sábado, 13 de dezembro de 2025

SANTA LUZIA E NOSSO OLHAR


 

Por meio de um quadro pode-se representar a vida de um Santo. Podemos não saber em detalhes sua história, mas as vestimentas, as cores, aquilo que carregam nos dão um ideia. Além disso, todas as informações contidas no quadro nos levam a oração.

No dia 13 de dezembro, o catolicismo faz memória de Santa Luzia. Quem foi ela? Há poucas informações sobre sua vida. A certeza que ela realmente viveu está numa inscrição em grego antigo sobre uma lápide encontrada em 1894 na cidade onde nasceu. 

Luzia nasceu provavelmente em 283 em Siracusa na Itália. Com cinco anos perde o pai, Lúcio. Sua mãe, Eutíquia sofria de graves hemorragias internas. Luzia parte com ela a Catania para pedir a cura pela intercessão de Santa Ágata tocando em seu túmulo (Luzia se inspirou na mulher com fluxo de sangue em Mc 5, 25-34). Após a cura da mãe, Luzia toma a firme decisão de consagrar sua virgindade a Deus de forma perpétua e que, portanto não se casaria. Acontece que ela já estava prometida a um pagão. Quando este soube do tal compromisso, denunciou-a ao prefeito de Siracusa na época, Pascásio, pois ela estava desobedecendo ao edito de Diocleciano (Ser cristão era proibido. Para se livrar da tortura ou da morte, a pessoa era obrigada a renunciar a Fé Cristã e adorar os deuses do Império Romano). Luzia se recusa e é decapitada em 13/12/304.

No quadro, as cores da vestimenta de Luzia é o vermelho, verde, um véu branco e um detalhe dourada que significa respectivamente, sangue, esperança, pureza e vitória sobre o pecado. O que chama mais atenção é a bandeja com os dois olhos. Como foram parar lá? Ela mesma tirou ou arrancaram e Deus devolveu seus olhos de volta? Não se sabe. Mas é sobre a questão do olhar que faz com que Santa Luzia seja venerada até hoje.

Os olhos buscam aquilo que o coração almeja e “fala” o que queremos...

Os olhos são o espelho da alma. Revela aquilo que está no interior. Quando mais olho, mais quero. O olhar de uma pessoa triste é diferente de quem está com raiva. Sabemos quando alguém é tímido ou mal intencionado pelo seu olhar. Há olhares que constrangem, oprimem e causam medo.

Estamos perdendo a pureza no olhar...

De todos os sentidos, a visão é a mais utilizada, pois é a partir dela que recebemos a maioria das informações do mundo. Aquilo que é mais marcante e diferente fica armazenado no cérebro. Se olho repetidamente uma mesma coisa, cedo ou tarde, consciente ou inconsciente, vou querer repetir aquilo que vi. Se tenho o hábito (péssimo) de ver pornografia, vou passar a olhar apenas o corpo das mulheres. Dificilmente olharei em seus olhos e mais ainda vou querer algum compromisso sério com elas. Só vou pensar em sexo e achar que o mais importante num relacionamento amoroso é só isso. Vou buscar sexo, pago ou forçado, porque meu cérebro está mandando. É ele que está no comando.

Estamos com o olhar perdido...

Não nos concentramos em nada. Passamos o tempo olhando telas. Se distraindo, perdendo o sono. Preferimos passar os olhos. Queremos algo rápido, bem rápido, rapidíssimo. A leitura traz preguiça e se o vídeo é muito longo, ele é chato. Isso traz alguns problemas, como a impaciência, inquietação e ansiedade. Se procuro ler de tudo, ver de tudo, meu interior não para. Eu não paro, pois existe uma máquina (minha cabeça) que não quer frear e nem parar. Só quer acelerar.

O olhar atiça nossa curiosidade, nos engana e pode sujar nossa alma...

Vemos aquilo que não devemos olhar. Aquilo que é proibido. Em Mt 6, 22-23, fala que os olhos são a lâmpada do corpo. Se meus olhos forem bons, meu corpo será pleno da luz. Porém, se eles forem maus, todo meu corpo estará em absoluta escuridão.  Tirar conclusões com base apenas no olhar é um equívoco. Podemos mentir nas redes sociais. A essência de uma pessoa não está em sua aparência. Não podemos julgar pela aparência.

A devoção a Santa Luzia nos indica a necessidade de desenvolver a espiritualidade. Recorrer a Deus não somente na hora das doenças, mas ver, olhar, enxergar para que é superior, as coisas do espírito.

É preciso treinar nosso olhar. Purificá-lo pode nos ajudar, a saber, o que a pessoa está querendo ou sentido.

Aprendamos com Santa Luzia, a guardar e proteger nosso olhar do pecado. Santa Luzia, rogai por nós!

Fonte:

GASQUES, Pe. Jerônimo. Santa Luzia: o brilho de uma luz, a protetora dos olhos. São Paulo: Paulus, 2018. 110p. 

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