mãe Espiritual. Lá do
Céu manda graças para aqueles que precisam de sua intercessão. João Paulo II
não cessava de pedir seu auxílio. Tanto é que todos os dias rezava o rosário.
Foi a Nossa Senhora que João Paulo II atribuiu um grande livramento. Em 1981,
enquanto estava saudando alguns fieis na praça de São Pedro foi alvejado por
dois tiros, tendo uma das balas atingindo o abdômen.
O amor humano e atenção à pessoa
Desenvolveu
estudos sobre o amor humano e sua relação com o divino ao escrever, o que hoje
é conhecido como Teologia do Corpo. Partindo de conhecimentos filosóficos,
antropológicos, teológicos, bíblicos, ele fala sobre o casamento e a
sexualidade a partir de uma ótica cristã. Antes de ser Papa, Wojtyla
aconselhava casais de noivos e casados abordando a sexualidade de uma maneira
que não era muito comum a um padre. Para ele, o que mantinha unido um casal não
era os seus corpos, mas o valor que cada um tinha.
Mesmo
com os diversos compromissos, João Paulo II não “passava” pelas pessoas. Ficava
atento a tudo aquilo que falavam. Não tinha a menor pressa em terminar uma
conversa, o homem ou a mulher era o mais importante.
Desapego material e da vida
Antes
mesmo de ser Papa, era uma pessoa desprendida dos bens matérias. Não usava
muitas roupas e sapatos. Praticava a pobreza. E tudo que tinha dava a quem mais
precisava. O Santo Padre não tinha medo da morte. Durante seu papado sua vida
recebia dezenas de ameaças. Aonde ele ia, o risco era iminente, mas ele sempre
confiava no seu anjo da guarda e em Maria Santíssima.
Amor pela Eucaristia
Rezava
em todo lugar. Sempre rezava por cada pedido que recebia. Acordava cedo para
rezar. Demorava depois da comunhão. Em cada decisão importante, passava longas
horas diante do Santíssimo Sacramento.
Passar pelo sofrimento
“A
Paixão de Cristo afastou a ameaça do sofrimento eterno e, ao mesmo tempo,
revelou o poder do sofrimento temporal.” (EVERT, 2023, p. 214).
Com
vinte anos de idade, Karol estava sozinho no mundo, pois seus pais e irmãos já
tinham falecido. Ele encontrou forças em Deus para superar a raiva e a tristeza.
Em um documento, ele aponta que Jesus nos ensinou como sofrer. Devíamos oferecer nossos sofrimentos a Cristo e também
a ter misericórdia do próximo. Ou seja, oferecer tudo aquilo que não é bom,
tudo aquilo que é desagradável ou mesmo tempo procurar ajudar a diminuir a dor
no coração do outro.
Seus
últimos dias de vida foram de grandes sofrimentos, pois debilitado e
incapacitado pela doença que tinha, o Santo Padre não tinha outra opção a não
ser aceitar e oferecer suas frustrações e decepções a Cristo.
São
João Paulo II ainda hoje serve de inspiração para aqueles que querem amar,
sofrer, servir, e a viver como Jesus nos ensinou no Evangelho.
São
João Paulo II, rogai por nós!
Fonte:
EVERT, Jason. A vida de São João Paulo II. Tradução de Barbara Theoto Lambert. 2ª ed. Dois Irmãos, RS: Minha Biblioteca Católica, 202. 264p.




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